Pov Bárbara
Perdeu a memória.
Isso realmente é insano.
24 horas atrás eu estava com álcool no sangue, pulando no colo da Júlia e dizendo sim pra ela. Daí jantamos, fui pra casa, fui trabalhar no dia seguinte, fui até uma porra de um galpão, tiros foram disparados contra o carro onde eu estava, achei um corpo e simplesmente era o Lucas Sánchez, ex-colega de sala e irmão desaparecido da ex-namorada da Júlia. Salvei a vida dele, fiz tudo o que pude fazer e, ainda bem, consegui. Infelizmente fiquei esperançosa que pudéssemos chegar mais fundo nesse caso com as informações que tiraria do Lucas.
E aí, ele simplesmente não se lembra de nada dos anos que ficou desaparecido sabe-se lá onde. Perdeu a memória!
- O médico disse que ele pode se lembrar logo. Para de ficar assim, eu fico incomodada com você assim. – pelo menos eu estava indo pra casa, estava, a Júlia estava me levando no meu carro, mas ela desviou o caminho e estamos na estrada. Não sei pra onde vamos, ela nem quis falar, mas era bem longe, eu já estava ficando cansada até de ouvir a mesma rádio. Só que a minha cabeça estava tão a mil com tudo isso que nem reclamei, me deixei ser levada. – Já não é a primeira vez que repito a mesma frase. Deixa disso, o Lucas vai lembrar.
- Médicos dizem muitas coisas, Júlia. E mesmo que ele lembre, eu tenho uma maldita certeza de que o Lucas não vai falar nada. – Ela faz um afago na minha perna e me olha. – Olha pra frente, Júlia, pelamor. Hoje eu quase sofri um acidente de carro. De novo.
- É sério? Por que não me disse?
- Não tive tempo de dizer. Você entende que eu não tenho boas experiências com pessoas queridas e carros? Eu detesto falar disso, mas fiz terapia pelo resto do tempo que fiquei em Porto Alegre desde que a Sabrina morreu. E mesmo assim não me sinto pronta. Tenho uma porra de medo infantil toda vez que entro em um carro. Não imagina como me senti quando tinha uma sub-metralhadora apontada para o carro onde eu estava com o William, o Francisco e a Aline.
- Meu Deus, Bárbara, isso é...
- Profundamente aterrorizante, sim. Eu pedi ao William pra parar o carro mesmo com a possibilidade deles nos fuzilarem quando parássemos, mas ele apenas reduziu a velocidade. Estouraram um dos pneus e ele perdeu o controle do carro, mas ficou tudo bem, foi só um susto. No fim, reduzir a velocidade ajudou.
- Então a vida do Lucas não é a única que você salvou hoje.
- Eu só tive muito medo de estar dentro de um carro que pudesse capotar novamente. Porque aqueles segundos dentro do carro com a Sabrina e... – suspiro. – Só tive medo.
- Sim, mas... Você esteve na mira de uma arma hoje.
- Toda vez que eu saio pra trabalhar fora da delegacia eu corro o risco de estar na mira de uma arma. Mas não pense nisso, senão não vai querer que eu trabalhe, e eu amo meu trabalho. Se não me entende, tenta pensar em todos os riscos que corre em campo, jogando. Pode sofrer inúmeras lesões, cair de mal jeito, ter algum trauma em alguma parte do corpo, todos esses podem evoluir para algo pior. Eu me preocupo com você, mas não posso pensar que você pode morrer a cada jogo porque se for assim, vou enlouquecer. – ela parou o carro. A rua meio escura, sabe-se lá onde era, mas senti a maresia. Minha mente deu um estalo: a casa de praia.
- Eu entendo você, Bárbara. E estou aqui pra você. Sempre estarei.
- Eu te amo. – puxei-a pela blusa desesperadamente e beijei seus lábios com carinho. Ela correspondeu com intensidade, sua mão esquerda apertando minha cintura, tão boa beijando e tocando em mim.
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Mine
Romance"É porque eu já tive mulheres, digamos assim, isso parece idiota e clichê, mas com nenhuma delas foi como é com você. Estar apaixonada, pra mim, é novidade. Você diz que é minha, e que gosta de ser. Então, quer ser minha pra sempre? - mas o que? Que...
