Na trave!

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Pov Júlia

Segunda-feira de manhã, argh. Pelo menos era intervalo. Eu apenas estava caminhando pelos corredores do colégio com a minha amiga Bárbara, que me contava o chute, ou melhor, o TKO que ela deu no namorado.

- Eu também fiz questão de passar na cara dele que te beijei, claro, omitindo que foi só um selinho. – selinho esse que viraria um beijo se o próprio não interrompesse, então ok. – E dei a entender que aconteceria de novo.

- Mas não vai acontecer de novo, vai?

- Eu quis que ele fosse dormir pensando nisso. – não respondeu à minha pergunta, Babi. – Agora só quero que ele se foda, e nunca mais ouvir falar dele.

- Nunca mais falarei dele. Já foi tarde. – sussurrei a última parte pra que ela não escutasse, e ruborizei quando a ouvi dar um risinho, indicando que eu falhei, e que ouviu.

- Ah, tem a última parte. Eu o xinguei da janela, aí ele me deu dedo, eu mandei ele enfiar na bunda e depois mandei-o pro inferno.

- Pera, da janela?

- É. Parecia que eu estava experimentando a liberdade, sabe?

- Não mesmo. – falei, rindo. – Mas pera, seus pais não estavam em casa? – ela assentiu. – E não falaram nada?

- Meu pai nunca simpatizou com a ideia de um marmanjo me tocando, a princesinha dele, e tal. – tive rápidas lembranças do meu pai, mas não deixei isso me dominar, senão ficaria com saudades demais. – E a minha mãe não gostava do viado lá, de qualquer jeito. Eles ouviram praticamente tudo, inclusive a parte em que eu falei que te beijei. – arregalei os olhos, porra, não precisava, como eu vou entrar na casa dela agora? – A minha mãe até foi lá perguntar se era verdade, mas eu dei a volta nela, falei que não foi de língua. – preocupadíssima com o que a mãe dela, uma pessoa tão legal, estava pensando de mim agora. – Meu pai me olhou bastante estranho depois, mas não disse nada. Não sei o que a minha mãe falou pra ele, mas funcionou, eu deveria estar de castigo e não estou. – fiquei na dúvida se seria castigo por o nosso selinho ter acontecido ou castigo pela cena feita com o Jeferson. Mas não perguntei.

- Bom, eu não conheço o seu pai, então não sei.

- Se ele soubesse que foi você, então. – já o imaginei me encarando com aquele olhar julgador. – O que fez ontem? – ahn, eu só recebi o Erick e a Marina em minha casa pra jogar videogame e ver uns filmes, rs.

- Nada de produtivo, e você?

- Dormi mais da metade do dia. E eu vi sua selfie com o Erick, brigadeiro e pipoca. Parece bem legal pra mim. – ela me olhou, recordei-me de que ela tinha curtido a minha selfie, inclusive. Eu estava muito lesba fofa (lê-se passiva) na foto, quem não conhecesse (e ela que tem ciúme u-u) poderia dizer que somos um casal, até porque eu coloquei "Meu Princesu [emoticons felizes]" como legenda.

- É, eu o convidei junto com a Mari pra passar a tarde lá em casa, pra ver uns filmes e jogar.

- Me responde um negócio: ele sabe que você é lésbica?

- Não, inclusive eu até dei pra ele ontem. – ela me deu um olhar quase assassino – Mentira Babi, calma. É claro que ele sabe, relaxa. E isso só nos aproximou mais.

- Que tipo de cara prefere passar a tarde com duas lésbicas ao invés de fazer qualquer outra coisa?

- O tipo que é maneiro, não é homofóbico, e sabe que vai chover mina na horta dele só por causa da gente, ele não é burro. E é muito gato, pode ser útil em situações diversas na balada.

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