Capítulo 79

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olá, vamos à nossa leitura <3

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No dia seguinte pegamos o voo de volta, e Alex teve uma crise de riso lembrando de Sandra e seu voo para Lukla. Os dias restantes de nossas férias foram aproveitados com todo romantismo e sensualidade que faltou na ilha. Fizemos o famoso passeio noturno de catamarã pela Veneza brasileira, e no último dia de descanso preparei a casa para um belo jantar a luz de velas. Alex chegou do salão de beleza e se surpreendeu com o ambiente que a esperava. E foi uma noite daquelas...

Voltamos ao trabalho e as coisas estavam muito bem encaminhadas. Consegui, depois de muito papo, convencer Arthur da contratação de Vando e ele estava mostrando-se cada vez mais interessado e trabalhador. Alex marcou a reunião com os portugueses em um restaurante famoso da cidade e seria um almoço onde importantes decisões poderiam ser tomadas.

- Alex, os caras são aqueles ali? – apontei discretamente. Já estávamos na mesa.

- Ah, sim. – acenou discretamente para eles, que nos viram e se encaminharam – Os dois mais velhos são irmãos, Manoel e João Trindade, e o rapaz, Sérgio, é filho do Manoel, o mais alto.

- Ta. E qual deles é que bate o martelo?

- Manoel Trindade.

- Hum...

Os homens vieram e sentaram-se a mesa conosco. Eram pessoas muito agradáveis e educadas. Conversamos sobre amenidades, pedimos a refeição e durante ela o assunto principal foi saindo. Sérgio era arquiteto e foi explicando sobre o projeto. Eles queriam construir hotéis estrelados de frente para o mar e haviam previsto o atendimento aos requisitos ambientais brasileiros, cada vez mais impostos pelos governos e órgãos de fiscalização, mas, devido à experiências ruins com construtoras famosas preferiam apostar em nós; até porque sabiam que sairia mais barato também. Pretendiam iniciar os trabalhos no final de maio quando receberiam as licenças ambientais, o que para nós seria ótimo pois nos daria tempo de estruturar as coisas após pedir demissão da firma.

Manoel e João eram homens baixos, gordinhos, olhos verdes e rostos rosados. Lembravam a imagem clássica do papai Noel, ainda mais com aquelas bem tratadas barbas brancas. João e Sérgio falavam muito, Manoel só ouvia e sorria. Sérgio era alto, atlético, louro dos olhos verdes e muito bonito. Ele se parecia com Alex, inclusive por sua classe e educação expressa no português muito bem falado, e não demorei a perceber que se ela fosse homem seria daquele jeito. Se tudo desse certo, sabia que os dois iam trabalhar muito juntos, enquanto que eu ficaria com a parte mais engenharia da coisa. Notei que desde o começo ele havia se encantado por minha lourinha e flertava com ela, que fingia não perceber. Isso me incomodou e encheu de ciúmes, mas ao longo dos anos houveram outras pessoas interessadas e Alex até então não havia me dado razões para desconfiar dela.

De repente, um comentário de João me despertou de meus pensamentos:

- Vejo que estamos a nos entender. Acho que sairemos daqui com um acordo.

- É o que parece. – respondi – Mas ainda não entendi onde serão construídos estes hotéis, porque aqui em Recife não vejo espaço pra levantar uma estrutura com esse porte. A cidade já é bem desenvolvida e a beira mar me parece muito bem ocupada.

Eles se entreolharam e foi a vez de Manoel falar:

- Eu analisei as cidades nordestinas do litoral e percebi que havia uma dona de um imenso potencial turístico e hoteleiro. E lá, há espaço aos borbotões. – sorriu

- Sim. Existe uma via inteira esperando para ser ocupada por hotéis como os que queremos construir. E não podemos perder tempo, porque já há três grupos investindo na mesma região. Todos estão atentos. – Sérgio completou a fala do pai.

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