O voo foi tranquilo e a conexão idem. O nevoeiro era intenso e não pude ver Paris. Trocamos de roupa ainda dentro do avião, antes do pouso, e fazia um frio danado: 1ºC!
— No horário deles são 11:00h, não é isso?
— Sim, e no de Londres são dez.
— Afinal, chegando lá, pra onde vamos?
— Vovó nos espera no aeroporto e iremos de carro direto até a fazenda.
— Nossa! E quem vai dirigir?
— Ela!
— Velhinha danada! Mas, escuta, e seus tios avós sabem que eu irei?
— Ela já deve ter dito a eles.
— E seus pais?
— Estarão lá com toda certeza.
"Oh, my!!!!"(N/A: Agora é a Sam que fala assim kk)
Chegamos em Heathrow sem qualquer atraso. Eram 13:10h da tarde. Pegamos as malas e saímos, e não demorou muito para que um rosto conhecido despontasse no meio dos outros. Logo reconheci das fotografias: vó Dorte. Ela era da altura da neta, tinha cabelos grisalhos, curtos, um rosto redondo, pele bem branquinha e lindos olhos verdes. Tinha um corpo roliço, compacto, mas não era gorda. Suas mãos eram pequenas e delicadas. Usava óculos de lentes redondas, como aqueles que os hippies gostam, e se vestia como estas vovós de filme, faltando apenas o xale. Parecia ter uns 75 anos.
Alex correu de encontro a ela e as duas se perderam em um abraço apertado. Parei perto de ambas e fiquei calada olhando. Alex sorriu para ela, beijando-lhe o rosto, e disse alegremente, em inglês:
— Vovó, esta é Samantha, da qual falo desde muito!
— Sabia desde o início; ela é exatamente como você descreveu.- e abrindo-me os braços — Venha aqui!
Nós nos abraçamos e simpatizei com aquela senhora logo de estalo. Não imaginava que os ingleses fossem tão simpáticos, ou então era uma característica particular dela, assim como de Alex.
— É um prazer conhecê-la senhora. Não repare no meu inglês, pois não é fluente como gostaria.
— Seu inglês é muito bom, não se envergonhe. E pode me chamar de vó Dorte também. – e dirigindo-se a nós— Faremos uma boa viagem para a fazenda. Querem ir ao banheiro antes,comer alguma coisa...
— Eu preferiria ir direto, e você amor?- olhou para mim.
Balancei a cabeça concordando.
"Calma Alex, vai devagar, não fique me chamando assim de estalo na frente da sua avó!"
— Vamos direto, então.
Fomos até o estacionamento e fazia um frio de cão. Logo achamos o carro e pela primeira vez vi as famosas máquinas de mão invertida. Engraçado! O carro, aliás, era um senhor Ford, que eu nunca tinha visto rodando no Brasil.
Saímos do aeroporto e pegamos uma bela estrada. Alex foi sentada no banco da frente e conversava com a avó o tempo todo. Eu viajava olhando a paisagem e pensando em como poderia estar ali, tão longe do Brasil. Em Londres e arredores imediatos neve não é comum, mas a cidade é fria havendo um nevoeiro intenso no inverno. Não estava chovendo, mas o céu estava absolutamente cinza.
— Sammy, onde você está?
Olhei para Alex e ela sorria para mim.
— Perdoem-me, eu estava apreciando a paisagem.
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TUDO MUDA, TUDO PASSA
عاطفيّةProntos(as) pra conhecer um AMOR que ultrapassou barreiras? Leia até o fim. Sem julgamentos.
