Tomamos um café reforçado, nos arrumamos e fomos correndo para o Cantagalo. Cheguei em cima da hora e, se não fosse a prática de ensinar matemática há tanto tempo, não saberia o que fazer. Almoçamos na minha casa e vovó ficou surpresa ao ver Alex lá. Fui para a capoeira e Alex ficou na minha torcida me vendo jogar. Eu adorava quando ela me via. Ao final, Caio me disse decepcionado que estava noivo. Iria se casar em agosto. A moça estava grávida.
— Você é que deu sorte Sam. Mulher com mulher não pode dar barriga grande!
— Ainda há tempo Caio. Tem muito homem solitário por aí...
Riu e mostrou o dedo médio.
— Palhaça! – olhou para Alex que conversava com mestre Tião — E olha, gata de alto nível essa sua. Dá até pra sonhar com as duas juntas e eu...
— Corta a frase no meio Caio! – levantei o dedo — Essa é só minha e eu defendo até a morte.
— Brincadeira! – levantou as mãos — Ainda mais agora que eu vou ser um respeitável pai de família. – pôs as mãos na cintura e riu — Tô fudido! A garota armou e eu caí bonitinho. Sempre foi no esquema seguro: chupa o pau e dá o cú. Aí ofereceu de dar a xota, tomava remédio e tal e daí não deu outra. Eu acreditei, ela engravidou, o irmão é bicho brabo aqui do morro, agora vou ter que casar.
— Que discurso escroto esse seu! – dei um tapa em sua cabeça — Você é experiente e podia ter usado camisinha como a gente sempre usou, aliás, porque eu é que exigia isso. Agora, não se cuida, quer tirar onda de esperto e depois se faz de vítima? Deixa de ser otário que ela não fez filho sozinha. Além do mais é uma garota de quatorze anos e você deveria se envergonhar de se aproveitar de alguém dessa idade!
— Qual é Sam! Deixa de ser tão feminista. Ela nem era mais virgem. E topava um anal como muita mulher madura não topa! Você não fazia!
— E daí? Isso te faz algum donzelo por acaso? Fosse como fosse ela tem quatorze e você só queria transar; e sem se cuidar. Agora aguenta, porque filho é outro papo e a criança não tem culpa. E vê se não chifra a garota. Até porque com a família que ela tem, um chifre pode te custar muito caro... – ri
Voltamos para minha casa e tomei banho. Ao sair, Alex e vovó conversavam na sala. Ambas estavam na poltrona. Peguei uma das cadeiras e coloquei-a de frente para elas, mas um pouco distante.
— Vó, desculpa interromper a conversa, mas Alex sabe que eu tenho uma coisa pra contar a senhora. Queria que me ouvisse primeiro e depois dissesse o que bem entender.– passei a mão nos cabelos — A senhora sabe que Alex e eu nos conhecemos há dois anos. Eu dava aula pra ela, a senhora sabe... Aconteceu que a gente foi se aproximando, fazendo amizade e... Eu lutei muito comigo mesma, e ela consigo própria... É que... a gente... – sentei na cadeira e esfreguei as mãos... — A gente se apaixonou e decidiu viver isso, desde aquela época! Hoje em dia a gente tem um...relacionamento sério e ela é... – respirei fundo — minha mulher e eu dela, pronto! Sexta mesmo a gente se assumiu publicamente na faculdade e agora eu acho que meio mundo lá no Fundão deve estar sabendo!
Sua expressão era calma e nada me dizia. Levantou-se da poltrona e andou até a janela.
— Muito decepcionada? – arrisquei
— Eu já sabia disso! Só esperava que me contasse.
Alex e eu ficamos abestalhadas.
— Como é???? Sabia?
— Desde que você começou a dar aula pra ela. Você chegava em casa diferente. Às vezes vinha radiante, outras vezes desencantada. E quando você falou aquela conversa da amiga que se apaixonou por outra eu sabia que era de você que falava. E eu disse aquelas coisas pra te desestimular.
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TUDO MUDA, TUDO PASSA
RomansProntos(as) pra conhecer um AMOR que ultrapassou barreiras? Leia até o fim. Sem julgamentos.
