Olá queridos(as), mais um capitulo. É isso aí, obrigada por aparecerem por aqui <3
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"Foi assim
como ver o mar,
a primeira vez,
que meus olhos,
caíram no teu olhar... "
Rio de Janeiro, março de 1993, verão, sol e calor.
Estava com pressa. Vestia uma blusinha e um short jeans, calçava as sandálias correndo. Mochila nas costas desci as escadarias do morro com empolgação. Começava para mim o chamado ciclo profissional do curso de engenharia civil.
Meu nome é Samantha D'Ávila do Amaral, nesta época estudava na UFRJ, tinha 22 anos e aparentemente ser filha única; mas nunca tive certeza disso. Morava no Morro do Cantagalo, Copacabana, junto com minha avó Eleonora; sem dúvida a pessoa mais enigmática que já conheci.
Tinha poucos amigos no morro, a maioria dos jovens me antipatizava. Já na faculdade era popular, tinha muitos colegas, namorava e fazia parte de um quarteto, integrado por Aline, Soninha e Taís, intitulado de "As Feiticeiras". Era boa aluna e nunca reprovei uma matéria sequer. Trabalhava na Universidade desde o segundo período. Comecei como monitora, além de dar aulas particulares de diversas matérias. Em 93 começava como bolsista de iniciação científica do CNPq, o que significava que trabalharia vinculada a um laboratório e seria pago pela minha produção em ciência e tecnologia, o que não me impedia, porém, de continuar com as aulinhas particulares.
Minha avó era diarista e trabalhava em duas casas em Copacabana. Isso mantinha a semana dela cheia de segunda a sexta. Considerava a vida dura, era órfã e pobre, mas me sentia motivada pela esperança de um futuro melhor quando me formasse e arrumasse um emprego.
— Então Sam, você ainda tá disponível pra aulas particulares? – Perguntou Taís apoiando o queixo nas mãos
— Por que Taís? Algum problema? Sabe que pra vocês eu tô sempre disponível. – Respondi.
— O que??? Taís querendo estudar?? Realmente 93 será um ano de grandes transformações! – comentou Soninha de brincadeira.
— Não é pra mim não gente, eu hein! O período acabou de começar e eu sou do tipo que deixa o cerco se fechar pra começar a se desesperar; vocês sabem! Na verdade seria pra uma filha de uma das piruas que minha mãe conhece.
— E quem é essa "filha de pirua"? – perguntei
— Uma patricinha caloura que acaba de entrar na engenharia. Parece que já tá tremendo por causa de cálculo 1; esse tipo de gente que sofre por antecedência! Aí a pirua mãe dela comentou com a minha mãe e EU – apontou para si mesma — fiquei com a incumbência de resolver o problema da pobrezinha... – disse com ironia colocando a mão no peito e revirando os olhos.
— E aí você pensou em mim?
— Claro! Você pode tirar uma boa grana da paty. Ainda mais que eles são ingleses e acham o nosso dinheiro irrisório...
— Eles são ingleses? Estão no Brasil há muito tempo? – perguntou Aline
— Chegaram no ano passado.
— E como essa garota conseguiu entrar na nossa faculdade? Ela sabe falar nossa língua então? – disse Soninha
— Bem, na verdade só o bolha do pai dela é inglês. A pirua mãe é brasileira, filha de um embaixador da velha guarda que mexeu os pauzinhos pra netinha ter dupla cidadania. A paty estudou português desde criança lá em Londres, ao que parece, e no ano passado fez um verdadeiro misto de terceiro ano com pré-vestibular; um cursinho em casa com professor particular. Tudo pra não se atrasar em um ano sequer!
— Pelo modo como você fala da família dela parece que é de gente maneira pra caramba! – comentei ironicamente
— Ai, Sam , eu não suporto aquela gente! Eles são um saco! Gente, aqui, fofoca – reclinou-se em nossa direção e começou a falar mais baixo – Eles moram em uma cobertura triplex na Vieira Souto que é TUDO. – seguiu com seus gestos peculiares - Fui lá em uma recepção que a piruá promoveu por conta de ter vindo pro Brasil. O coroa se chama Robert Flatcher e parece um robô: todos os gestos são estudados! Ele é o típico inglês louro dos olhos azuis, bigodão e cachimbo no canto da boca. Fala um português incompreensível
— É bonito? – perguntou Aline
— Nada! Tem aquela cara sem graça de pai da gente, sabe como é? Deve ter uns 44 anos.
"Eu nem sei como é a cara do meu pai!" - pensei
— E a tal pirua, como é? – perguntou Soninha,.
— Ah, essa aí deve ter uns 40 anos, mas se você perguntar é capaz de dizer que tem 20! É uma loura falsa de cabelo curto todo arrumadinho e parece uma bichona falando. Ela é consultora de moda, trabalha aí com essas agências de modelo e vive badalando. Está carne e unha com uma amiga da minha mãe.
— Mas e a filha? Como eu faço pra achar essa garota aí? Faz tempo que eu não dou aula de cálculo 1 e tinha que conversar com ela.
— Calma Sam! A piruinha tem os seus horários de aulas porque eu passei pra ela. Fiz tua propaganda e afinal minha mãe te conhece; encheu tua bola com a piruona. Ela vai te procurar. – bateu no meu braço — Ah, boba, cobra bem. O pai dela veio pro Brasil com um alto cargo na área de siderurgia. Ele é uma espécie de presidente de um grupo europeu de siderurgia que agora tem participação nas Américas; ganha uma baba.
Tive que rir com a conversa de Taís.
— Deixa que isso eu resolvo com a garota. Mas afinal, qual é o nome dela? Como ela é?
— É uma lourinha, legítima, branca igual uma vela e baixotinha. Seu nome é Alexandra. Não passei mais do que três segundos com ela. Não apareceu muito na festa da mãe. Também eu entendo; aquilo é uma burguesia tão esnobe... Vocês têm que ver o bando de mulher seca que apareceu por lá. São as modelos! E outros tão metidos, tão bestas que você passa mal no meio deles...
Taís continuou falando e pensei em como ela era engraçada e diferente. Dentre nós quatro a mais rica, mas muito simples e totalmente desinteressada das futilidades que tanto impressionavam seus pais. Era meio doida e bem longe de ser uma patricinha. Entre nós, era conhecida como "A Doidona". Vestia-se mais à vontade, como se fosse na praia todos os dias, e era muito interessada em questões sociais; como aluna era malandrinha e estava penando. Era alta, apenas um pouquíssimo mais baixa que eu, magra, morena, olhos negros, cabelos negros e encaracolados. Morava no Leblon em um belo e grande apartamento. Seu pai era dono de várias lojas espalhadas pelos shoppings da cidade. Sua mãe era uma socialite que vivia festas da moda e nas colunas sociais, tirando fotos em eventos chiques aqui e ali. Estive com eles duas ou três vezes na vida.
— Tá bom! Ela vai me procurar então. – levantei-me — A conversa tá boa, mas a hora de almoço já era e eu tenho aula agora. Tchauzinho meninas!
— Tchau – elas responderam
Às cinco da tarde saí do laboratório pensando que a tal inglesa não veio me procurar. Andei em direção ao ponto de ônibus e de repente ouvi alguém me chamar timidamente:
— Samantha?
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— Oi?? :) Continua ou para?
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TUDO MUDA, TUDO PASSA
RomanceProntos(as) pra conhecer um AMOR que ultrapassou barreiras? Leia até o fim. Sem julgamentos.
