Julia narrando
Viajamos de volta para o RJ às 23h do dia 4, ou seja, passei a virada do meu aniversário na estrada. Mas foi bom, meu pai parou o carro para que todos pudessem me abraçar. Ficou meio apertado pra viajar todo mundo junto, mas deu tudo certo. Ao chegar em casa, me joguei na cama e dormi como um bebê.
Acordei mais ou menos às 10h, me levantei animada e fui tomar um banho. Lavei os cabelos e logo desci pro café da manhã. Clara, a moça que trabalha aqui em casa há anos, me deu um abraço apertado e muitos beijos.
— Eu não acredito que no próximo ano você já faz dezoito. – Falou com os olhos lacrimejando.
— Ainda falta muito tempo.
— Eu já troquei suas fraldas, sabia?
— Você diz isso em todos os meus aniversários. – Ri.
— De qualquer forma, é emocionante. – Fungou. – Fiz sua torta favorita pro café da manhã.
— Mentira, sério? – Olhei para a mesa e senti minha boca salivar ao ver aquela torta de abacaxi caramelizado. – Obrigada, Clara, eu te amo muito.
Comi uns três pedaços grandes daquela torta, tava uma delícia. Depois ajudei ela a tirar a mesa e vi que a casa tava bem movimentada. Pessoas passavam pra lá e pra cá arrumando o salão de festas, minha mãe tava a um passo de enlouquecer. Ela tinha um bloco de notas nas mãos e marcava com um ✓ tudo que já estava pronto.
Meu dia foi resumido em: comer, agradecer às mensagens de parabéns e conversar com meus amigos no nosso grupo de WhatsApp. Quando deu umas 20h, comecei a me arrumar. Tomei banho, passei hidratante corporal de baunilha e desodorante, depois vesti um roupão e fui fazer chapinha no cabelo. Ao terminar, fiz uma maquiagem leve, com base, blush, delineador e gloss. Vesti uma blusa de bandana e uma calça midi rasgadinha, calcei uma sandália alta anabela da Dolce & Gabanna, como acessório, apenas coloquei argolas, dei uma voltinha no espelho e fiquei feliz com o resultado. Estava justamente o que eu queria: simples. Nada de vestido brilhoso, nem maquiagem extravagante. Alguém bateu na porta e eu falei pra entrar.
— Meu Deus, você está tão linda! – Disse minha mãe, ela tava com um macacão de linho perfeito.
— Gostou? – Falei dando uma voltinha.
— Com certeza, demorou, mas ficou ótimo. Vamos logo, já tem alguns convidados esperando.
— Já vou.
Desci com a minha mãe pro salão de festas e aquela decoração toda amarela e preta me deixou muito feliz. Estava tudo tão lindo, não conseguia encontrar palavras para agradecer. Meu pai, que passou o dia todo fora, me abraçou fortemente ao me ver. Fui cumprimentar e abraçar os convidados que já haviam chegado; alguns colegas de sala, a Camila e sua família, colegas do meu pai e seus filhos e a dona Clara também trouxe suas crianças.
A única parte ruim era ter que ficar andando pra lá e pra cá dando atenção pra todo mundo. Minha mãe sempre extrapolava ao convidar as pessoas e eu não podia passar muito tempo sozinha com os meus amigos. Quando vi meus tios e minha avó passarem pela porta, fiquei super animada. Fui correndo abraça-los, eles entregaram meus presentes a uma moça que estava trabalhando lá, ela os guardou.
— Feliz aniversário! Não acredito que você já tem dezessete anos, sinto como se fosse ontem quando eu te vi pela primeira vez toda enrolada naquele pano, escondidinha no berço da maternidade. – Minha avó falou emocionada.
— Ela vai chorar. – Meu pai zoou.
— Não vou chorar. – Bufou e me puxou para um abraço.
— Parabéns! – Meus tios disseram juntos e eu ri, abraçando os dois de uma vez.
— Olha, você falou tanto desse aniversário que eu decidi vir só por pena. – Thiago me zoou e eu bati nele. – Parabéns, priminha! – Ele disse após algumas risadas e me deu um abraço apertado.
— Obrigada por vir, Gustavo. – Falei ironicamente, já que ele tinha uma cara de deboche quando fui cumprimentá-lo.
— Eu só tô aqui porque você foi no meu aniversário também, então senti que tinha a obrigação.
— Não precisava se incomodar, eu não faço questão da sua presença. – Revirei os olhos, recebemos olhares feios dos nossos pais, depois demos risada e eu o abracei.
— Você tá com cheiro de baunilha.
— Mergulhei no bolo antes de vir cumprimentar vocês.
— Vou até ficar com nojo de comer. – Fez cara feia e eu levei eles até uma mesa.
Tulio e Alexandre vieram juntos, mas não como um casal. Eles estavam receosos por ter conhecidos do pai do Alê, mas os meus pais ficaram super bobos quando eu disse que Tulio era o namorado secreto do meu melhor amigo. Minha mãe deu um abraço que quase matou os meninos, depois eles foram se sentar numa mesa sozinhos, mas logo Gustavo e Thiago se juntaram. Valentina veio, Samira também e até o Eduardo, filho do sócio português do meu pai, veio com a sua família.
Meus amigos com certeza foram os primeiros a "abrir" a pista de dança, eles acabaram se enturmando com alguns colegas da escola e foi ótimo ver todo mundo dançando da forma mais feia possível. Quando vi que não tinha mais ninguém pra chegar, me juntei a eles e só saí quando estava pingando suor. A fotógrafa tirou várias fotos, eu devia estar feia em todas. Umas 21h resolvemos cantar parabéns, partimos o bolo e sobrou bastante, já que minha mãe era exagerada e sempre comprava um maior que o necessário. Após comer, quase todo mundo foi embora, deixando só eu, minha familia e meus amigos. Era tudo que eu queria. Sentei com eles e ficamos conversando e zoando, neguei com a cabeça ao ver o Gustavo, sorrateiramente, colocar alguma bebida com álcool dentro do coquetel.
— Foi mal, gatinha, mas esses coquetéis não são pra mim. – Falou e deu risada.
Nós deixamos só uma bandeja cheia de doces e salgados em cima da mesa e pegamos um baralho pra jogar buraco. Os casais fizeram dupla, fiquei com a Valentina e o Gustavo com a Samira. Ela dava em cima dele na cara dura mas eu não estava incomodada, nem um pouco, jamais, não mesmo, nunca, not really. Não sei o que é pior: ela se esforçando pra pegar um cara que é muito mais velho e claramente não tá interessado, ou eu ficar com ciúmes de uma garota de 14 anos. Não tenho porque me sentir assim, a gente não tem nada, certo? Certo.
Eu mal estava prestando atenção no jogo, estava mordendo o lábio inferior tentando controlar minha raiva. Gustavo passou o braço por trás da cadeira dela e eu suspirei, olhando para as cartas na minha mão. Valentina tava decidindo praticamente tudo pra mim. Eu sei que é infantilidade, mas tava cansada de assistir aquela ceninha, então tirei minha sandália e passei o pé na perna do Gustavo. Ele me olhou, com uma sobrancelha arqueada e eu coloquei a mão na nuca, disfarçando. Empurrei a cadeira mais para a frente passei a alisar sua coxa, ouvindo-o soltar um suspiro. A Samira só continuava falando, falando, falando, e ele assentia, enquanto sentia meu pé se aproximando da sua área sensível. Gustavo engoliu em seco e mordeu o lábio quando passei massageá-lo. Agora sim eu estou me divertindo.
Olhei para as outras pessoas da mesa e todos estavam focados nas cartas, então intensifiquei os movimentos, ele cobriu o rosto com uma das mãos e eu o vi prestes a perder o controle, quando senti seu músculo ficar mais rígido. Gustavo respirou fundo, depois bebeu todo o líquido no seu copo quando chegou ao seu limite.
∆
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Marginal
Teen Fiction[+16] Julia nasceu em berço de ouro. Literalmente. Filha de um cardiologista e uma nutricionista, nunca precisou chorar por não ter algo. Seu pai, ao contrário, passou anos lutando para ter a fortuna que conseguiu construir. Marcelo nasceu na favela...
