Nicolle Carter, Charlotte Backer, Alexandra Cameron e Angel Clark são inseparáveis. Quatro garotas completamente diferentes que, por motivos distintos, acabam se encontrando no mesmo colégio interno e desde então vivem como uma verdadeira irmandade...
Meu nome é Charlotte Backer, tenho 17 anos, e mais uma vez estou de malas feitas para um novo colégio interno. Segundo meu pai, essa é uma "oportunidade de ouro" para eu aprender a me socializar melhor, já que, segundo ele, eu sou tímida demais para a minha idade. Mas, no fundo, e talvez ele nem perceba ou apenas se recuse a admitir, acho que o verdadeiro motivo é que eu o faço lembrar da minha mãe. Minha mãe morreu no dia em que eu nasci. Ela escolheu me dar a vida, mesmo sabendo que isso poderia custar a dela. E custou. Desde então, meu pai nunca mais foi o mesmo. Cresci com a sensação constante de que ele me culpa pela morte dela, como se eu fosse a lembrança viva do que ele perdeu. Ele me criou, me deu tudo materialmente, roupas, uma casa confortável, viagens, tecnologia, o que eu quisesse. Tudo... menos o que eu mais precisava: amor. Atenção. Um "bom dia" sincero ou um abraço apertado. Na verdade, ele nunca me quis por perto. Sempre manteve uma certa distância, como se olhar pra mim fosse demais. Como se fosse doloroso. E talvez seja mesmo. Mas eu também sinto dor. E não tive escolha nenhuma. Até hoje, já mudei de colégio nove vezes. Nove. Sempre por causa do trabalho dele. Meu pai é dono de uma das maiores empresas de eletrodomésticos dos Estados Unidos, e está constantemente viajando, abrindo filiais, fechando negócios, aparecendo em revistas. Enquanto ele sobe na vida, eu sou arrastada de cidade em cidade como uma mala a mais. E cada vez que começava a me acostumar com um novo lugar, ele vinha com um "precisamos nos mudar". Com essas mudanças constantes, fazer amizades sempre foi quase impossível. As pessoas me achavam estranha, calada demais, ou simplesmente não queriam se aproximar de alguém que estaria de partida a qualquer momento. Mas teve uma garota... a única que eu pude chamar de amiga de verdade. A gente se conheceu no terceiro colégio que frequentei, e ela foi a primeira pessoa que me fez sentir que eu não era invisível. Ríamos juntas, dividíamos segredos, era bom. Mas depois da quarta mudança, meu pai trocou de número, vendeu nosso carro, e até mudou a senha do Wi-Fi como se quisesse apagar qualquer vestígio do lugar anterior. Nunca mais consegui falar com ela. Desde então, desisti. Comecei a me proteger, a não criar laços. Era mais fácil assim. Melhor não se apegar do que ter que partir de novo. Agora estou a caminho da Cheshire Academy, mais uma escola, mais rostos novos, mais corredores desconhecidos. Não espero muito. Talvez meu pai ache que aqui eu vá, finalmente, "sair da minha bolha". Mas ele não entende que a minha bolha não é algo que eu escolhi, ela é o reflexo do vazio que ele mesmo me deixou. Mas quem sabe... talvez esse lugar seja diferente. Talvez, pela primeira vez, alguém me veja. Não como a filha do empresário, nem como a menina estranha e calada. Mas como Charlotte. Só Charlotte.
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