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Nicolle

Acordei com o som das cortinas abrindo sozinhas, uma das invenções do meu pai que, honestamente, me irritava um pouco de manhã. O quarto foi tomado por uma luz dourada, e eu virei pro lado, vendo Alexandra ainda dormindo, toda encolhida no travesseiro.
A menina parecia um anjo, sério. Dormia tão quietinha que dava vontade de jogar um travesseiro só pra ver se ela fazia barulho.
Alex... — murmurei, balançando de leve o ombro dela. — Acorda, princesa, já tá de dia.
Ela abriu os olhos devagar, piscando umas três vezes antes de me olhar.
Bom dia, Nick... — a voz dela era sempre doce, até demais pra essa hora. — Dormi tão bem aqui...
— É, o colchão ajuda. — respondi, rindo. — Anda logo antes que a minha mãe ache que a gente fugiu do país.
Alex se sentou e ajeitou o pijama de cetim lilás que mamãe tinha praticamente obrigado ela a usar.
Eu adoro a tia Nathalie e o tio Anthony... Eles são tão gentis comigo.
Gentis é pouco. — retruquei. — Eles te tratam melhor do que a mim, inclusive.
Ela riu, e a risada dela era contagiante. Descemos juntas as escadas, e o cheiro de café fresco e panquecas invadiu o ar.
No andar de baixo, a mesa já estava impecável, frutas coloridas, pães, queijos, flores brancas e aquele toque de "casa de revista" que só minha mãe conseguia manter. A Sarah, nossa cozinheira, estava terminando de arrumar os copos.
Bom dia, meninas. — disse ela com o mesmo sorriso simpático de sempre. — A senhora Nathalie pediu pra preparar chocolate quente pra vocês duas.
— Obrigada, Sarah. — respondeu Alex, educada como sempre. — Está tudo tão bonito.
Sarah sorriu, encantada.
Você é mesmo uma gracinha, Alexandra.
— Eu sei. — falei antes que Alex respondesse, rindo quando Sarah balançou a cabeça pra mim.
Mamãe apareceu logo depois, impecável como sempre: vestido leve, coque perfeito, perfume caro.
Bom dia, minhas meninas. Dormiram bem?
Dormimos sim, tia Nathalie. — respondeu Alex, toda doce.
Que bom, querida. — disse mamãe, beijando a testa dela. — O Anthony está lá fora, tomando café no jardim.
Ótimo — murmurei. — Vamos antes que ele comece a reclamar da vida.
Fomos até o jardim, e lá estava meu pai, com o jornal numa mão e o café na outra. Assim que viu Alex, abriu um sorriso.
Ora, se não é a minha menina favorita. — provocou. — Vem cá, Alex, dá um abraço no tio.
Alex riu e foi abraçá-lo.
Bom dia, tio Anthony.
Bom dia, minha pequena. — respondeu ele, apertando-a com carinho. — Pronta pra aproveitar o feriado?
— Muito! — disse ela, animada. — A Nick falou que vamos ao cinema e depois tomar milkshake.
Só se prometerem voltar antes do jantar. — disse ele, levantando uma sobrancelha.
Revirei os olhos. — A gente vai voltar, pai. Relaxa.
Mamãe apareceu logo depois, trazendo uma jarra de suco.
Nicolle, menos implicância, por favor. — disse, pousando a jarra na mesa. — Hoje é feriado, quero paz.
— Sim, senhora. — respondi, dando um gole no chocolate quente.
Tomamos café ali mesmo, com vista pra piscina. Sarah trouxe panquecas com frutas e mel, e o clima era leve, de manhã de sexta-feira perfeita.
Eu adoro quando você dorme aqui, Alexandra. — disse mamãe. — A casa parece mais alegre.
— Eu também adoro estar aqui, tia. — respondeu Alex, com aquele jeitinho doce. — Me sinto em casa.
Mamãe sorriu satisfeita.
Nicolle, aprenda com ela.
Tá bom, mãe, vou tentar ser um anjo também. — brinquei, mordendo uma panqueca.
Papai abaixou o jornal e olhou pra mim.
Você podia aprender um pouco da paciência dela.
Pai, se eu fosse tão calma quanto a Alex, ninguém nessa casa sobreviveria à minha mãe. — retruquei, fazendo ele rir. — Mas papai, você não tem nada que reclamar. Eu sou muito inteligente , tenho as melhores notas da colégio, depois da Alex claro.
— Você tem razão, meu amor, você é muito inteligente, determinada e teimosa igual à sua mãe. — respondeu meu pai, rindo.
Mamãe arqueou uma sobrancelha. — Teimosa? Anthony, cuidado com o que diz.
— Ué, não é verdade? — ele provocou, dando um gole no café. — Vocês duas têm a língua afiada, mas são as mulheres mais incríveis da minha vida.
— E eu? — perguntou Alex, meiga como sempre.
Papai sorriu. — Você é a calmaria no meio do furacão das duas.
Eu revirei os olhos, mas não consegui segurar o riso. — A calmaria que salva esse lar do colapso.
Viu? — disse mamãe, sorrindo para Alex. — É por isso que gosto tanto quando você dorme aqui.
Alex abaixou a cabeça, corando. — Vocês são tão gentis comigo, tia...
— A gente é realista, querida. — falei antes que ela começasse a agradecer mil vezes. — Sem você, essa casa virava um ringue.
Meu pai riu alto, dobrando o jornal. — Bom, se vocês duas terminarem de discutir quem é a mais importante da casa, talvez possam aproveitar o feriado.
— Já estamos indo, papai. — falei, levantando-me da mesa. — A Alex ainda precisa escolher a roupa perfeita pra arrasar no cinema.
Eu? — perguntou Alex, surpresa. — Mas é só um passeio...
— Só um passeio, mas vai estar o Daren. — falei, arqueando uma sobrancelha com um sorriso malicioso.
Alex ficou vermelha na hora. — Nicolle!
O quê? Só tô dizendo a verdade, anjinho. — ri, pegando uma fruta da mesa. — Agora anda, porque se eu deixar, você vai escolher o pijama pra sair.
Mamãe balançou a cabeça, rindo. — Nicolle, pega leve com ela.
— Sempre, mãe. — respondi, dando um beijo rápido na bochecha dela. — A gente vai se arrumar, depois te aviso a hora que formos sair.
Alex se despediu com um abraço da mamãe é do papai, como sempre fazia, e nós subimos as escadas rindo, já discutindo sobre o filme que íamos ver e qual milk-shake pedir depois. Eu e Alexandra subimos para o meu quarto, e assim que entramos ela foi direto para o banheiro.
Alguns minutos depois, Alex saiu do banheiro com o rosto corado e o cabelo ainda úmido, usando o roupão branco de seda que minha mãe sempre deixava separado para ela, para quando ela vier. Ela parecia uma boneca, toda delicada, e ainda assim completamente perdida sobre o que vestir.
Nick... — ela chamou, com aquele tom baixinho e doce. — Eu não sei o que usar...
— É pra isso que você tem a mim. — falei, abrindo a porta do meu closet. Entrei lá e comecei a analisar as opções, separando peças em cabides. — Vamos ver... esse aqui é muito chamativo, esse outro é muito sério... Ah! Achei.
Peguei um vestido azul claro, curto e com alcinhas finas, que realçava o tom da pele dela perfeitamente e combinava com os olhos dela. O tecido tinha um leve brilho e caía suave, delicado, quase etéreo. Voltei com ele nas mãos e sorri.
Pronto, esse aqui é perfeito pra você. — declarei, levantando o cabide como se fosse um troféu.
Alex olhou o vestido e arregalou os olhos. — Ele é tão lindo, Nick... mas não é demais?
— Pra você? Nunca. — retruquei, já tirando o roupão dela dos ombros com cuidado. — Confia em mim, vai ficar incrível.
Ela vestiu o vestido com cuidado, e eu ajeitei as alcinhas, alisando o tecido nas laterais para deixá-lo perfeito. Em seguida, escolhi um par de sandálias nude com tiras finas e fecho dourado.
Essas aqui vão alongar suas pernas e deixar o look ainda mais delicado. — expliquei, enquanto ela se sentava na beira da cama para calçá-las.
Quando ela levantou, dei um passo para trás, observando o resultado. — Uau, Alex... você tá simplesmente linda.
Ela ficou corada e sorriu, envergonhada. — Obrigada, Nick... você sempre sabe o que fazer.
Claro que sei, é um dom. — brinquei, pegando a escova. — Agora senta aqui, vou cuidar do seu cabelo.
Ela se sentou diante da penteadeira, e eu comecei a escovar os fios loiros dela com cuidado, separando as mechas e secando-as aos poucos com o secador. O cabelo foi ganhando brilho e movimento, e no final eu enrolei as pontas com o modelador, deixando ondas leves e românticas.
Pronto. Cabelo de princesa. — anunciei, soltando a última mecha. — Agora falta só uma make leve, nada de exageros.
Alex me olhou pelo espelho, um pouco nervosa. — Você promete que não vai exagerar?
— Eu juro. — ri. — Só o básico pra realçar o que você já tem de bonito.
Passei um corretivo leve, um toque de blush rosado e um gloss com brilho sutil. Finalizei com um rímel que deixou os cílios dela enormes. Quando terminei, Alex piscou para o espelho e deu um sorrisinho tímido. — Nossa... eu quase não me reconheço.
— Pois devia se acostumar, porque é assim que todo mundo devia te ver. — falei, sorrindo satisfeita. — Agora vai, princesa. É o seu dia de brilhar.
Ela riu baixinho e me abraçou, cheirando levemente a perfume de flores e sabonete.
Obrigada, Nick. De verdade.
— Não precisa agradecer, Alex. — respondi, revirando os olhos com um sorriso. — Eu só deixei o mundo ver o que eu já sabia: que você é linda.
— Você tá um encanto, Alex. — falei.
Nick... você exagera. — respondeu ela, corando.
Descemos e encontramos o motorista já à espera.
Senhoritas, o carro está pronto. — disse ele.
No shopping, Jason e Daren já esperavam pela gente. Jason, de jaqueta preta, mexia no celular; Daren estava encostado em uma pilastra, todo arrumado, o cabelo perfeitamente bagunçado.
Finalmente. — Jason disse. — Achei que iam se atrasar.
— A princesa aqui demorou vinte minutos pra escolher o batom. — menti.
Alex fez uma careta. — Que mentira , Nicolle!
Compramos pipoca e fomos assistir a uma comédia romântica. Jason não parava de cochichar piadas no meu ouvido, e Alex ria baixinho das cenas mais bobas, com Daren completamente vidrado nela.
Quando saímos, fomos direto à lanchonete.
Quero milk-shake de morango. — disse.
De cookies, por favor. — disse Alex, feliz. — É o meu preferido— falou sorrindo
— Eu quero o mesmo que ela. — disse Daren, sorrindo.
Sentamos juntos, e o papo fluiu naturalmente. Falamos sobre o colégio, viagens, música e até sobre o jogo da semana passada.
Gente, terminem logo para a gente ir para o cinema assistir um filminho— falei olhando para os meus amigos — E depois a gente almoça aqui e fazemos umas comprinhas.
— Tá , vamos então.— falou meu namorando se levantando primeiro

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