Alexandra
Cinco meses se passaram ...
Estamos no final do período, época de provas finais, e eu não consigo esconder a felicidade que sinto. Finalmente verei minha mãe. Mesmo que nunca tenha recebido amor dela, eu a amo. Amo meu quarto, minha casa, mas também amo minhas amigas. É uma mistura de sentimentos que me aquece o peito. Hoje temos prova de matemática. Eu e as meninas estudamos para valer e, de vez em quando, ajudava o Michael com algumas dificuldades dele. Ele sempre insiste em aprender, mesmo que às vezes eu precise explicar pela quinta vez, mas vale a pena.
Ele falou outro dia que eu não deveria julgá-lo pelas suas amizades, que eu deveria dar uma chance a ele. E eu dei, sem hesitar, e não me arrependo. Agora somos inseparáveis, uma parceria silenciosa que parece ter sido feita para durar. Sentamos em nossos devidos lugares esperando o professor nos entregar a prova. Eu estava no centro, Nicolle ao meu lado esquerdo, Charlotte ao meu lado direito, Angel à minha frente e Michael atrás, como se estivéssemos estrategicamente posicionados em um tabuleiro.
O professor entrou, distribuiu as provas e disse que quem terminasse poderia sair. Tínhamos uma hora e trinta minutos, mas eu terminei em uma hora. Depois fiquei revisando. Gosto de revisar mesmo quando já sei que acertei tudo e não queria ser o centro das atenções, então planejei sair por último. O sinal tocou, o professor recolheu as provas e eu saí calmamente da sala, passos leves, respirando fundo, em direção às minhas amigas.
— Alex? — Angel perguntou curiosa. — Você é a mais inteligente de nós quatro. Por que demorou tanto a sair?
— Ué — respondi rápido demais. — Fiquei revisando a prova e também porque detestoserocentrodasatenções.
— O quê? — perguntaram as três em uníssono, em choque.
— Porque não gosto que todos olhem para mim — expliquei calmamente. — Se eu saísse antes, todos estariam me observando e eu não gosto disso.
Elas deram de ombros e seguimos para o refeitório. Sentamos, comemos e ainda aproveitamos para revisar algumas coisas para a prova de Computação Gráfica, minha matéria favorita, e de muitas de nós também. Adoro porque posso explorar minha criatividade, imaginar mundos, criar imagens, transformar ideias em algo visual, é como desenhar pensamentos. Estudamos tanto que até Charlotte reclamou, dizendo que estávamos exagerando e que estudar demais não é saudável. Concordei só com a cabeça, mas a vontade de absorver cada detalhe da matéria era maior que o cansaço.
Às três da tarde fomos para a sala de computação e fizemos a prova. Simples demais, o que me fez sorrir por dentro, e percebi que minhas amigas também se saíram bem. Quando acabou, Angel foi para seu quarto, e nós três seguimos para o nosso. Tomamos banho ainda conversando, risadas suaves enchendo o ar do quarto, a luz do sol entrando pela janela criando um brilho morno na parede.
— Aonde você vai passar suas férias, Alex? — Nicolle perguntou, quebrando meu momento de devaneio.
— Ah, eu? Quero passar um tempo em casa com minha mãe e com vocês também — respondi baixa, quase cabisbaixa. No fundo eu sabia que estaria sob o mesmo teto que minha mãe, mas ela provavelmente nem ligaria para a minha presença.
— Também quero passar tempo com minha família — disse Nick. — Vou passar em casa.
— Em casa — Charlotte respondeu. — E depois de passarmos tempo com nossos pais, que tal uma festa do pijama? — sugeriu, empolgada.
— Eu topo, mas aonde? — perguntei curiosa.
— Pode ser na minha casa — disse Nick. — Meus pais não se importam.
— Combinado — Charlotte pegou o celular e avisou a Angel. — Agora vamos para cama. Amanhã temos prova de química e biologia.
— É mesmo — Nicolle murmurou. — Charlotte, me ajuda com aquela última matéria?
— Claro — Charlotte respondeu. — Amanhã te explico, pode ser? — Nick assentiu, e apagamos as luzes, tentando dormir.
De repente, meu celular vibrou. Uma mensagem no WhatsApp. Resolvi abrir.
WhatsApp on
Michael: Alex, dormindo?
Me: Não. Por quê?
Michael: Sei lá. Queria saber se você topa dar uma volta depois das provas. Podemos tomar sorvete, patinar ou ir às compras. Você escolhe.
Me: Acho melhor não. Eu e minhas amigas já temos planos.
Michael: Ah, tá. Boa noite então.
Me: Boa noite
WhatsApp off
Eu adoro o Michael, mas nessas mini-férias quero tirar um tempo para minha mãe e minhas amigas.
[...]
Acordei cedo, tomei banho rápido, vesti meu uniforme e saí do quarto sem fazer barulho. Peguei meu material de química no cacifo e fui para a biblioteca revisar mais um pouco.
— Alex? — ouvi uma voz. Me virei. Michael estava ali, ainda de pijama, bagunçando o cabelo, com os olhos meio sonolentos.
— O que você faz aqui tão cedo e vestido assim? — perguntei, olhando de cima a baixo, sorrindo.
— São sete da manhã — respondeu, revirando os olhos. — Óbvio que eu estaria de pijama.
Sorri de lado e sacudi a cabeça. Aquele garoto sempre me surpreendendo, às vezes irritando, mas sempre impossível de ignorar. Fiquei alguns segundos observando Michael, que parecia ainda meio perdido no mundo dos sonhos, sentado em uma das mesas da biblioteca, cercado por livros espalhados. Suspirei e decidi me aproximar, fechando a distância devagar para não assustá-lo.
— Você não deveria estar na cama? — perguntei, tentando soar séria, mas um sorriso escapou.
— Não consegui dormir — disse ele, mexendo nos livros à frente, como se procurasse algo que nem ele mesmo sabia o que era. — E pensei que revisar um pouco seria melhor do que ficar rolando na cama.
Sorri de novo. Ele sempre achava um jeito de me surpreender, mesmo sem tentar. Sentei-me na mesa à frente dele e abri meu caderno.
— Bom, então vamos estudar juntos — falei, tentando manter a voz neutra. Mas meu coração acelerou levemente. — Quero dizer, se você não se importar com minha companhia.
— Claro que não me importo — respondeu, com aquele sorriso torto que me fazia esquecer do mundo lá fora. — Aliás, acho que você sempre consegue me explicar tudo de um jeito que eu entenda.
Passei os próximos minutos revisando fórmulas e reações químicas com ele, tentando não me distrair com o jeito que ele franzia a testa ou mordia o lábio quando não entendia algo de primeira. Era engraçado e, ao mesmo tempo, fofo.
A cada explicação, percebia que Michael estava realmente se esforçando. Não era apenas presença; ele queria aprender, e isso me fez admirá-lo ainda mais. Eu sabia que ele poderia me irritar às vezes, mas o jeito como ele se importava e se esforçava mostrava que ele tinha algo genuíno por trás daquela fachada relaxada.
Depois de quase uma hora, paramos para respirar. Ele se esticou na cadeira, bocejando, e olhou para mim.
— Obrigado, Alex — disse de forma simples, mas senti a sinceridade em cada palavra. — Você sempre me ajuda, mesmo quando eu sou um caso perdido.
— Você não é um caso perdido — respondi, tentando não demonstrar o quanto aquelas palavras mexeram comigo. — Só precisa se concentrar mais.
Houve um momento de silêncio confortável, onde apenas o som distante de páginas sendo viradas e o tique-taque do relógio preenchiam a biblioteca. Michael olhou para a janela, e eu acompanhei seu olhar. O céu começava a clarear, prometendo um dia bonito, quente, daqueles perfeitos para passar com amigos ou até mesmo para sair para um sorvete — mas hoje eu ainda tinha que me focar nos estudos.
— Depois das provas — ele começou, hesitante, como se estivesse ponderando cada palavra — a gente poderia sair mesmo assim. Sem compromisso, só pra curtir.
Meu coração acelerou levemente, mas respondi com calma:
— Talvez... depois que eu passar um tempo com minha mãe e minhas amigas. Mas não se preocupe, podemos combinar algo depois.
Ele sorriu, aquele sorriso que parecia iluminar a biblioteca inteira. E por um instante, por um único instante, eu quase me esqueci do mundo, dos livros, das fórmulas e das provas. Era só ele, eu, e aquela conexão silenciosa que parecia crescer a cada dia. Logo depois, nos levantamos. Era hora de seguir para a escola, enfrentar a última rodada de provas, e o resto do dia. Mas, enquanto caminhava lado a lado com Michael até a saída da biblioteca, eu sentia que, não importa o que acontecesse, aquelas pequenas manhãs e conversas tinham se tornado algo especial demais para serem esquecidas. Após sairmos da biblioteca, o corredor da escola já estava mais movimentado. Alguns alunos chegavam atrasados, outros conversavam animadamente sobre as provas já feitas. Michael e eu seguimos juntos, cada passo ecoando levemente no chão polido. Apesar de termos acabado de revisar química, ainda sentia aquela pontada de ansiedade que sempre vinha antes de provas importantes.
Entramos na sala de biologia e nos sentamos nos lugares de sempre. Nicolle, Charlotte e Angel já estavam lá, concentradas em suas anotações finais. O professor entrou e, com a prova em mãos, o silêncio se instalou na sala. O coração bateu um pouco mais rápido. Quando o sinal soou para começar, respirei fundo, organizei meu material e comecei a escrever, focando em cada detalhe das questões, lembrando dos esquemas que tínhamos revisado horas antes.
O tempo passou rápido, e antes que percebêssemos, as provas foram entregues e as folhas recolhidas. Saí da sala e encontrei minhas amigas perto do refeitório. Elas estavam animadas, comentando sobre o quanto as questões de biologia tinham sido mais fáceis do que esperavam. Charlotte olhou para mim e perguntou, com um sorriso meio provocativo, por que eu estava sorrindo tanto. Corei antes de responder. Amanhã vou sair com o Michael, falei. Angel levantou a sobrancelha, com uma expressão nada angelical, e perguntou por que eu ia sair com um dos babacas.
—Primeiramente, ele não é nenhum babaca e eu não vou permitir que você fale assim dele, e segundamente, eu vou sair com ele porque ele é legal comigo. —respondi firme. Charlotte ergueu as mãos, tentando acalmar a situação.
—Não precisa ser grossa, só perguntei.
—Você não perguntou, você julgou. —rebati, firme
Nicolle suspirou, olhando entre nós três:
— Meninas, não discutam, por favor. Alex, você precisa ter muito cuidado. Afinal de contas, ele é melhor amigo do idiota do Jason e do Daren.
— Eu prometo que terei todo o cuidado do mundo — respondi, baixando um pouco a voz. — Mas, por favor, não julguem ele. Ele é muito legal, a melhor pessoa que já conheci.
— E a gente é o que, Alexandra? — Nicolle perguntou, um pouco desconfiada.
— Uma das melhores pessoas que já conheci — corrigi, tentando não soar agressiva.
— Sei — disse ela, dando de ombros.
Depois disso, continuamos arrumando nossas coisas, mas o clima tinha ficado mais leve. Charlotte comentou que estava com fome e que hoje teria pizza.
— Vamos, também estou faminta — respondi, animando-me com a ideia.
A gente se levantou e foi para o refeitório. Pegamos alguns pedaços de pizza e suco e nos sentamos no lugar de sempre. Nicolle olhou para a porta e comentou, rindo:
— Olha os idiotas — referindo-se a Michael, Jason e Daren.
— Não fala assim dele, Nick — eu disse, em tom divertido, mas firme.
Michael me viu, falou algo para os amigos e veio até nossa mesa. Cumprimentou-me, agradeceu pela ajuda na prova de hoje e me deu um beijo na bochecha antes de voltar para onde os amigos estavam. Charlotte não perdeu tempo e imitou a voz dele, engraçadamente:
— Com certeza, princesa!
— Charlotte! — repreendi, sorrindo.
Enquanto nos servíamos, olhei para Angel, que estava se aproximando para se sentar conosco. A presença dela, junto com o clima leve da conversa e risadas, fez tudo parecer mais familiar e confortável, mesmo com pequenas provocações e alertas sobre Michael.
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Colégio Interno
Ficção AdolescenteNicolle Carter, Charlotte Backer, Alexandra Cameron e Angel Clark são inseparáveis. Quatro garotas completamente diferentes que, por motivos distintos, acabam se encontrando no mesmo colégio interno e desde então vivem como uma verdadeira irmandade...
