Alexandra
Depois do milkshake, a gente foi direto para o cinema do shopping. Escolhemos um filme dramático, não era bem um romance, mas tinha uma história bonita, e eu acabei me envolvendo mais do que esperava.
Daren ficou sentado ao meu lado, e às vezes eu sentia o olhar dele em mim, atento a cada expressão minha, como sempre fazia. Ele me conhecia tão bem que bastava um pequeno gesto pra entender o que eu estava sentindo.
Durante uma das cenas mais tristes, ele entrelaçou os dedos nos meus, e aquele simples toque me acalmou. Era como se ele soubesse exatamente quando eu precisava de carinho, mesmo sem eu dizer nada. Seguimos até a praça de alimentação, que estava cheia, mas conseguimos uma mesa perto da janela. O cheiro de comida quente só aumentava meu apetite.
— Alex, o que vai querer comer? — perguntou Daren, me olhando com aquele ar protetor que eu conhecia tão bem.
— Deixa eu pensar... — murmurei, olhando para o nada por um instante. — Acho que vou querer uma massa com molho branco. — Sorri suavemente.
Ele franziu a sobrancelha, desconfiado. — Só isso? Você não estava morrendo de fome?
— Você tem razão, mas é a única coisa que me apetece agora. — respondi, ainda sorrindo.
Daren suspirou, mas continuou me observando com cuidado. — Tudo bem... — disse, finalmente relaxando um pouco.
Enquanto isso, Nicolle já decidia o pedido dela.
— Eu quero sushi. — disse animada. — E você, Jason?
— Vou comer a mesma coisa que você, gatinha. — respondeu, piscando para a namorada.
— E você, Dar? — perguntei, olhando para Daren.
— O mesmo que você. — respondeu ele, sorrindo. — Bem, meninas, fiquem aqui que a gente vai fazer nossos pedidos, tá? — se levantou e foi junto com Jason até o balcão
Os pedidos chegaram logo depois. Ficamos ali, conversando, rindo e comentando o filme. Jason contava uma história engraçada sobre o treino de ontem, e Nicolle ria tanto que quase derrubou o copo de suco. Daren, por outro lado, me observava discretamente, certificando-se de que eu realmente comia.
— Tá vendo? Eu cumpri o acordo. — falei, sorrindo pra ele e mostrando o prato quase vazio.
Ele sorriu satisfeito. — Boa menina.
Nicolle fez uma careta divertida. — Gente, olha o jeito que ele fala, parece um pai cuidando da filha.
— E qual o problema? — respondeu Daren, rindo. — Eu gosto de cuidar dela.
— E eu gosto quando você cuida. — confessei, corando levemente, o que fez todo mundo rir.
Depois de comer, ficamos um tempo ali na mesa, rindo e conversando sobre o filme, até que Nicolle se levantou animada.
— Pronto! Agora quero andar um pouco. Vamos ver umas lojas?
— Você nunca resiste a uma vitrine, né? — brincou Jason.
— Claro que não. — respondeu ela, rindo. — E vocês vêm comigo.
O shopping estava movimentado, cheio de luzes e música suave. Nicolle logo encontrou uma loja de roupas elegante e entrou sem pensar duas vezes. Eu fui atrás, e Daren veio comigo, segurando minha mão.
— Amor, você está bem mesmo? — perguntou baixinho. — Não está cansada?
— Estou bem, prometo. — disse, com um sorriso doce. — Mas se eu ficar cansada, te aviso.
Ele assentiu e beijou minha testa antes de me soltar.
Enquanto Nicolle experimentava roupas, eu vi um colar delicado com dois corações dourados. Peguei e observei, achando bonito.
— Que lindo... — murmurei.
— Leva. — disse Nicolle, sem nem olhar pra trás. — Um pra você e um pra Charlotte.— falou pegando um parecido com o meu
— Nick, não precisa... — tentei dizer, mas ela já estava indo pro caixa.
— Presente. E sem reclamação.
Daren riu e me entregou uma sacolinha. — E o meu também é presente.
Quando abri, vi um ursinho creme com um lacinho azul no pescoço.
— Daren... é tão fofo. — falei, abraçando o bichinho.
— Igual a você. — respondeu ele, me olhando com ternura. — Só espero que ele te abrace tão bem quanto eu.
Nicolle bufou, rindo. — Ai gente, vocês são um casal de comercial.
Jason abraçou a cintura dela. — E nós somos os coadjuvantes sortudos.
Rimos todos juntos. Depois disso, ainda passamos em algumas lojas, eu comprei um conjunto de videogames para Daren e dei para ele na hora. Quando o sol começou a se pôr, o motorista da família da Nicolle já esperava do lado de fora. Nos despedimos dos meninos com beijos e abraços, e Daren me olhou com carinho antes de fechar a porta do carro.
— Me avisa quando chegar, tá? E come direitinho no jantar.
— Eu prometo. — respondi, sorrindo. — Te amo, Daren.
— Também te amo, nerd. — disse ele, antes de me dar um último beijo na testa.
Entrei no carro, e Nicolle se recostou no banco, suspirando satisfeita.
— Tá vendo? Eu disse que o feriado ia ser ótimo.
— Foi perfeito. — respondi, abraçando o ursinho contra o peito.
Quando chegamos em casa, o sol já se escondia atrás das colinas, tingindo o céu de tons alaranjados suaves, como uma pintura. Assim que entramos, Sarah, veio nos receber com um sorriso caloroso.
— Senhoritas, bem-vindas de volta. A senhora Nathalie pediu que subam, tomem um banho e descansem um pouco antes do jantar.
— Obrigada, Sarah. — Nicolle tirou os óculos de sol e me entregou as sacolas. — A gente já vai subir.
Subimos para o andar de cima, e assim que a porta do quarto se fechou, Nicolle tirou suas sandálias às pressas, as jogou longe e caiu de costas na cama.
— Estou morta.
Ri baixo, colocando as sacolas ao lado da penteadeira. — Foi um dia cheio, mas divertido.
— Foi ótimo. — ela olhou para o teto. — O Daren não tirava os olhos de você, Alex, o que acho ótimo porque da última vez ele estava olhando muito para Sophie.
Senti o rosto esquentar.
— Nick...
— O quê? — ela riu. — É a verdade. Mas quer saber, ele mudou muito desde que vocês começaram a namorar.— comentou
— Mudou? Como assim?— perguntei olhando para ela confusa
— Não se faça de sonsa, Alex. Ele agora está mais dedicado, parou de ser o bad boy rebelde que odeia tudo e todo, sem contar que ele se tornou uma pessoa muito agradável. — respondeu
— Verdade.— virei.
— Agora anda logo, vai pro banho antes que a mamãe suba aqui pra te chamar.
Obedeci, rindo. O banheiro cheirava a lavanda, e o vapor quente relaxava cada pedacinho do meu corpo. Tomei um banho rápido e coloquei um roupão macio. Quando saí, Nicolle já estava de toalha na cabeça, escolhendo um vestido diante do espelho.
— Pensei em usar aquele branco com decote quadrado. — ela disse. — Simples, mas elegante.
— Vai ficar lindo. — falei, pegando meu vestido verde-claro, leve e perfeito para a ocasião. — Acha que está bom assim?
Nicolle me olhou de cima a baixo e assentiu. — Tá perfeita. Mamãe vai adorar.
Enquanto ela terminava de se arrumar, fiz uma trança lateral no cabelo e passei perfume floral. Quando nos olhamos no espelho, rimos.
— Prontas. — dissemos ao mesmo tempo.
Descemos juntas, e o cheiro delicioso da comida já preenchia a sala. A mesa estava impecável: castiçais dourados, taças de cristal e um arranjo de flores brancas no centro. Nathalie ajustava alguns detalhes, e Anthony conversava com um dos empregados sobre o vinho.
— Aí estão minhas meninas. — disse Nathalie, sorrindo. — Estão radiantes.
— Foi um dia cheio. — respondeu Nicolle, sentando-se. — Mas valeu a pena.
— Imagino. Meu cartão de crédito deve estar chorando nesse exato momento— disse Anthony, olhando pra Nicolle e depois para mim. — E você, Alex, se divertiu?
— Muito, tio. Foi um dia perfeito.
— Que bom ouvir isso. — respondeu ele, satisfeito. — Agora vamos jantar antes que a comida esfrie.
Sarah começou a servir, e o jantar seguiu com risadas e conversas sobre o filme, o shopping e a escola. Nathalie parecia genuinamente feliz em me ver à vontade, e Anthony, como sempre, fazia piadas que nos fizeram rir várias vezes.
Quando a sobremesa chegou, uma torta de frutas vermelhas com sorvete, Nicolle olhou pra mim e sorriu.
— Viu só? Eu disse que o feriado ia ser incrível.
Assenti, segurando o garfo. — Foi mesmo. Acho que nunca vou esquecer este dia.
— Ainda bem, porque amanhã tem mais.
— Mais? — perguntei, surpresa.
— Claro. Você acha que o fim de semana acabou? — ela riu. — A gente ainda nem começou.
Senti um calor bom no peito. A noite seguiu tranquila, com risadas e aquele calor de família que me fazia sentir realmente em casa.
Depois do jantar, subimos para o quarto, ainda rindo de alguma piada do tio Anthony. Assim que a porta se fechou, Nicolle se jogou na cama, suspirando.
— Amo meus pais, mas falam demais.
— Só estavam animados. — sentei na beira da cama, soltando a trança. — Foi um jantar tão gostoso...
— Foi mesmo. — ela me olhou. — E você foi o centro das atenções de novo.
Ri, sem jeito. — Nick, você sempre fala isso.
— Porque é verdade. — respondeu, sorrindo. — Mamãe te adora, papai praticamente te adotou, e até a Sarah fica feliz quando você vem.
— Eu gosto daqui... me sinto em casa, sabe? É tudo tão acolhedor.
— Claro que é. — disse ela, me empurrando de leve. — Você é da família, Alex. Já falei mil vezes.
Senti meu coração aquecer. — Obrigada, Nick. — murmurei, sincera. — Por tudo hoje.
Ela sorriu de canto. — Para de ser fofa antes que eu chore.
— Eu não sou fofa! — protestei, rindo.
— É sim. E pior, você sabe disso. — respondeu, puxando um travesseiro e jogando em mim.
Peguei o travesseiro e joguei de volta, e logo começou uma guerra silenciosa de almofadas. Rimos tanto que mal conseguíamos respirar.
— A gente devia sair mais assim... — falei. — Foi tão divertido.
— Concordo. — disse ela. — E amanhã, se o tempo estiver bom, podemos ir pra piscina.
— Hm... gostei da ideia. — respondi. — Mas só se tiver suco de morango.
— Negócio fechado. — sorriu.
De repente, o celular dela vibrou. Ela olhou e sorriu.
— É a Char. Quer atender comigo?
— Claro! — falei, animada.
Nick colocou a chamada em viva-voz, e logo Charlotte falou:
— Finalmente! Achei que vocês tinham desaparecido.
— Estávamos jantando com meus pais. — respondeu Nick. — O feriado foi cheio.
— Imagino. — disse Angel, entrando na chamada. — E aí, meninas, aproveitaram o dia?
— Muito! — falei. — Milkshake, cinema e comprinhas.
— Isso parece um sonho. — riu Charlotte. — E o Daren, Alex? Se comportou?
Senti meu rosto esquentar. — Ele foi muito gentil... como sempre.
Nick riu, cutucando meu braço. — Traduzindo: ele não tirou os olhos dela o tempo todo.
— Nicolle! — reclamei, rindo.
As meninas caíram na gargalhada. — Ai, vocês duas são impossíveis. — disse Angel. — Precisamos marcar algo juntas também, as quatro, eu estou com tanta saudades de vocês meninas.
— Sim! — respondi, empolgada. — Amanhã vocês podiam vir pra cá, piscina e relax.
— Gostei. — disse Charlotte. — Levo flutuadores de flamingo!
— E eu música e lanches. — completou Angel.
Nick sorriu. — Que nada Char. A Sandra faz qualquer coisa para a gente comer.
Conversamos mais um pouco, rindo de histórias antigas, até que a ligação terminou. O quarto ficou silencioso, e Nick bocejou, se jogando contra o travesseiro.
— Elas vão enlouquecer minha mãe amanhã, você sabe. — disse ela, rindo.
— Vai ser divertido. — respondi, sorrindo.
— É... vai mesmo. — murmurou ela, fechando os olhos.
Olhei para o teto, sentindo aquele conforto bom de fim de dia.
— Boa noite, Nick... — sussurrei.
— Boa noite, anjinho. — respondeu ela, sonolenta.
Sorri sozinha, com o coração leve. Às vezes, tudo que eu precisava era desses momentos simples e calmos, com as pessoas que eu mais gostava por perto.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Colégio Interno
Ficção AdolescenteNicolle Carter, Charlotte Backer, Alexandra Cameron e Angel Clark são inseparáveis. Quatro garotas completamente diferentes que, por motivos distintos, acabam se encontrando no mesmo colégio interno e desde então vivem como uma verdadeira irmandade...
