Nicolle
Dia do baile ...
O dia amanheceu agitado, e o tempo parece estar passando mais rápido do que deveria. Tenho uma lista inteira de coisas para fazer — maquiagem, cabelo, vestido e só três horas até o baile começar. São quatro da tarde e o evento começa às sete. Isso significa duas horas para me transformar em uma princesa e uma para chegar até o local. Suspiro fundo, olhando para o relógio da parede, enquanto caminho pelo quarto já coberto de roupas, maquiagens espalhadas sobre a penteadeira e o som suave de uma playlist tocando no fundo.
— Certo, Nicolle, foco. — murmuro para mim mesma, prendendo o cabelo num coque desajeitado antes de ir para o banho.
A água quente do chuveiro cai sobre minha pele e relaxa todos os meus músculos. Fecho os olhos, respiro o vapor e sinto o aroma doce do meu sabonete de morango. É o tipo de banho que te faz esquecer do mundo por alguns minutos. Lavo o cabelo com cuidado, massageando o couro cabeludo e pensando em como Jason vai reagir quando me vir pronta.
Jason.
Meu namorado. O cara mais gentil e mais lindo que já conheci. Só de pensar nele meu coração acelera, e um sorriso bobo escapa. Ele prometeu me buscar às seis e meia. Saio do chuveiro e me enrolo na toalha felpuda, sentindo o contraste do ar fresco com a pele quente. Coloco meu roupão branco, ainda com os fios úmidos escorrendo pelas costas. Pego o secador e começo a arrumar o cabelo. Meus fios são pretos, longos e lisos, dá pra fazer mil penteados diferentes, mas eu prefiro deixá-los soltos. Gosto de como caem sobre os ombros, com aquele brilho natural que o Jason diz amar. Depois de escová-los, passo as mãos para garantir que tudo está perfeito.
Sento-me à frente do espelho e começo a make. Um primer leve, base suave, um pouco de blush rosado nas maçãs do rosto e aquele toque de iluminador que realça o olhar. Faço um delineado fino, capricho na máscara de cílios e finalizo com um batom nude rosado.
Quando termino, me encaro no espelho e sorrio.
— Uau. — sussurro, quase sem acreditar na própria imagem.
O vestido azul-claro que escolhi está pendurado na arara. É justo na cintura, com uma saia leve que balança quando me movo, e o tecido brilha de um jeito delicado sob a luz do quarto. Visto-o com cuidado, ajeitando o zíper, e calço o salto prata que comprei especialmente para hoje. Pego minha clutch e desço as escadas. O som do salto ecoa pelo corredor até a sala, onde encontro minha mãe sentada no sofá, lendo algo no celular.
— Oi, mãe. — digo, tentando disfarçar a pressa.
Ela levanta o olhar, e um sorriso se forma no rosto dela.
— Oi, Nick. Tudo bem? — pergunta, analisando cada detalhe da minha roupa. — Você está linda! Mas... pra onde vai tão arrumada?
Reviro os olhos, sem conseguir evitar um riso curto.
— Pro baile de finalistas, mãe. Eu te avisei ontem.
— Mas você nem é finalista, Nicolle.
— Mãe... — suspiro, cruzando os braços. — Eu já te expliquei que, mesmo não sendo finalista, posso ir aos bailes do colégio. Todo mundo vai.
Ela faz uma expressão confusa, como se estivesse tentando lembrar da conversa, e eu sinto a impaciência subir.
— Você nunca presta atenção em nada do que eu falo. — murmuro, magoada.
— Nicolle, não é assim...
— É sim, mãe. É sempre assim. — digo, antes de virar as costas e seguir para a cozinha.
Abro o freezer, pego o pote de sorvete e coloco duas bolas numa taça. O frio doce me acalma um pouco. Subo para o quarto e fico deitada na cama, mexendo no celular, esperando o tempo passar. Quando ouço a campainha, meu coração dispara.
— Jason. — penso, sorrindo.
Levanto num salto, calço os sapatos e desço as escadas. Na sala, Jason está de pé, conversando com minha mãe, e segurando um buquê de flores brancas. O cheiro é suave, misturado com o perfume dele, aquele aroma amadeirado que eu sempre reconheço de longe.
— Jason, você veio! — digo, sorrindo enquanto me aproximo.
Ele se vira e o olhar dele percorre meu corpo de cima a baixo.
— Claro, princesa. Essas flores são pra você. — entrega o buquê com aquele sorriso que faz meu estômago dar voltas.
Pego as flores, sentindo o coração apertar de ternura.
— Obrigada, meu amor. Vou colocar na água.
— Eu levo pra você, querida. — diz minha mãe, pegando as flores das minhas mãos. Eu apenas assinto, e Jason segura minha mão. Saímos juntos, e a brisa da tarde toca minha pele.
O caminho até o baile é leve. As ruas estão iluminadas, o céu começa a ganhar tons de lilás e dourado, e o som da música já pode ser ouvido à distância. Ao chegar, percebo que nenhuma das minhas amigas chegou ainda. Então Jason e eu nos acomodamos num canto, perto da pista, e ele me puxa suavemente para mais perto.
— Quer beber alguma coisa, amor? — pergunta, acariciando minha mão.
— Pode ser champanhe. — respondo, com um sorriso tímido.
Ele vai até o bar, e eu fico observando as pessoas ao redor — casais dançando, risadas, flashes de câmeras. A atmosfera do baile é vibrante, quase mágica. Estou tão distraída que nem percebo quando Camilla se aproxima.
A voz dela corta o ar como uma navalha:
— Ora, ora, ora... se não é a ladra de namorados.
Viro o rosto, respirando fundo antes de encará-la.
— O recalque ainda não passou, Camilla? — pergunto, firme.
Ela cruza os braços, com aquele olhar venenoso.
— Você não devia ter se metido entre mim e o Jason.
— E por quê? Porque ele é seu? — retruco, arqueando uma sobrancelha.
— Sim. — responde, sem hesitar. — E você vai se arrepender por ter se metido entre a gente.
Dou um passo à frente, encarando-a de igual pra igual.
— Eu não tenho medo de você, Camilla. O jogo que você joga... fui eu quem criou.
Ela me lança um olhar cheio de raiva, e por um instante, sinto a tensão no ar. Mas ela apenas revira os olhos e se afasta. Minutos depois, Jason retorna com as taças nas mãos.
— O que a Camilla queria? — pergunta, entregando-me a bebida.
— Me encher o saco. — respondo, dando um meio sorriso. — Vamos dançar?
— Mas e sua bebida?
— Já não quero. Vamos. — digo, puxando-o pela mão até a pista.
A música vibra alto, as luzes giram, e o coração bate no ritmo da batida. Jason me envolve pela cintura, e por um momento, o mundo lá fora deixa de existir. Enquanto giramos na pista, vejo Angel, Ethan, Charlotte e Michael entrando pelo salão. Todos lindos, sorrindo — e, finalmente, o baile parece completo Fui com Jason em direção ao grupo que acabara de chegar. Assim que os vi, um sorriso enorme se abriu no meu rosto. Angel e Charlotte estavam simplesmente deslumbrantes — o tipo de beleza que faz todo o salão parar por alguns segundos. O som da música pulsava no ar, misturado às luzes coloridas que dançavam pelo chão de vidro.
Angel estava com um vestido vermelho intenso, justo na medida certa, que realçava as curvas e combinava com o batom da mesma cor. Os cabelos castanhos estavam soltos, com ondas suaves que brilhavam sob a iluminação. Quando ela me viu, abriu um sorriso provocante e girou levemente, fazendo a saia do vestido rodar.
— Gostou? — perguntou, arqueando a sobrancelha, com aquele jeito confiante que só a Angel tem.
— Tá perfeita! — respondi, rindo. — Literalmente a definição de "femme fatale".
Charlotte, por outro lado, era o completo oposto — e igualmente linda. Usava um vestido lilás longo, com um decote em coração delicado e pequenos brilhos que refletiam conforme ela se movia. O cabelo loiro estava preso num coque romântico, e uma mecha solta caía de leve sobre o rosto. Ela sorria de forma doce, tímida, ajeitando o vestido toda hora.
— Char, você tá maravilhosa. — disse, sinceramente.
Ela corou, baixando o olhar.
— Obrigada... o crédito é todo seu e da Angel, vocês escolheram comigo. — respondeu, rindo baixinho.
Jason cumprimentou os meninos com aquele aperto de mão meio displicente, típico de quem não está ali pra competir com ninguém. Eu me virei para as meninas e olhei em volta.
— Cadê a Alex? — perguntei, percebendo que a única que faltava era ela.
Charlotte deu de ombros, mexendo distraidamente na pulseira que usava.
— Com o Daren, acho eu. — disse, num tom meio sugestivo, acompanhando a frase com um sorrisinho cúmplice.
— Com o Daren, é? — brinquei, rindo. — Esses dois tão cada vez mais inseparáveis.
Angel, que já estava balançando no ritmo da música, levantou o braço e gritou animada:
— Tá, chega de fofoca! Vamos dançar!
Ela pegou minha mão com energia e começou a me puxar para o centro da pista, rebolando no caminho.
— Angel! Espera! — falei, rindo, tentando equilibrar o salto.
— Nada de esperar! O baile é hoje, gata! — ela respondeu, jogando o cabelo pra trás e piscando pra um grupo de garotos que passava.
Charlotte veio logo atrás, meio sem jeito, segurando a barra do vestido para não tropeçar. Jason, claro, não deixou por menos e me acompanhou, colocando a mão na minha cintura enquanto eu me deixava levar pelo ritmo da música. O DJ trocou a faixa, e a batida de "Dance the Night" da Dua Lipa começou a ecoar pelo salão. As luzes azuis e lilases giravam, refletindo nos vestidos e criando um espetáculo de brilho. Angel e eu nos olhamos e, sem dizer nada, começamos a dançar juntas, rindo alto, como se o mundo tivesse parado só pra aquele momento. Por um instante, esqueci da Camilla, dos problemas, das discussões com a minha mãe. Era só música, risadas e a sensação de liberdade. Charlotte logo se soltou também, girando devagar, os olhos brilhando de felicidade. Jason segurou minha mão e me puxou de volta, colando nossos corpos enquanto a música diminuía o ritmo.
E ali, entre luzes coloridas, amigos sorrindo e o som abafado da batida que ecoava no peito, eu tive a certeza: essa noite ainda estava só começando
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Colégio Interno
Ficção AdolescenteNicolle Carter, Charlotte Backer, Alexandra Cameron e Angel Clark são inseparáveis. Quatro garotas completamente diferentes que, por motivos distintos, acabam se encontrando no mesmo colégio interno e desde então vivem como uma verdadeira irmandade...
