Michael Cantwell

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Meu nome é Michael Cantwell, tenho 19 anos, e faz pouco mais de um ano que minha vida virou de cabeça para baixo. Foi quando perdi os meus pais. Tudo aconteceu tão de repente que, até hoje, não sei explicar direito como foi. Só sei que, desde aquele dia, tem uma dor que não passa. Uma ausência que não diminui. A morte deles deixou um buraco que parece impossível de preencher.
Depois que tudo aconteceu, fui morar com o meu melhor amigo, o Jason. A mãe dele, Meredith, era a melhor amiga da minha mãe. Elas se conheciam desde a adolescência e sempre foram muito próximas, então, quando fiquei sozinho no mundo, ela me acolheu sem pensar duas vezes. Ela disse que era o mínimo que podia fazer por alguém que era como um filho pra ela. E, mesmo com toda a dor, eu sou grato por isso. De verdade. Ter um teto, uma cama, uma rotina, mesmo que diferente, foi o que me manteve em pé durante os dias mais difíceis. O Anthony, pai do Jason, é mais fechado. Um cara sério, daqueles que falam pouco e observam muito. Ele é justo, mas rígido. Foi ideia dele nos mandar para um colégio interno. Segundo ele, o nosso comportamento nos últimos meses passou dos limites. E, pra ser sincero, ele não está errado. A gente perdeu a mão. Depois que meus pais morreram, eu entrei num modo automático. Fui tentando fugir da dor do jeito mais estúpido possível, me jogando em festas, bebedeiras, confusões. Eu e o Jason sempre fomos muito próximos, então acabamos seguindo esse caminho juntos. Uma dessas festas foi a gota d'água. Era uma festa ilegal, na casa de um conhecido nosso, e a polícia apareceu. Pegaram a gente no flagra. Nos levaram direto pra casa. A vergonha foi gigante. E, como disse a Meredith, o castigo foi exemplar. Apesar de tudo, eu gosto da Meredith. Ela é aquela mãe que se preocupa de verdade. Que olha nos olhos, que pergunta se a gente comeu, que acorda cedo pra ver se estamos bem. Então, quando a gente faz merda, eu vejo a tristeza no rosto dela. Dá pra perceber que ela não fica com raiva só por raiva. Ela fica triste porque sente que está falhando, que está perdendo o filho que criou com tanto cuidado. E, mesmo eu não sendo filho dela de sangue, sinto que ela me enxerga do mesmo jeito.
Ela já me disse uma vez, numa conversa séria, que criar um filho é como fazer um investimento emocional gigante. São noites sem dormir, sacrifícios, planos, amor colocado ali todos os dias. E ver esse filho se jogando em bebidas, confusão, sexo sem noção, é como ver tudo isso indo por água abaixo. É como ver um investimento sendo desperdiçado. E isso, segundo ela, dói mais do que qualquer bronca ou castigo. Eu não sou um cara ruim. Só estava perdido. Ainda estou, pra ser sincero. A dor da perda dos meus pais não passou, só aprendi a disfarçar melhor. Mas no fundo, ainda estou tentando encontrar um lugar onde eu me sinta inteiro de novo. Agora estou indo pro colégio interno com o Jason. Talvez seja a chance de colocar as ideias no lugar. De entender quem eu sou, sem me esconder atrás das festas, do álcool, da pose de durão. Talvez, nesse novo começo, eu encontre algo que me ajude a seguir em frente. Ou pelo menos, a parar de andar pra trás.

 Ou pelo menos, a parar de andar pra trás

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