Angel Clark

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Meu nome é Angel Anne-Marie Clark, tenho 18 anos, e estou a caminho de um colégio interno porque meu pai decidiu assim. Sem grandes explicações, sem conversa. Só disse que era melhor pra mim. Curiosamente, eu achei até bom. Porque, verdade seja dita, ele nunca teve muito tempo pra mim mesmo. Então talvez, nesse novo lugar, eu encontre algo que sempre faltou: pessoas de verdade, amizades sinceras, um pouco de felicidade fora da solidão em que cresci.
Sou filha única de um casamento que terminou há sete anos. Eu tinha apenas 11 quando meus pais se divorciaram. Naquela época, eu não entendia quase nada, só sentia. Lembro de ver minha mãe arrumando as malas, indo embora, e depois disso... mais nada. Ela simplesmente sumiu. Não ligava, não mandava mensagem, não perguntava como eu estava. Era como se eu tivesse sido deixada pra trás. Isso mexeu comigo de um jeito que só fui perceber mais tarde.
Durante um tempo, eu tentei ser a filha perfeita. Quando meus pais ainda estavam juntos, eu era aquela que fazia tudo certinho, que tirava boas notas, que arrumava o quarto sem ninguém mandar, tudo só pra receber um olhar de aprovação. Mas quando o divórcio veio, esse esforço perdeu o sentido. E aí começou a fase rebelde. Passei a sair demais, a beber, experimentar drogas, viver como se nada importasse. Fiz piercings, tatuagens, comecei a fumar escondido. Eu queria gritar pro mundo que eu estava machucada, mesmo sem saber como fazer isso com palavras. Foi aos 16 que a ficha caiu. Olhei ao redor e percebi que as pessoas com quem eu andava não ligavam pra mim de verdade. Eram amizades rasas, interesseiras, muitas vezes até tóxicas. Vi que, se eu continuasse naquele caminho, ia me destruir de vez. Então parei. Me afastei. Larguei o álcool, larguei as drogas. Não foi fácil, mas foi a escolha mais responsável que já fiz por mim mesma.
Apesar de tudo, eu nunca fui uma filha problema. Pelo menos não no sentido de querer machucar ninguém. Eu só estava perdida, tentando lidar com dores que ninguém nunca quis ouvir. E mesmo sem muito apoio do meu pai, eu segui tentando me reconstruir. Mas nem tudo foi ruim. Depois do divórcio, meu pai conheceu a Elizabeth Damon. Ou, como eu gosto de chamar, Lizzie. Ela é uma mulher incrível. Quente, carinhosa, presente. Uma mãe de verdade. Mesmo sem ter me gerado, ela me acolheu com tudo o que tinha. Sempre sonhou em ser mãe, mas descobriu ainda nova que não poderia ter filhos por conta de um problema de saúde. E foi aí que nossos caminhos se cruzaram. Ela me adotou no coração, e eu a aceitei como minha mãe sem pensar duas vezes. O amor dela preencheu muitas lacunas que minha mãe biológica deixou abertas. Quanto à minha mãe de sangue... não sei. Não sei onde está, o que faz, se pensa em mim. Ela desapareceu da minha vida como se eu nunca tivesse existido. No começo doeu muito, mas hoje, aprendi a seguir sem esperar nada dela.
Agora estou indo pra um colégio novo, com pessoas novas, e pela primeira vez em muito tempo, sinto uma pontinha de esperança. Quero construir algo do zero, sem os erros do passado me arrastando pra trás. Quero fazer amigos de verdade, rir sem medo, viver sem me esconder. Talvez, só talvez, esse seja o começo de uma versão melhor de mim mesma.

 Talvez, só talvez, esse seja o começo de uma versão melhor de mim mesma

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