26

5 0 0
                                        

Alexandra

Acordei sentindo o calor suave do cobertor sobre mim. A luz da manhã atravessava as cortinas claras do meu quarto, desenhando faixas douradas pelo chão de madeira. O quarto estava silencioso, com exceção do leve zumbido do ventilador e do som distante dos passarinhos lá fora. Bocejei, espreguiçando os braços por baixo das cobertas, até sentir o toque frio do lençol roçando na pele. Quando estiquei o braço para o criado-mudo, encontrei meu celular. A tela acendeu com o toque do dedo e, ao ver o horário, arregalei os olhos.
Nossa... já são oito da manhã. — murmurei, a voz ainda arrastada de sono.
Meu reflexo aparecia fraco na tela escura antes de desbloquear o celular: cabelo bagunçado, olhos meio inchados, mas um sorriso pequeno brotando nos lábios quando vi o monte de notificações acumuladas. Deslizei o dedo para cima e comecei a abrir as mensagens.
Mensagens ON:
Dar's chat:
Dar: Bom dia, Alex. Como você dormiu? (6:00 AM)
Dar: Espero que tenha sentido minha falta. (7:30 AM)
Meu coração deu um salto. Era tão típico do Daren me mandar mensagem cedo, mesmo sabendo que eu provavelmente só veria horas depois. Ele sempre dizia que gostava de ser o "primeiro bom dia" do meu dia.
Sorri, sentindo aquele friozinho gostoso no estômago. Digitei devagar, os dedos ainda meio trêmulos:
Me: Oii, Daren. Dormi bem e senti muito a sua falta.
Por um segundo, fiquei olhando a mensagem enviada, imaginando o sorriso dele quando lesse. Depois abri o chat da minha mãe.
Mãe's chat:
Mãe: Não vou dormir em casa, Scott vai dormir aí, no quarto de hóspedes. (21:00 PM)
Fiz uma careta.
Ué? Como que eu não vi isso ontem? — falei sozinha, piscando para a tela.
Provavelmente eu já tinha dormido quando ela mandou, afinal, o Daren tinha me deixado super sonolenta depois de tanto cafuné e aconchego.
Voltei para o menu e abri a conversa da Char.
Char's chat:
Char: No shopping às 2, Alex. (7:55 AM)
Me: Ok!
Ri baixo. Char era pontual até pra lembrar os outros dos compromissos e se eu não respondesse, ela me ligaria dez vezes seguidas.
Mensagens OFF.
Suspirei e deixei o celular de lado, rolando na cama por alguns segundos antes de decidir levantar. O colchão estava tão confortável que uma parte de mim queria continuar ali o resto do dia, mas o sol que atravessava a janela parecia um convite pra começar a manhã.
Empurrei as cobertas, senti o piso gelado tocar a sola dos pés e estremeci. Fui até a penteadeira, amarrei o cabelo num rabo de cavalo rápido e observei meu reflexo no espelho. Meu rosto ainda carregava o sono, mas os olhos estavam mais vivos — talvez porque eu tivesse sonhado com o Daren.
Peguei a toalha pendurada atrás da porta e fui para o banheiro. A água quente do chuveiro caiu sobre meu corpo, escorrendo pelos ombros e descendo até os pés, levando com ela qualquer resto de preguiça. Fechei os olhos e deixei a cabeça pender para trás, sentindo o vapor preencher o espaço. O cheiro do meu sabonete de baunilha e coco se misturava ao ar, e por um momento, parecia que o tempo tinha parado. Depois do banho, me enrolei na toalha e voltei para o quarto. Fui direto até o guarda-roupa, abrindo as portas de madeira que rangeram levemente. Passei o olhar pelas roupas penduradas até encontrar algo confortável: um short jeans de cintura alta e uma blusa branca de tecido leve, com um pequeno laço no decote. Vesti-me e fui até o espelho de corpo inteiro. Prendi uma mecha rebelde atrás da orelha e borrifei um pouco do meu perfume favorito — um toque doce, nada exagerado. Peguei o celular, coloquei no bolso e respirei fundo, sentindo a casa silenciosa.
As luzinhas do meu quarto ainda estavam apagadas, mas o brilho do sol iluminava tudo de um jeito bonito, refletindo nas fotos coladas na parede eu, Daren, Char e Nicolle, rindo de algo bobo na escola. Sorri para aquela lembrança e murmurei, baixinho:
Vai ser um bom dia.
Saí do quarto, o som leve dos meus passos ecoando no corredor enquanto descia as escadas, pronta para encarar a manhã.
Desci as escadas devagar, o som leve dos meus passos ecoando pela casa silenciosa. O sol entrava pelas janelas grandes da sala de estar, espalhando uma luz morna sobre os móveis claros. O cheiro de café recém-passado e pão tostando vinha da cozinha, preenchendo o ar com aquele aroma confortável de manhãs de sábado. Assim que virei o corredor, vi Scott sentado no sofá. Ele estava inclinado para frente, mexendo no celular, com os cabelos bagunçados e uma expressão meio sonolenta, mas o sorriso surgiu no mesmo instante em que me viu.
Bom dia, Scott. — cumprimentei, ainda com a voz suave da manhã.
Ele ergueu as sobrancelhas, apoiando o braço no encosto do sofá.
Oi! Não tá surpresa de me ver aqui? — perguntou com um sorriso provocador, inclinando a cabeça de leve.
Balancei a cabeça, contendo um sorriso discreto.
Não. — respondi simplesmente, passando por ele e indo direto para a sala de jantar.
Sentei-me à mesa, e logo ele apareceu atrás de mim, sentando-se ao meu lado. A mesa já estava posta — torradas, frutas, manteiga e duas xícaras fumegantes de café.
Tá afim de dar uma volta comigo hoje? — perguntou, pegando um pedaço de pão e me olhando de canto.
Peguei uma fatia de maçã e dei uma mordida antes de responder.
Não posso. Eu e minhas amigas vamos sair. — sorri, olhando para o celular.
Posso te levar. — sugeriu, com um tom leve demais pra ser só gentileza.
Parei por um instante, avaliando a oferta. Ele parecia realmente insistente, e, no fim, acabei cedendo.
Então tá. Depois do almoço, a gente vai. — falei, levantando-me e ajeitando o cabelo com a mão.
Subi novamente para o meu quarto. A luz batia nas cortinas brancas, e o reflexo no espelho me fez parar por um segundo. Eu não conseguia esconder o sorriso bobo toda vez que pensava no Daren.
Eu vou ao baile com um dos garotos mais lindos do colégio... — pensei, abraçando o travesseiro.
Deitei de bruços na cama, pegando o celular. Fiquei rolando a tela sem realmente prestar atenção em nada. O aparelho era antigo, a bateria vivia acabando rápido, e mal tinha espaço pra fotos novas. Eu realmente precisava trocar aquilo logo. As horas passaram devagar. Quando o relógio marcou meio-dia, desci para o almoço. Scott já estava lá, mexendo no celular enquanto esperava. Conversamos pouco — ele parecia de bom humor, e até tentou algumas piadas bobas. Depois de comer, ele se ofereceu para me levar ao shopping. O sol brilhava lá fora, e o vento batia suave contra a janela do carro enquanto a gente dirigia. Assim que me deixou na porta do Starbucks, ele disse que voltaria mais tarde pra me buscar.
Entrei na cafeteria e o cheiro de café forte me envolveu. Nicolle estava sentada perto da janela, com um copo nas mãos e o celular apoiado na mesa.
Oi. — falou, sorrindo.
Oi! Vamos? — perguntei, animada.
Ela assentiu, e nós seguimos juntas para o corredor das lojas.
O plano era ajudar Char a escolher o vestido pro baile, mas, como sempre, ela e Angel estavam atrasadas. Ficamos experimentando roupas, tirando fotos e rindo de cada tentativa desastrosa. As horas voaram, e quando percebi já era fim de tarde.
Quatro horas depois, eu estava de volta em casa. Minha mãe e Damian estavam no sofá assistindo a um filme romântico qualquer, com taças de vinho sobre a mesa de centro. Scott e eu conversávamos distraídos sobre música e viagens — assuntos neutros, sem muita importância, só pra preencher o silêncio.
De repente, minha mãe falou sem tirar os olhos da TV:
Eu acho que nós quatro deveríamos morar juntos. O que acha, Damian?
Minha cabeça virou de imediato.
Mãe? Você não acha que tá cedo demais pra isso? — perguntei, surpresa.
Damian riu, com aquele jeito calmo e confiante.
Claro que não, Alex. Eu vou providenciar tudo, e no início do ano a gente se muda.
Suspirei. Damian era um empresário conhecido — daqueles que estavam acostumados a resolver tudo com um estalar de dedos. Dinheiro definitivamente não era um obstáculo pra ele, nem pra minha mãe.
Mãe, amanhã tem baile. — falei, tentando desviar o assunto.
Ela se virou animada.
Ah é? E você já tem vestido?
— Sim, mas é surpresa. — respondi, sorrindo misteriosamente.
— E tem par? Com quem você vai? — perguntou, curiosa.
Antes que eu pudesse responder, Scott riu.
— Com certeza ela vai com o idiota do namorado dela.
Minha mãe arqueou as sobrancelhas.
— Namorado?
Senti o rosto esquentar.
Sim... — falei, corando. — A gente começou a namorar recentemente.
Scott cruzou os braços, provocando:
E ele já tá controlador desse jeito?
— Scott, fica quieto. — cortou Damian, com um olhar firme.
Tá tudo bem. — falei, respirando fundo. — Ele só se preocupa comigo, só isso.
Minha mãe sorriu de leve e trocou de assunto:
E se a gente fosse jantar?
Concordamos, e o jantar foi leve, cheio de conversas triviais. Quando terminei, subi pro meu quarto. O céu já estava escuro, e o quarto iluminado apenas pelas luzinhas coloridas presas na parede. Peguei o celular e vi uma notificação piscando, era Daren.
WhatsApp ON:
Dar's chat:
Dar: Qual é a cor do seu vestido?
Me: Azul!
Dar: Tá. Boa noite.
Me: Boa noite. Ah, e eu amo o seu jeitinho de ser. :)
Dar: O que você quer dizer com isso?
Me: Que gosto de você, só isso.
WhatsApp OFF.
Um sorriso bobo escapou. Eu amava esse tipo de conversa com ele — simples, leve, mas cheia de significado.
Deixei o celular carregando na mesinha e fui até o guarda-roupa pegar o pijama quando ouvi uma batida leve na porta.
Posso entrar? — a voz de Scott soou baixa. A porta já estava meio aberta.
Claro. — respondi, virando-me pra ele.
Ele entrou com um pote de sorvete nas mãos e um sorriso no rosto.
Trouxe sorvete pra você. — estendeu o pote.
Ri, cruzando os braços.
— Como sabia que eu ia aceitar?
Ninguém nega sorvete, Alex. — respondeu, dando de ombros.
Sentei na beira da cama, dando uma colherada. O sabor doce e gelado contrastava com o ar morno do quarto.
Você tá feliz pelo seu pai? — perguntei, curiosa.
Sim. Ele e sua mãe vão ser felizes. E nós... vamos ser meio-irmãos. — disse, olhando pra mim com um sorriso sereno.
É mesmo. Você vai ser meu irmão mais velho. — ri e me levantei pra abraçá-lo. — Mas agora sai do meu quarto, que eu quero dormir. — brinquei, empurrando-o levemente pra fora.
Tá, chata. — falou, rindo e apagando a luz. — E Alex... me desculpa pelo que eu falei do seu namorado.
Fiquei parada por um instante, olhando pra porta já fechada.
Tá perdoado. — murmurei, mais pra mim mesma do que pra ele.
Deitei na cama, aconchegando-me sob o cobertor. O som distante da televisão no andar de baixo se misturava com o zumbido do vento lá fora. Fechei os olhos e, antes de adormecer, um único pensamento passou pela minha cabeça:
Daren.
E então, lentamente, o sono me levou

Colégio InternoOnde histórias criam vida. Descubra agora