Jason Drummond

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Meu nome é Jason, tenho 19 anos, e até agora, minha vida foi do jeito que eu quis. Sempre estive entre os mais populares de qualquer escola por onde passei, não por sorte, mas porque eu sei me impor. Sempre tive presença, confiança, estilo. E, claro, sempre chamei atenção. Desde muito novo, aprendi que, com um sorriso certo e a atitude certa, dava pra ter o que eu quisesse. E eu tive. Sempre tive tudo na hora em que eu queria. Carro, roupas, festas, atenção. Eu pegava as garotas mais desejadas da escola, e não era raro levar alguma pra casa, uma diferente a cada semana. Pra mim, era só parte do jogo, da fase. Nada demais.
Só que meus pais não encararam as coisas com essa leveza toda. Descobriram sobre as "visitas" que eu recebia em casa e, claro, surtaram. Não demorou muito pra tomarem uma decisão drástica, me mandar pra um colégio interno. Alegaram que eu precisava de disciplina, estrutura, limites. E cá estou eu, arrastado pra longe da minha rotina, dos meus amigos e, principalmente, da liberdade que eu estava acostumado. Na minha casa, além dos meus pais, também moram minha irmã mais nova, Alexia, e meu melhor amigo, Michael. O Michael praticamente virou parte da família, a gente cresceu junto, dividiu tudo, e ele sempre foi meu parceiro nas maiores aventuras, e nas maiores confusões também. Já a Alexia... é a caçula cheia de atitude, daquelas que sabe mais da vida do que devia pra idade que tem. Mas eu gosto dela, a gente se entende, mesmo que às vezes ela seja meio chata. Sobre meus pais, não posso dizer que são ausentes. Na verdade, minha mãe está presente até demais. Ela é dona de casa por escolha e vive o tempo todo com os olhos em cima da gente. É daquelas mães que sabem tudo, onde você vai, com quem vai, a que horas chegou, o que comeu, o que vestiu. Não tem como esconder nada. E, pra ser sincero, essa presença constante me fez sentir que eu podia tudo. Que se algo desse errado, ela estaria lá pra resolver, defender, encobrir. Meu pai é o completo oposto. Advogado, sério, exigente, o tipo que chega em casa cansado e ainda quer que todo mundo siga as regras dele como se estivéssemos num tribunal. Com ele não tem conversa mole, nem desculpa esfarrapada. Ele quer respeito, pontualidade, metas, comportamento exemplar. Tudo do jeito dele, no tempo dele. E isso, confesso, me irrita profundamente. Porque, pra ele, nunca é o bastante. Sempre há algo a melhorar, algo a corrigir, algo a controlar.
A verdade é que, entre essa mãe que me sufoca com cuidado e esse pai que me sufoca com cobrança, eu cresci sentindo que só sou livre de verdade quando estou longe deles. Com meus amigos. Com as garotas. Fazendo as coisas do meu jeito. Mas agora, nesse colégio novo, cercado de regras e de pessoas que eu não conheço, não sei o que esperar. Talvez seja só uma pausa forçada, talvez uma lição. Ou talvez, quem sabe, eu descubra que ainda tenho muito pra entender sobre mim mesmo.
Eu não sou um cara ruim. Só estou acostumado a viver no meu próprio ritmo. Só que agora, parece que vou ter que aprender a dançar conforme a música, mesmo que seja uma que eu nunca escolhi.

 Só que agora, parece que vou ter que aprender a dançar conforme a música, mesmo que seja uma que eu nunca escolhi

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