10

278 11 0
                                        

Angel

Hoje é domingo, o que significa que é apenas um dia antes do início oficial das férias. E, sinceramente, eu precisava aproveitar esse dia ao máximo, sem me prender a horários ou obrigações. Decidi que o destino perfeito para isso seria o Burguer King, porque, convenhamos, comer é uma das coisas que eu faço melhor e, honestamente, comer bem é quase uma arte da qual eu sou mestre. Comecei meu dia com um banho longo. A água quente escorria pelo meu corpo, relaxando cada músculo, e eu deixei meus pensamentos se perderem nesse momento de paz. Passei meu hidratante com cuidado, espalhando cada gota na pele ainda úmida, sentindo o perfume doce e sutil do creme se misturar com o calor que ainda me envolvia. Depois, fiquei quase meia hora na frente do meu guarda-roupa, debatendo mentalmente sobre qual look seria perfeito para o dia. Queria algo confortável, mas que também mostrasse um pouco da minha personalidade — afinal, até para ir comer hambúrguer é importante sentir-se confiante.
Quando finalmente escolhi meu look, vesti-o cuidadosamente, ajustando cada detalhe. Meus cabelos estavam no ponto certo, meu batom estava aplicado com precisão e, por alguns segundos, me admirei no espelho. Peguei meu celular, que estava carregando na tomada, e preparei minha saída. Olhei para a sala: meus pais ainda estavam dormindo no sofá, provavelmente exaustos da semana. Resolvi não acordá-los e sair silenciosamente, aproveitando o momento só meu.

 Resolvi não acordá-los e sair silenciosamente, aproveitando o momento só meu

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Escolhi caminhar. Amo caminhar, observar o mundo à minha volta, sentir o vento no rosto e o cheiro da natureza. A sensação de liberdade é inexplicável quando se está andando sem pressa, sem destino certo, apenas deixando o dia me levar. Coloquei meus AirPods, selecionei uma playlist animada e deixei a música preencher meu caminho, balançando levemente a cabeça no ritmo da batida. Foi nesse momento de distração absoluta que esbarrei em alguém. A colisão me fez quase perder o equilíbrio, e minha mente disparou:
Ai meu Deus! — murmurei, quase tropeçando quando esbarrei em alguém na calçada, sentindo meu coração disparar — Que mania de eu esbarrar em pessoas do nada... por que justo hoje?
Levantei o olhar e quase parei de respirar. Um garoto ruivo, alto, com olhos que pareciam brilhar de forma quase hipnótica, me encarava. Meu coração deu um salto. Não gosto de ruivos normalmente, mas ele... ele tinha algo que roubava o fôlego.
— Me desculpe, eu sou uma desastrada, vivo esbarrando nas pessoas do nada — falei, embolando as palavras e corando, desviando o olhar, sentindo o rosto queimando.
Que nada — respondeu ele, sorrindo de forma divertida, cruzando os braços e inclinando a cabeça, como se quisesse me provocar — Sou Ethan, prazer em conhecê-la, senhora desastrada.
Ri sem conseguir me controlar, sentindo minhas bochechas esquentarem ainda mais — Haha, engraçadinho — disse, mordendo o lábio para não rir alto demais — Sabia que o circo ali da esquina está contratando palhaços?
Ele riu de leve, e algo na forma como seus olhos verdes cintilavam me fez sentir borboletas no estômago — Olha, vou lá apresentar meu currículo — falou, piscando, e eu não consegui evitar sorrir de novo — Como você se chama? Ou na certidão de nascimento vem "senhora desastrada"?
Angel... meu nome é Angel — respondi, ajeitando o cabelo rosa atrás da orelha e desviando o olhar, tentando parecer casual, mas sentindo meu coração bater rápido demais.
Seu cabelo é rosa — disse ele, tocando o próprio cabelo ruivo de forma distraída, observando cada fio meu como se fosse fascinante — Fica muito bem em você.
— E o seu... vermelho — sorri, balançando a cabeça, sentindo o coração bater mais rápido — Ah, é mesmo... eu tenho de ir — tentei disfarçar o nervosismo, mas meu sorriso traía o que eu realmente sentia.
Ele deu um passo para mais perto, e senti um arrepio percorrer meu braço — Me passa seu número, Angel, por favor — pediu, com uma voz que soava séria, mas havia um brilho de expectativa nos olhos dele.
Claro — disse, pegando meu celular e digitando meu número, sentindo minhas mãos tremerem levemente
Ele sorriu, aquele sorriso que faz o peito doer, e eu senti um calor gostoso percorrer minha barriga — Obrigado... prometo não te encher de mensagens — falou, olhando para mim de um jeito quase sonhador antes de se afastar, deixando um rastro de perfume amadeirado no ar.
Continuei meu caminho, tentando organizar meus pensamentos e respirar normalmente, mas o sorriso não saía do meu rosto. "Ele é tão diferente... e tão divertido...", pensei, sentindo meu coração bater acelerado.
Cheguei no Burguer King e fiz meu pedido, sentando-me numa mesa no canto. Mordendo meu hambúrguer, senti uma vibração no celular. Peguei e vi uma notificação do WhatsApp:
Oi Angel, aqui é o Ethan, o garoto que você esbarrou mais cedo — dizia a mensagem.
Oi Ethan, tudo bem? — respondi, sentindo uma mistura de surpresa e animação, sorrindo sozinha.
Sim... você tem planos para esta sexta? — ele perguntou, e meu coração quase parou, imaginando o que viria a seguir.
Tenho sim! Por quê? — digitei, sentindo minhas mãos tremerem levemente enquanto encarava a tela.
Queria convidar você para ir à praia comigo, mas fica para a próxima então — escreveu, com um emoji sorridente, e senti um pequeno aperto no peito.
Desculpa... a gente combina outra coisa um dia desses, tá? — respondi, tentando manter a calma, mas sentindo uma pontada de desapontamento.
Claro — ele respondeu quase que imediatamente, e eu sorri, sentindo meu coração aquecer.
Terminei meu hambúrguer devagar, saboreando cada mordida, enquanto meus pensamentos continuavam presos àquele encontro inesperado e ao sorriso travesso do Ethan. Ao sair do Burguer King, senti uma mistura de excitação e ansiedade pelo próximo encontro, com a certeza de que aquele garoto ruivo tinha acabado de bagunçar meu mundo de um jeito que eu não esperava.
Saí do Burguer King com o coração acelerado, sentindo o calor do sol da tarde bater no meu rosto. Cada passo parecia mais leve, como se eu flutuasse. A cidade estava calma, o movimento das pessoas era quase relaxante, e eu me pegava sorrindo sozinha, lembrando do jeito travesso de Ethan e do brilho nos olhos dele quando falou meu nome.
Ai, Angel... que confusão é essa no meu coração? — pensei, mordendo o lábio, tentando organizar meus sentimentos — Ele é diferente... tão diferente de qualquer pessoa que eu já conheci.
Enquanto caminhava pelas ruas, observando as folhas secas que dançavam com o vento, senti uma ansiedade misturada com curiosidade. Eu queria saber mais sobre ele, descobrir se por trás daquele sorriso divertido havia alguém tão gentil quanto aparentava. Cada passo era uma batalha entre a empolgação e o medo de me decepcionar.
Cheguei em casa e, como meu pai e minha madrasta ainda estavam ocupados na sala, entrei silenciosamente. Subi para o meu quarto e larguei a bolsa no chão, ainda sentindo o perfume dele no ar, como se tivesse me seguido. Meu olhar caiu no celular, e não pude evitar checar novamente a conversa no WhatsApp.
Ele vai mesmo me chamar para sair de novo? — sussurrei para mim mesma, mordendo o canto do dedo — E se ele não gostar de mim de verdade?
Minha madrasta entrou no quarto, trazendo aquele sorriso acolhedor que sempre me fazia sentir calma, mesmo quando eu estava nervosa.
Angel, querida, tudo bem? — perguntou, ajeitando meu cabelo atrás da orelha de um jeito maternal que eu sempre amei.
Tudo sim, só... pensando em algumas coisas — respondi, desviando o olhar, tentando não entregar demais.
Ela se aproximou, sentando-se na beira da cama e pegando minha mão com carinho.
Sei como é, coraçãozinho acelerado por alguém especial? — disse, piscando para mim. Eu senti meu rosto corar imediatamente.
Talvez... — murmurei, tentando não sorrir demais — Mas é só amizade... acho eu.
Ela riu baixinho, dando um tapinha leve na minha mão.
Ah, Angel... você não precisa esconder nada de mim. Mas aproveite, esses sentimentos novos são sempre mágicos.
Depois que ela saiu, fiquei sozinha no quarto, sentindo meu coração bater tão rápido que parecia querer sair do peito. Peguei meu diário, sentei-me na escrivaninha e comecei a escrever, tentando colocar em palavras tudo o que senti: a surpresa do encontro, o charme dele, o jeito que me fez rir sem esforço.
Ele me fez sentir coisas que eu nem sabia que podia sentir tão rápido — escrevi, mordendo o lábio — Como se ele tivesse acendido uma luz dentro de mim...
O sol começou a se pôr, pintando o céu de laranja e rosa, refletindo no meu cabelo rosa e me fazendo pensar em como aquele dia, que começou comum, tinha se transformado em algo inesperadamente mágico. Peguei o celular novamente, olhando para a tela. Não sabia se enviaria outra mensagem ou se esperaria que ele falasse comigo. Meu coração dizia uma coisa, minha mente dizia outra, mas uma coisa era certa: Ethan tinha entrado na minha vida de um jeito que eu não esperava... e eu estava completamente curiosa para ver o que viria a seguir.
Mal posso esperar para sexta-feira... — murmurei, fechando os olhos e sentindo um sorriso se formar nos meus lábios — Vai ser divertido... tenho certeza disso.
E enquanto a noite caía, trazendo uma calma silenciosa sobre a cidade, eu não conseguia parar de pensar em Ethan, no jeito que ele olhou para mim, no seu sorriso travesso... e no que aquele encontro poderia significar para mim.

Colégio InternoOnde histórias criam vida. Descubra agora