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Alexandra

Entrei na sala de Química com o coração acelerado. Era o meu primeiro dia de volta às aulas e, mesmo tentando disfarçar, eu tava nervosa. Olhei ao redor e vi vários rostos conhecidos, alguns sorrindo, outros fingindo que nem notaram que eu voltei. Mas só um realmente chamou minha atenção: Daren.
Ele estava lá, sentado na terceira fileira, conversando com uma menina morena super bonita, cabelo liso, sorriso de comercial de shampoo. Automaticamente, fiz o que qualquer garota que quer evitar drama faria: fui direto pro fundão. Melhor não alimentar ciúmes desnecessários. Uns minutos depois, a porta se abriu e Scott entrou junto com o professor. Assim que me viu, ele sorriu e veio se sentar ao meu lado, o que, obviamente, fez Daren virar e ficar com aquela cara fechada que só ele sabe fazer.
O professor ajeitou os óculos e disse, com a voz animada demais pra uma manhã de segunda:
Bom dia, pessoal! Hoje temos dois alunos novos. Podem vir até aqui na frente e se apresentar, por favor.
Senti meu estômago revirar. Eu odiava esse tipo de momento. A sala inteira olhando, esperando eu dizer algo inteligente ou simpático... socorro. Scott percebeu meu pânico instantâneo. Sem dizer nada, pegou minha mão e sorriu de leve, como quem diz "relaxa, eu tô aqui". Ele me puxou junto, e lá fomos nós.
Bem, meu nome é Scott — começou ele, confiante. — Tenho 19 anos. — Falou olhando pra mim, com um sorriso tranquilo, e de repente parecia que o resto da sala nem existia.
Respirei fundo e me apresentei também:
— Eu sou Alexandra Cameron.
O professor assentiu.
— Eu sou o professor Dave, e serei o professor de Química de vocês até o fim do ano. Como todos aqui já têm dupla de laboratório, vocês dois vão trabalhar juntos, certo?
Scott me olhou e sorriu de novo. Eu só consegui retribuir, meio sem jeito.
Mas, claro, a paz durou uns dez segundos.
Daren levantou a mão.
— Professor, não dá pra trocar as duplas, não?
Antes mesmo que o professor respondesse, a morena do lado dele, Gabrielle, pelo que ouvi já se intrometeu:
É, professor, se o loirinho quiser, eu posso fazer dupla com ele. Não me importo.
Revirei os olhos discretamente. Gente, mal cheguei e já temos novela?
O professor suspirou.
— Não e não. — Disse firme. — Alexandra e Scott, o projeto de vocês deve ser entregue até sexta-feira. Foi o trabalho da semana passada, então escolham um tema e mãos à obra.
— Tá certo, professor. — Scott respondeu, educado.
Quando voltamos aos lugares, ele colocou a mão na minha cintura pra me guiar até a cadeira, num gesto automático, mas delicado. E claro, foi o suficiente pra eu sentir o olhar de Daren queimando do outro lado da sala.
Sentei tentando disfarçar o sorriso. Eu sabia que mais tarde ele ia reclamar, mas por dentro, achei engraçado ver ele com ciúme, mesmo que só um pouquinho
[...]
Era hora do almoço, e eu estava sentada com as meninas no refeitório, rindo de alguma besteira que a Nicolle tinha dito, quando Daren e os amigos apareceram. Ele nem pensou duas vezes e veio direto até mim, me puxou pela mão e me deu um selinho bem ali, na frente de todo mundo. Eu só consegui piscar, confusa, enquanto ele me tirava dali como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Daren? — o chamei, tentando acompanhar o passo dele.
Ele olhou rápido pra mim, sem parar de andar.
Pra onde a gente tá indo?
— Pro seu quarto — respondeu, como se fosse óbvio.
Franzi a testa.
Tá, mas... pra quê? Se você não percebeu, eu tava comendo. — falei séria, tentando frear o ritmo.
Ele não respondeu, só apertou minha mão e continuou me puxando pelos corredores até o dormitório. Quando entramos, ele me fez sentar na cama e ficou de pé na minha frente, me encarando. Pela expressão dele, dava pra ver que não era um passeio romântico.
Alexandra, o que o palhaço do Scott tá fazendo aqui? — perguntou, com o tom irritado.
Suspirei.
Ele agora estuda aqui, Daren. — dei de ombros, tentando não rir do ciúme mal disfarçado.
Ele cruzou os braços.
Eu não gosto dessa proximidade de vocês.
Revirei os olhos.
E o que é que eu posso fazer? Ele mora na minha casa, estuda no mesmo colégio, e caso você tenha esquecido... minha mãe e o pai dele vão se casar. — falei tudo de uma vez, meio impaciente.
Ele desviou o olhar, suspirando.
Tá, desculpa. Eu só... não gosto de ver ele perto de você. — murmurou, e então se aproximou, me dando um beijo rápido antes de se jogar na cama. — Você não vem?
Sorri e me deitei sobre o peito dele, sentindo o coração finalmente acalmar. O ciúme dele às vezes me cansava, mas no fundo, eu sabia que era porque ele se importava. Ficamos ali por um tempo, só curtindo o silêncio e o calor um do outro. De repente, lembrei dos presentes que ainda não tinha aberto.
Daren se sentou, curioso, enquanto eu pegava as caixas e pacotes sobre a cama.
Vamos ver o que a galera me deu. — falei, animada.
O primeiro pacote era da Nick, uma coleção linda de livros do Harry Potter.
Sorri.
Típico da Nick. Obcecada por Hogwarts desde sempre.
O segundo era do Michael, um par de óculos horríveis, claramente comprados só pra me zoar.
Balancei a cabeça, rindo.
— Eu juro que ainda mato esse garoto.
Daren ria do meu lado, observando tudo. Quando abri o último presente, encontrei mais três ursinhos de pelúcia.
Mais? — brinquei, rindo. — Você vai transformar meu quarto num parque temático da Disney.
Ele deu de ombros, sorrindo de um jeito fofo.
Eu só quero te ver cercada de coisas que te façam sorrir.
Fiquei sem palavras. Me aproximei e o beijei, um beijo leve, cheio de carinho. Era o meu jeito de agradecer por ele ter estado comigo nos piores momentos da minha vida.
Você é o melhor. — murmurei, e voltei a beijá-lo.
Daren interrompeu o beijo, se levantou e estendeu a mão pra mim.
Vem cá. — disse baixinho.
Fiquei de pé, e ele me puxou pra um abraço apertado. Senti o perfume dele, aquele cheiro que já era quase um conforto.
Você é um anjo que caiu do céu só pra iluminar minha vida, Alexandra Cameron. — disse contra o meu cabelo.
Sorri, escondendo o rosto no peito dele.
— E você é o motivo de eu ter forças pra recomeçar.
Enquanto o abraçava, percebi que, apesar de tudo, amar o Daren era fácil. Era leve. E eu não trocaria aquele sentimento por nada no mundo.

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