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Daren

Depois do último jogo antes do fim do primeiro período, eu e a Alex estávamos bem pra caramba.Sério, ela era tudo pra mim. Eu tava completamente apaixonado. Ainda tô, pra falar a verdade. Mas, naquela noite... eu fui idiota. Achei que precisava "desafogar" tudo aquilo, a derrota, a raiva, as vozes da minha cabeça e acabei tomando a pior decisão da minha vida.
Flashback ON
A gente tinha acabado de perder o jogo decisivo.
Sem vitória, sem nacionais.
O clima do time tava um lixo.
Então, claro, o pessoal resolveu beber pra esquecer o fracasso. As líderes de torcida vieram junto, e todo mundo parecia disposto a virar o bar de cabeça pra baixo.
O meu plano era simples: beber uns quatro copos e ir direto dormir. Só isso.
Mas o universo adora ferrar com a gente.
Meu celular vibrou com um número desconhecido. Atendi, meio sem pensar e me arrependi no segundo seguinte.
Era a Julienne.
A mulher que me pôs no mundo e depois simplesmente sumiu.
Minha mãe.
A voz dela soava fria, quase debochada.
Disse coisas que... até hoje ecoam na minha cabeça.
"Você é um perdedor igual ao seu pai."
"Não serve pra nada."
"Eu devia ter te abortado quando tive a chance."
Senti o sangue ferver.
Desliguei o telefone e virei o copo de uma vez. Depois outro. E outro.
Eu só queria que aquela voz sumisse da minha mente. Quando percebi, já tava cambaleando pra fora do bar. Mesmo bêbado, meus sentidos ainda funcionavam, o suficiente pra eu não desabar na calçada. Caminhei até o hotel, que ficava a poucas quadras dali, e entrei direto pela área da piscina interna.
A água estava parada, o ambiente silencioso.
Me sentei na borda, de short, e mergulhei as pés na água.
Foi aí que ela apareceu.
Sophie.
Usava só um roupão branco, o cabelo solto, o olhar cheio de segundas intenções.
Por um instante, achei que ela estivesse procurando alguém.
Sophie? Tá procurando alguém? — perguntei, tentando manter o foco.
Ela sorriu, lenta, e se aproximou.
Você, Daren. — sussurrou, colocando as mãos nos meus ombros. — Achei que devia estar frustrado com o jogo... então vim ver se precisava de companhia.
O toque dela queimava.
Antes que eu pudesse reagir, ela encostou os lábios perto do meu ouvido e completou:
Talvez eu possa te ajudar a esquecer. Vamos pro jacuzzi.
O hotel estava praticamente deserto. Três da manhã, ninguém por perto.
Eu podia ter dito "não".
Mas não disse.
Ela tirou o roupão, revelando o biquíni por baixo e eu simplesmente perdi o controle.
Peguei minhas coisas e a segui até o jacuzzi, que ficava duas portas adiante.
Entrei na água ainda de cueca. Sophie mergulhou, e em segundos já estava à minha frente, colada em mim.
Ela me beijou primeiro.
E eu... retribuí.
Minhas mãos foram parar na cintura dela, depois deslizaram até seus quadris.
O beijo ficou mais intenso, mais quente, até que o biquíni dela já não existia mais.
Foi rápido.
Foi insensato.
E foi o erro mais caro que eu já cometi
[...]
Sophie e eu tínhamos acabado de transar no jacuzzi. Ela sorriu, me deu um selinho e saiu da água como se nada tivesse acontecido.
Eu fiquei ali por alguns segundos, sentindo o peso do erro cair sobre mim como um soco.
Saí do jacuzzi, vesti a cueca e voltei pro quarto. Dividia o espaço com Michael e Jason.
O quarto estava escuro, o barulho do ar-condicionado era o único som.
Peguei o celular, e a primeira coisa que vi foi o fundo de tela com a foto da Alex.
Tinha tirado aquela foto no aniversário do Jason. O sorriso dela era leve, sincero... e agora doía só de olhar. Meu estômago revirou. A lembrança do que tinha acabado de fazer me queimava por dentro.
O celular vibrou.
Mensagem dela.
Mensagem ON
Alex: Espero que tenha corrido tudo bem! Um beijo.
Mensagem OFF
Olhei pra tela por alguns segundos antes de apagar a notificação.
Não consegui responder.
Naquele momento, tudo nela me irritava, o jeito doce, o olhar carinhoso, até as palavras simples.
Mas, no fundo, a raiva era de mim.
Fiquei ali, olhando pro teto, tentando me convencer de que o que eu sentia pela Alex tinha passado. Que eu precisava de "mulheres de verdade", não de uma menina como ela.
Mentira. Eu só não queria encarar o quanto eu tinha acabado de ferrar tudo.
No dia seguinte, o treinador reuniu o time pra avisar que a temporada acabou.
Sem nacionais, sem treinos, sem nada.
"Se concentrem nos estudos", ele disse.
Pra mim, aquilo soou como "fiquem sozinhos com seus próprios erros".
No ônibus de volta, Sophie não desgrudou de mim um segundo.
Ela sentou ao meu lado, encostou a cabeça no meu ombro e, no fundo, eu só queria desaparecer.
Mas deixei.
E pra piorar, como a gente estava no fundo do ônibus, ela começou a me provocar, rindo baixinho, e eu deixei acontecer.
De novo.
Flashback OFF
Agora, toda vez que olho pra Alex, sinto raiva.
Raiva de mim, dela, e principalmente do Scott.
Ele conseguiu o que queria: a minha namorada.
E o pior é que ela parece feliz com ele.
Durante as férias, meu pai me obrigou a viajar com ele, uma espécie de "retiro militar" pra "botar a cabeça no lugar".
Tudo o que eu não queria.
Eu só queria ficar em casa, me distrair com qualquer uma, esquecer o nome dela.
Mas era impossível.
Voltei pro colégio ainda com a cabeça cheia.
Hoje, estou na biblioteca, trocando uns beijos com Sophie, tentando fingir que nada mais me afeta, quando vejo Alex entrando.
De mãos dadas com Scott.
Meu sangue ferveu.
Eles estavam conversando, rindo, e ela olhava pra ele com aquele olhar que antes era meu.
Scott percebeu que eu os observava e fez aquela cara de nojo, como se fosse superior.
Quase levantei dali.
— Por que tá olhando praquele bando de perdedores? — Sophie perguntou, irritada.
Revirei os olhos.
Sophie, faz um favor? Cala a boca. — resmunguei.
Logo Jay, Steven, Brianna e Sasha se juntaram à gente. Os meninos começaram a falar de futebol, as meninas riam de qualquer coisa fútil. E, como se o destino quisesse testar minha paciência, Jason e Nicolle entraram também.
Eles foram direto pra Alex e Scott.
Jason chamou Scott pra fazer alguma coisa, e o idiota se despediu com um beijo na boca dela, bem na minha frente.
Olhando pra nerd, cara? — Steven zombou.
Antes que o cérebro processasse, meu punho já tinha acertado o rosto dele.
O barulho do soco ecoou na biblioteca.
Daren! — Sophie gritou, furiosa.
Eu apenas a ignorei, limpei o sangue dos meus dedos e saí. Ao cruzar o corredor, vi aqueles olhos azuis que eu conhecia tão bem me seguindo, curiosos.
Fingi não ver.
Fui direto pras arquibancadas, onde encontrei Michael.
Ele me lançou um olhar rápido e voltou a olhar pro campo, como se eu nem existisse.
Não o culpo.
Ele sempre foi leal à Alex.
E eu? Bom, eu mereço o desprezo dele.
Caminhei de volta pro dormitório.
Quando entrei, Jason e Scott estavam revirando algo nas coisas do Jason.
Fingi que não vi e fui direto pro banheiro. Tomei um banho gelado, tentando congelar a culpa, mas ela continuava grudada em mim.
Vesti só uma calça de moletom cinza e deitei na cama.
Peguei o celular e comecei a ver as fotos antigas, eu e Alex, rindo, brincando, como se nada pudesse dar errado. Por fora, eu pareço o cara frio, o jogador confiante.
Mas, por dentro, sinto falta dela todos os dias.
Não consigo suportar ver ela com o Scott.
Abri o WhatsApp.
A foto de perfil dela era em Paris, com ele.
Meu estômago embrulhou.
A vontade de socar alguma coisa ou alguém era imensa.
Eu sabia que o culpado era eu.
Mas a raiva não escolhe lado.
No início, achei que estava no controle. Achei que era o certo.
Mas agora...
ver ela com outro me destrói.
Eu sempre desconfiei do Scott.
Sempre soube que ele queria a Alex.
Ela dizia que era coisa da minha cabeça.
Mas olha onde a "minha cabeça" está agora.
Eu preciso pensar em algo.
Alguma forma de tê-la de volta.
Ela me fazia querer ser alguém melhor.
E eu joguei isso fora.
Fui atrás dela.
Bati na porta com força, cego de raiva.
A porta se abriu e não era Alex.
Era Nicolle.
— Algum problema com a porta do meu quarto? — perguntou, cínica. — Deixa eu adivinhar... quer transar com ela também pra esfregar na cara da Alex?
Fiquei em silêncio.
Não vai responder, não?
Jason apareceu logo atrás dela.
— Nick, quem é que... Daren? — ele franziu o cenho. — Mano, o que você quer aqui agora?
Ninguém mais ali suportava me ver.
E, sinceramente, eu também não me suportava.
Virei as costas e fui pro meu quarto.
Me joguei na cama, encarei o teto e fiquei ali, imóvel. Tentei dormir, mas o sono não veio.
Saí pra andar pelo colégio vazio.
Fui até as arquibancadas e olhei pro céu.
As nuvens estavam densas, pesadas.
Ia chover.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu quis que chovesse forte o bastante pra apagar tudo.

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