Daren
Réveillon à beira-mar.
O som das ondas batendo na areia, a brisa salgada cortando o ar e o céu já pontilhado de fogos-teste como se o próprio oceano respirasse no ritmo da festa. A casa de praia do Jason parecia um caos organizado: música alta, cheiro de churrasco misturado com perfume caro e risadas ecoando de todos os lados.
Era o tipo de noite em que ninguém se levava a sério. E, sinceramente, era exatamente do que eu precisava.
Michael estava na varanda, de bermuda e um colar de luzes piscando, berrando meu nome como se eu estivesse surdo.
— DAREN! — gritou, levantando duas latas de cerveja. — Tá esperando o quê, irmão? A vida não vai se viver sozinha!
Peguei a que ele jogou, abri num estalo e ergui no ar.
— Pela sobrevivência!
— Pela insanidade! — ele respondeu, gargalhando.
E assim começou: três caras, zero limites, nenhum plano.
Jason, sempre o mais insano, aumentou o volume da música até o chão vibrar.
Lexie, a irmã dele estava no meio da pista improvisada, dançando de olhos fechados, cabelos soltos, girando no ritmo da batida.
Michael entrou na dança com ela, todo desajeitado, o que só fez Lexie rir mais alto.
Os dois pareciam crianças brincando de esquecer o mundo.
Jason olhou pra mim, meio orgulhoso, meio bêbado.
— Cara, minha irmã tá humilhando geral. Olha isso! — disse, rindo, antes de ser puxado pela própria Lexie para dançar também.
E lá estavam os três, Jason, Michael e Lexie se acabando na pista, cada um mais descompensado que o outro. Eu fiquei encostado no corrimão da varanda, observando.
O som das risadas, o mar refletindo as luzes da casa, o cheiro de tequila e maresia.
E, mesmo sem querer, sorri.
Foi então que Maddison e Tatiana, amigas da Lexie apareceram.
Ambas lindas, rindo demais, cheirando a coco e bronzeador.
Tatiana usava um vestido dourado curto demais; Maddison, um macacão branco com brilhos nos ombros.
— Daren, né? — Tatiana perguntou, se aproximando com um copo na mão.
— Depende... se for pra dançar, talvez seja outro cara. — respondi, meio irônico.
Ela riu. Maddison se apoiou no parapeito ao meu lado.
— Você tá sempre assim? Com cara de quem vê o mundo de fora? — perguntou.
— Só tô vendo o show. — apontei pra pista, onde Michael e Jason tentavam sincronizar passos com Lexie e falhavam miseravelmente.
— É tipo um atentado ao ritmo — completei, e elas gargalharam.
Tatiana encostou o ombro no meu, provocando.
— Vem mostrar pra eles como se faz, vai.
— Prefiro continuar com o privilégio de rir de longe. — tomei um gole da cerveja, olhando o mar.
— Misterioso demais — Maddison brincou, fingindo anotar algo no ar. — "Bad boy introspectivo com alma de poeta e trauma mal resolvido".
Revirei os olhos.
— Vocês falam demais.
As duas riram, e o clima ficou leve, divertido.
Jason, pingando da piscina, passou correndo e gritou:
— CEM CONTOS SE EU ACERTAR O MERGULHO DE COSTAS!
— Você vai acertar o chão, idiota! — Michael respondeu, rindo tanto que quase caiu.
Jason pulou. Caiu torto. Água pra todo lado.
Lexie gritou, Michael gargalhou, e Tatiana bateu palmas como se fosse um feito olímpico.
Eu só ri, balançando a cabeça.
— A humanidade não tem salvação.
Quando os fogos começaram, o som engoliu o mundo. Cores explodiam sobre o mar — dourado, vermelho, verde — refletindo nas ondas e nas garrafas espalhadas pela varanda.
Todo mundo gritou junto a contagem:
— DEZ!
— NOVE!
— OITO!
Michael me passou uma garrafa de tequila.
— Último gole do ano, irmão!
Tomei direto da garrafa, o líquido queimando até o estômago.
— CINCO! QUATRO! TRÊS!
Jason surgiu de novo, pingando, Lexie dançava de pés descalços, Maddison ria com os cabelos colados na testa.
— DOIS! UM!
Fogos.
Explosões.
O mar espelhando o céu.
Gente se abraçando, se beijando, gritando.
Michael e Jason me puxaram num abraço forte, meio desajeitado.
— Feliz ano novo, seus idiotas! — eu disse, rindo.
E foi só isso.
Risos, barulho, confusão boa.
Nada de promessas, nem lembranças, nem peso no peito.
Apenas o som das ondas, o gosto de álcool e a certeza de que, por algumas horas, nada no mundo precisava fazer sentido.
O barulho dos fogos ainda ecoava quando Jason, já completamente encharcado, virou pra mim com aquele olhar de quem estava prestes a ter uma ideia idiota.
E, claro, as ideias idiotas dele eram sempre as mais tentadoras.
— Mano... — ele começou, arrastando as palavras — o mar tá ali, velho... nos chamando.
— Ele não tá chamando, Jason. Ele tá tentando te matar. — respondi, rindo.
Michael, com a garrafa de tequila na mão, completou:
— E quer saber? Acho que é uma ótima forma de morrer.
Olhei pros dois, depois pro oceano.
A lua refletia sobre a água, prateando as ondas. O vento batia no rosto, frio, mas com aquele gosto de sal e liberdade.
Suspirei.
— Tá. Bora morrer, então.
Jason gritou, jogou o copo pro alto e saiu correndo em direção à praia.
Michael foi atrás, tropeçando na areia, gargalhando como um maluco.
Eu tirei a camisa e fui junto, sentindo a areia fria e úmida entre os pés, o corpo ainda quente da festa.
O primeiro impacto da água foi um choque.
Fria, viva, arrebatadora.
Mas, em segundos, o corpo acostumou e tudo virou euforia.
Michael mergulhou e reapareceu gritando:
— ISSO É VIDA!
Jason jogou água pra todo lado, berrando uma música qualquer que ele inventou na hora.
E eu só ri, nadando mais pra longe, olhando o reflexo dos fogos ainda queimando no horizonte. O gosto de sal misturado com o álcool fazia o mundo girar de um jeito bom, um jeito que fazia tudo parecer possível.
Michael me alcançou, ainda rindo.
— Mano... promessa de ano novo: nunca crescer, nunca parar e nunca pensar demais.
— Fecha com você nessa, irmão. — respondi, batendo o punho no dele.
Jason se aproximou com uma garrafa nas mãos.
— ENCONTREI ISSO! — gritou, levantando a garrafa acima da cabeça.
— Jason, isso é rum! — Michael riu. — Onde diabos você achou isso?!
— Na mochila da Lexie! Ela vai me matar, mas o sacrifício é nobre!
Ele abriu, bebeu direto e tossiu forte.
— Caralho! Isso parece gasolina!
Eu peguei a garrafa e tomei um gole. O líquido queimou cada milímetro da garganta, e a sensação foi perfeita.
Era isso, calor, frio, riso, loucura.
A noite virou madrugada.
A lua desceu no céu.
A música da casa ainda chegava fraca até a praia, e a gente ficou ali, nadando, rindo, bebendo, jogando água um no outro como se o tempo tivesse parado.
Em algum momento, Jason começou a cantar alto demais, desafinado, e Michael tentou acompanhá-lo, pior ainda.
Eu me joguei de costas na água, olhando o céu cheio de estrelas e o rastro colorido dos fogos já se apagando.
O som do mar misturava-se às risadas.
O álcool já pesava, o corpo flutuava, e o mundo parecia rodar de forma lenta, quase hipnótica.
Michael veio boiando do meu lado, rindo sozinho.
— Cara... a vida é uma loucura, né?
— É. — respondi, com um meio sorriso. — E a gente é pior.
Jason gritou da beira:
— VEM, DAREN! TEM MAIS BEBIDA!
Saí da água com eles, todos molhados, tremendo e rindo, tropeçando na areia como se fosse um campo minado.
Nos jogamos na areia, abrimos mais uma garrafa e brindamos ao nada.
Depois disso... a lembrança fica borrada.
A risada de Michael ecoando.
Jason tentando fazer flexões e desabando de cara na areia.
O gosto salgado na boca.
O corpo pesado.
O som distante das ondas.
E, por fim, o apagão bom, aquele que vem quando a diversão vence o resto.
A madrugada engoliu tudo, e a praia ficou em silêncio.
Três corpos jogados na areia, o mar sussurrando por perto, e o novo ano começando do jeito certo: com bagunça, sal, álcool e liberdade
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Colégio Interno
Ficção AdolescenteNicolle Carter, Charlotte Backer, Alexandra Cameron e Angel Clark são inseparáveis. Quatro garotas completamente diferentes que, por motivos distintos, acabam se encontrando no mesmo colégio interno e desde então vivem como uma verdadeira irmandade...
