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Nicolle

Domingo sempre teve um sabor diferente para mim. Normalmente, passava o dia no colégio com minhas amigas, rindo, conversando, planejando nossas pequenas aventuras e, claro, comentando sobre todos os dramas e romances que permeavam a escola. Mas hoje era diferente. Hoje, o dia estava estranho e silencioso, porque todas nós estávamos ocupadas com nossos próprios namorados. Era engraçado pensar nisso: todo o meu círculo de amizade, que sempre parecia girar em torno de nós mesmas, de repente se expandiu para incluir nossos garotos. Charlotte tinha me contado na sexta-feira que o Michael finalmente havia pedido ela em namoro. E, sinceramente, não era surpresa para ninguém, todo mundo já sabia que eles se gostavam, mas Charlotte sempre negava quando alguém perguntava. Eu mal podia conter a risada só de imaginar a cara do Michael nervoso, tentando ser romântico e sério ao mesmo tempo. E, claro, a Charlotte, toda corada e com aquele sorriso tímido que só ela sabe fazer, dizendo sim no momento perfeito. Eu podia ver a cena claramente na minha mente. E pensar na nossa situação era quase surreal. Nicolle Carter e Jason Drummond... nós, finalmente, namorando de verdade, sem esconder nada. Alexandra Cameron e Daren Mcclaren, casal firme, sempre sorrindo um para o outro. Michael Cantwell e Charlotte Backer, recém-namorados e radiantes. Era quase como se o mundo tivesse decidido nos premiar por toda a nossa paciência e insistência em não nos precipitarmos. Um domingo tranquilo em casa parecia o cenário perfeito para refletir sobre isso.
Com meus pensamentos girando em torno disso, comecei a me preparar para o dia. Como meus pais tinham viajado, a casa seria apenas minha e do Jason, o que significava liberdade total para nós dois. Não que eu precisasse de muito planejamento para um domingo caseiro, mas havia um prazer enorme em preparar cada pequeno detalhe para garantir que tudo fosse perfeito. Comecei pelo café da manhã. Decidi caprichar em algo simples, mas gostoso: preparei panquecas com mel, coloquei algumas frutas fatiadas, banana e maçã, as que eu tinha em casa  e fiz um cappuccino bem cremoso. Coloquei tudo na bandeja com cuidado, decorando com um pouquinho de chocolate ralado por cima das panquecas. O aroma doce e aconchegante invadiu a cozinha e me trouxe uma sensação imediata de conforto.
Enquanto comia, sentei-me na mesa da cozinha com o olhar vagando pelo quintal, observando a luz suave do sol de domingo entrando pelas janelas. O brilho dourado refletia nas paredes e no piso de madeira, criando pequenos pontos de luz que faziam tudo parecer ainda mais acolhedor. Respirei fundo, sentindo-me completamente relaxada, consciente de que não tinha pressa, nenhuma obrigação e ninguém para me interromper. Quando terminei, lavei cuidadosamente tudo o que usei. Cada prato, cada copo, cada utensílio tinha que estar no lugar, mas sem pressa - havia uma calma deliciosa em executar cada ação. Depois, subi para o meu quarto, sentindo o calor do sol atravessando a janela do corredor e acariciando meus braços.
No quarto, larguei a bandeja e me joguei na cama, abraçando o travesseiro. Ficava ali, olhando para o teto, deixando minha mente vagar. Pensava em Jason, imaginando quando ele chegaria, como ele iria me provocar com aquele sorriso brincalhão que eu tanto amava, e como o dia seria nosso, sem horários, sem interrupções. Vesti uma roupa confortável: um moletom fofinho e uma calça leve, perfeita para ficar deitada, assistir a filmes ou simplesmente jogar conversa fora com ele sem me preocupar com nada. Puxei o cabelo para trás com um prendedor e me sentei na beira da cama, pensando nas pequenas coisas que queria fazer hoje. Talvez preparássemos algo juntos na cozinha, ou apenas ficássemos deitados, conversando sobre tudo e sobre nada, enquanto o tempo passava lentamente. O silêncio da casa me envolvia de uma maneira estranha e maravilhosa. Não havia o burburinho habitual da empregada mexendo nos móveis ou arrumando o quarto. Era só eu, o sol entrando pela janela e o coração acelerado só de pensar em Jason chegando a qualquer momento. Decidi pegar meu celular, rolar pelas mensagens e ver se ele já tinha saído de casa. Meu coração acelerava a cada notificação, esperando aquela mensagem dele dizendo que estava a caminho. Sorri sozinha, rindo das minhas próprias expectativas, mas admitindo para mim mesma que não havia nada mais gostoso do que esperar por alguém que fazia cada segundo valer a pena.
Enquanto isso, fiquei deitada na cama, abraçando meu travesseiro e imaginando o que faríamos juntos. Talvez uma maratona de filmes, talvez apenas conversar sobre nada, rindo das nossas próprias piadas internas. Eu podia ouvir o vento balançando levemente as árvores lá fora, e o som era como uma trilha sonora perfeita para um dia que prometia ser especial, tranquilo e só nosso. Sentir o calor do sol, o cheiro suave do café da manhã ainda pairando no ar e a expectativa de Jason chegando fez meu coração bater mais rápido. Sorri, fechando os olhos por um momento, tentando guardar cada sensação, porque eu sabia que esses domingos assim, simples e perfeitos, seriam lembranças que eu jamais esqueceria. O som da campainha me despertou, fazendo meu corpo se mexer lentamente no sofá. Tinha acabado de pegar no sono depois do café da manhã preguiçoso e da manhã tranquila, e agora o barulho me tirava daquele cochilo gostoso. Levantei-me devagar, arrastando os pés pelo piso frio da entrada, e abri a porta.
E lá estava ele: Jason Drummond, com aquele sorriso que me fazia derreter, segurando duas caixas gigantes de pizza.
Oi falou, depositando um beijo delicado na minha testa, e logo entregou uma das caixas para mim. - Toma, guarda isto que eu vou pegar o resto das coisas.
Jason? — chamei, franzindo a testa. - Que resto das coisas? Eu falei para você que bancava tudo, não precisava disso tudo. — Apesar de querer parecer séria, não pude deixar de sorrir. Ele realmente sabia como me surpreender, mesmo quando eu tentava impedir.
Você fala demais, Nicolle — respondeu, sorrindo de lado, antes de se virar e sair em direção ao carro.
Segurei a pizza com cuidado e caminhei em direção à sala de estar, sentindo o calor do sol que entrava pelas janelas me aquecer o rosto. Coloquei as caixas na mesa, mas minha atenção logo se voltou para ele quando entrou novamente, agora carregando uma caixa enorme e uma sacola no braço direito.
O que tem na caixa? — perguntei, curiosa.
Jason me ignorou com aquele sorriso maroto e me entregou a sacola. Abri devagar e encontrei dentro dela uma foto nossa emoldurada, com nossas iniciais gravadas nas margens. Meu coração disparou.
Nossa, Jason... adorei! Mas por quê? — minha voz saiu cheia de emoção.
Só porque você merece, Nicolle Carter — disse ele, com aquele tom de sempre, entre fofo e confiante.
Eu sorri, segurando a moldura contra o peito, sentindo meu coração bater mais rápido. Fazia dois meses que estávamos juntos, e apesar de ele ter seus momentos de idiota, era impossível não se apaixonar por essas pequenas atitudes.
Jason então abriu a enorme caixa, revelando uma variedade de chips, chocolates, Nutella e outras guloseimas que eu adorava. Sentamos no chão da sala, cruzando as pernas, e começamos a comer e conversar sobre o baile e outras bobagens. A pizza estava divina: massa fina, borda recheada e bem crocante, exatamente como eu gostava.
Não sei se tem clima para ir ao baile — comentei, olhando para ele.
Ele me olhou confuso.
Como assim? — perguntou.
Sua ex-namorada e as ex's namoradas dos namorados das minhas amigas estarão lá... e vai dar treta — expliquei, balançando a cabeça.
Jason riu. - As Cats só querem chamar atenção, Nick.
É verdade — concordei, dando de ombros, mas mesmo assim sabia que ele tinha razão. - Mas mesmo assim preciso falar com minhas amigas... não posso tomar essa decisão sozinha.
—  Pena que elas acabam sempre se dando mal ou passando vergonha —  , rindo alto.
Nosso dia seguiu tranquilo, entre risadas, besteiras e conversas aleatórias. Eu adorava esses momentos com ele, sua companhia era única, especial, e fazia meu coração se sentir leve.
Nick, já está ficando tarde e eu preciso ir —  disse ele, pegando as caixas vazias e se levantando.
Ué, desde quando a hora foi tão significativa para você? —  perguntei, brincando, mas meu coração deu um pequeno aperto só de pensar em ele saindo.
A gente se vê, morena —  disse, me dando um beijo rápido nos lábios antes de sair pela porta.
Quando a porta se fechou, fiquei olhando para o espaço vazio por alguns segundos, sentindo falta do calor da presença dele. O plano inicial era tomar um banho, mas eu estava tão cansada que decidi que dormir na sala seria melhor. Me joguei de volta no sofá, me encolhi entre as almofadas macias e, com o corpo ainda relaxado pelo dia preguiçoso e pelo conforto da pizza, peguei no sono quase imediatamente, embalando-me no silêncio da casa vazia. O dia tinha sido perfeito, simples e cheio de pequenas surpresas, e eu dormi com um sorriso bobo no rosto, já sonhando com o próximo momento que passaria com Jason.

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