Daren Mcclaren

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Meu nome é Daren, tenho 20 anos, e estou aqui, num colégio interno de elite, não por escolha, mas por ordem direta do meu pai. Segundo ele, se eu não quisesse acabar num campo militar, eu teria que estudar aqui, no melhor colégio interno do país. Simples assim. Ele não perguntou se eu queria, não quis saber como eu me sentia. Só jogou a decisão na minha cara e esperava que eu aceitasse calado. Como sempre.
A verdade é que a nossa relação nunca foi boa. Desde o divórcio dos meus pais, tudo ficou ainda pior. Ele nunca foi um homem fácil, mas depois que minha mãe saiu de casa, parece que a frustração dele encontrou em mim um alvo perfeito. Ele desconta a raiva, a mágoa, o orgulho ferido, tudo em mim. Às vezes em silêncio, às vezes em palavras duras, outras vezes no descaso. É como se ele tivesse deixado de me ver como filho e me enxergasse apenas como um problema que sobrou.
Minha mãe, bom... ela foi embora. Abandonou a gente. Um dia estava em casa, e no outro, já estava morando com um cara que tem praticamente metade da idade dela. Aquilo me revoltou de um jeito que até hoje eu não consigo digerir. Ela me deixou para trás sem pensar duas vezes, como se eu não fosse parte da vida dela, como se eu fosse um erro de um tempo que ela queria apagar. Depois disso, meu pai mergulhou no trabalho, e eu fiquei sozinho no meio do caos.
Não tenho irmãos. Não tenho primos, tios, avós. Pelo menos, não aqui nos Estados Unidos. É só eu e ele. E quando eu digo só, é no sentido mais literal da palavra. Porque, mesmo morando na mesma casa, a presença do meu pai é quase inexistente. Ele sai cedo, volta tarde, e mesmo quando está por perto, está distante. Sempre com o celular na mão, sempre com um e-mail urgente, sempre com a cabeça em outro lugar. Nunca aqui. Nunca comigo.
Essa ausência constante fez com que eu começasse a procurar amor em outros lugares. De todos os jeitos. Porque o vazio que a minha mãe deixou e a frieza do meu pai criaram um buraco dentro de mim. E eu precisava, de algum jeito, tapar esse buraco. Me joguei em relações rápidas, em noites vazias, em distrações que me fizessem esquecer, nem que fosse por algumas horas, que eu fui deixado para trás por quem deveria ter ficado. Eu não sou ruim. Só fui ferido cedo demais. Fui empurrado para a maturidade sem estar pronto, sem apoio, sem base. E agora, aqui, nesse colégio interno, cercado de gente que talvez tenha histórias parecidas ou completamente diferentes, eu só quero entender quem eu sou sem toda essa bagagem. Quero encontrar algo que me faça sentir inteiro de novo.
Ou, pelo menos, um pouco menos quebrado

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