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Nicolle

O sol entrava lentamente pelas cortinas do meu quarto, espalhando uma luz dourada e suave pelo chão de madeira. Abri os olhos devagar, sentindo o peso leve do sono ainda sobre o corpo. Por alguns segundos, fiquei ali, deitada, apenas ouvindo o silêncio da manhã, o tique-taque do relógio, o farfalhar das folhas na varanda e o canto distante de alguns pássaros.
Suspirei, espreguiçando-me lentamente, sentindo cada músculo acordar com calma. Havia algo de reconfortante nesse começo de dia tranquilo, antes da correria, antes das decisões e da rotina habitual. Hoje, porém, meu pensamento já estava com alguém: Alexandra. Levantei-me, caminhei até a janela e deixei a luz do sol aquecer meu rosto. Pensar nela me trouxe uma pontada de ansiedade, misturada com expectativa: era a primeira vez que a visitaria depois da cirurgia, e eu queria ter certeza de que ela estava bem, que estava confortável.
Desci para a cozinha, preparando uma xícara de chá. O aroma quente do líquido preenchia o ambiente, trazendo uma sensação de calma. Sentei-me à mesa por alguns minutos, tomando pequenos goles, deixando a mente organizar os pensamentos. "Como estará ela? Conseguirá se movimentar bem? Estará descansando o suficiente?", uma série de perguntas girava em minha cabeça, mas não adiantava me preocupar demais; precisava ser paciente, gentil e presente.
Depois do chá, arrumei rapidamente algumas coisas em uma bolsa: meu celular, a carteira e um pequeno presente que queria levar para alegrar o dia da Alexandra. Olhei-me no espelho, ajustei o cabelo e respirei fundo, repetindo mentalmente: "Vai dar tudo certo. Ela vai ficar bem. Eu só preciso estar lá."
Saí de casa e entrei no carro, ligando o motor e sentindo o calor suave do banco enquanto me preparava para a pequena viagem. O caminho até a casa da Alexandra não era mais familiar, mas a cada curva meu coração batia mais rápido. Havia aquela mistura de ansiedade e expectativa que só se sente quando vamos visitar alguém que amamos e queremos proteger. Respirei fundo mais uma vez, deixando a tranquilidade do início da manhã me envolver. Hoje, eu estaria com a minha melhor amiga. Hoje, eu poderia vê-la, conversar com ela e, mesmo de forma silenciosa, mostrar que não estava sozinha.
Estacionei o carro e respirei fundo mais uma vez, tentando acalmar o coração. Cada passo em direção à porta da casa parecia aumentar a mistura de ansiedade e cuidado que sentia. Toquei a campainha com delicadeza, quase sem fazer barulho.
Alguns segundos depois, a porta se abriu, e quem estava ali não era Alexandra, mas Scott. Ele me olhou com um sorriso tranquilo, acolhedor.
— Nicolle, oi — disse ele, com a voz calma. — Ela está descansando, mas pode te receber.
— Oi, Scott — respondi, sorrindo, tentando que minha voz soasse leve. — Obrigada... como ela está?
— Melhor, está descansando, mas ainda não pode fazer esforços. Vou te acompanhar até o quarto dela.
Agradeci, sentindo uma ponta de alívio. Segui-o pelo corredor, absorvendo cada detalhe da casa nova: a luz suave entrando pelas janelas, os tons claros nas paredes, o cheiro fresco e delicado que preenchia o ambiente. Tudo era acolhedor, silencioso, perfeito para alguém que precisava de cuidado. Quando chegamos ao quarto, a porta se abriu e lá estava Alexandra, sentada confortavelmente na cama, apoiada em travesseiros, o cobertor leve cobrindo as pernas. Ela levantou os olhos e me viu, e naquele instante todo o meu cuidado, toda a ansiedade, se transformou em alívio.
Nick! — murmurou ela, com um sorriso frágil, mas cheio de alegria.
— Alex! — respondi, sentindo meu coração aquecer. — Eu estava com tantas saudades de você. — falei me sentando na cama dela
Como que foi a sua viagem, Nick? — perguntou Alexandra, os olhos brilhando de curiosidade enquanto tentava se ajeitar melhor nos travesseiros.
Foi ótima. — respondi, sorrindo ao lembrar de cada momento — Foi a melhor viagem da minha vida, mas confesso que senti muitas saudades de você, da Charlotte, da Angel e, claro, do Jason. — Pausei por um instante, olhando para ela com carinho — E a sua cirurgia? Melhor dizendo, como está indo a sua recuperação?
Alexandra suspirou, ajeitando o cobertor sobre as pernas com delicadeza, e deixou escapar um olhar triste.
Ah, Nick... nada de mais. — disse, a voz baixa e quase melancólica — Só sinto falta de fazer as coisas que gosto, de estar com as pessoas que amo.
Senti um aperto no peito ao vê-la assim, mas tentei manter a voz leve, segurando suas mãos entre as minhas.
E o Daren? Ele já veio ver você? — perguntei, curiosa.
Ela assentiu levemente, corando de forma sutil, e desviou o olhar, mas o sorriso tímido que surgiu nos lábios denunciava a alegria de tê-lo por perto.
Passamos alguns minutos conversando sobre diversas coisas: pequenos detalhes do bairro, histórias engraçadas da infância, e até lembranças de viagens passadas. O tempo parecia desacelerar dentro do quarto, tornando cada palavra, cada risada contida, mais preciosa. De repente, um toque na porta interrompeu nossa conversa. Alexandra olhou para mim e sorriu, e eu assenti, levantando a mão para autorizar a entrada. A porta se abriu devagar, e lá estava Alyssa, com um bandeijão cheio de coisas deliciosas, o sorriso iluminando o rosto.
Alguém está com fome? — perguntou divertida, equilibrando a bandeja com cuidado para não derrubar nada.
Alexandra se ajeitou na cama, os olhos brilhando de expectativa, e respondeu com entusiasmo:
Ai, mamãe, eu já estava morrendo de fome!
Alyssa se aproximou, distribuindo as pequenas porções com cuidado, garantindo que nada caísse sobre o cobertor ou no chão. O cheiro dos alimentos recém-preparados preencheu o quarto, misturando-se com o aroma suave do chá que ainda estava na mesa de cabeceira. Alexandra estendeu as mãos para pegar os pratos, e eu a ajudei a equilibrar tudo sobre a cama, sorrindo para ela enquanto ela saboreava cada pedacinho com uma expressão de felicidade simples, mas genuína.
O ambiente se encheu de risadas, pequenas conversas e aquele calor aconchegante que só a presença da família e amigos próximos consegue trazer. Mesmo com a recuperação ainda em andamento, Alexandra parecia mais leve, cercada de cuidado, atenção e amor.
Passei o dia todo com minha melhor amiga, foi muito bom, assim ela não se sente sozinha também a recuperação dela não pesa nela. Quando deram 7 da noite, eu me despedi de Alex, eu precisava passar pela casa do meu namorado porque desde que eu cheguei de viagem ainda não o vi.
Saí da casa da Alex me sentindo bem melhor. Ela estava se recuperando direitinho, e isso já deixava tudo mais leve. Entrei no carro e fui direto pra casa do Jason. Desde que voltei da viagem, a gente só tinha se falado por mensagem, então eu tava morrendo de saudade. Quando cheguei, ele já veio abrir a porta com aquele sorrisinho de quem tá pronto pra zoar.
Olha só quem apareceu — disse ele, cruzando os braços.
Nem voltei direito e já tá me julgando — respondi, rindo.
Só um pouquinho. — Ele abriu os braços e me puxou pra um abraço rápido. — Tava com saudade, vai.
— Também tava — falei, ainda rindo.
Entramos e ele já veio com o clássico:
— Quer pizza? Sobrou da tarde.
Jason, você vive de pizza, né? — brinquei, sentando no sofá.
É o combustível da juventude. — Ele deu de ombros, sentando do meu lado.
Aff. Cadê o Michael? — perguntei olhando para ele
— Com a Charlotte.— respondeu — Você não veio aqui para perguntar onde o Michael está, não é ?
— Você tem razão.
A gente ficou conversando um tempão. Contei sobre a Alex, que tava melhor, mas ainda bem quieta. Ele ouviu e fez aquele tipo de comentário dele:
Aposto que você fez ela rir, porque ninguém escapa das suas histórias.
— Ai cala a boca — ri, empurrando de leve o ombro dele. — Só tentei deixar ela mais animada, tadinha.
— E conseguiu, né? — disse ele, com um meio sorriso.
Ficamos um tempo mexendo no celular, ouvindo música, falando besteira. Era sempre assim, leve, fácil, sem precisar forçar conversa.
Quando olhei o horário, já tava tarde.
Ok, preciso ir antes que minha mãe comece a mandar áudio com drama.
Manda ela relaxar, tô cuidando bem de você — ele disse, fingindo ser sério.
— Claro, cuidando com pizza fria e piadas ruins.
— Ei, minhas piadas são ótimas — respondeu, rindo.
Abracei ele de novo na porta.
— Foi bom te ver, J. De verdade.
— Também, Nick. E da próxima vez, traz sobremesa.
Prometo — falei, sorrindo antes de sair.
Voltei pra casa com o coração leve. Depois de um dia cheio, terminar rindo com ele era tudo que eu precisava.

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