Angel
Eu não estudo mais com minhas três melhores amigas, mas mesmo assim me sinto feliz onde estou. Ethan é um fofo, bem diferente de mim, mas dizem que os opostos se atraem, e acho que é verdade.
Ao longo deste ano, ele tem me ajudado com tudo que precisei enquanto me acostumava com o novo colégio, que também é interno, como o anterior. Vejo Ethan todos os dias, e isso me deixa feliz de um jeito simples, constante. Ele quase sempre me presenteia com doces ou salgados que leva no refeitório, pensando em mim, e eu não consigo evitar sorrir cada vez que ele me entrega algo. É um desses pequenos gestos que mostram o quanto ele se importa.
Este ano teremos baile por sermos finalistas, mas confesso que estou nervosa. Não sei se Ethan vai aceitar ir assistir o baile da Cheshire Academy comigo, e isso me deixa ansiosa. Além disso, eu tenho que contar a ele sobre minha escolha de faculdade. Ele quer estudar em Yale, eu fui aceita em Harvard, e isso significa que não vamos nos ver todos os dias. Só de pensar nisso, meu peito aperta.
— Angel, você está bem? — perguntou Ethan, preocupado, enquanto caminhávamos lado a lado pelo parque.
— Sim, Ethan... mas eu preciso te falar uma coisa — fiz uma pausa, engolindo a ansiedade. — Eu fui aceita em Harvard.
— Que bom para você, Angel — disse ele, sorrindo, e meu coração apertou de alegria junto com aquele toque de medo.
— Isso significa que não vamos passar todos os dias juntos, Ethan — falei, tentando manter a calma, mas sentindo minha voz tremendo levemente.
Ele olhou para mim com um misto de ternura e compreensão.
— Eu sei, Angel... e sinceramente, não queria que isso acontecesse. Mas você precisa seguir seus sonhos, e eu os meus. Desde que a gente sempre se apoie, estarei feliz — respondeu, segurando minha mão com firmeza.
Um sorriso aliviado se formou nos meus lábios, mas eu tinha mais uma pergunta guardada, que me deixava nervosa:
— Ah, e mais uma coisa... você se importa de irmos juntos ao baile da Cheshire Academy? — perguntei, receosa. — Eu ia adorar ir ao baile com você.
Ele sorriu, e o jeito que seus olhos brilharam fez meu coração disparar.
— Claro que não... você quer ser meu par? — perguntou, tímido, mas firme.
— Seria uma honra, meu amor — respondi, sorrindo e lhe dando um beijo suave.
No meu colégio atual, diferente da Cheshire Academy, você passava o fim de semana com a família e só voltava no domingo à noite. Mas agora, com o ano chegando ao fim, eu não precisaria mais fazer essas rotas de ida e volta para casa. Poderia aproveitar cada momento ao lado do Ethan, e isso me deixava leve, feliz e ansiosa ao mesmo tempo.
Pouco tempo atrás, estávamos no McDonald's, rindo e dividindo um milk-shake, mas agora caminhávamos pelo parque, aproveitando a companhia um do outro. O vento fresco mexia em meus cabelos, e a sensação de normalidade e conforto ao lado dele me fazia querer que aquele momento nunca acabasse.
— Eu acho que isso pode dar certo — retomei o assunto, hesitante, mas esperançosa.
— Isso? Isso o quê, Angel? — perguntou, confuso, parando e me olhando nos olhos.
— Nós... nós dois — falei, sentindo meu rosto esquentar. — Mesmo com Yale e Harvard... mesmo com tudo diferente... eu quero que a gente tente, Ethan.
Ele sorriu, apertou minha mão e disse baixinho:
— Então a gente vai tentar, Angel. Sempre juntos, mesmo que às vezes seja difícil.
Meu peito se encheu de alegria, e enquanto continuávamos caminhando lado a lado, senti que nada poderia ser mais certo do que aquele momento
— A gente, Ethan... você em Yale e eu em Harvard... — falei, tentando sorrir enquanto segurava a mão dele. — Quero dizer que quando eu me mudar para Massachusetts, Cambridge, você poderá me visitar de duas em duas semanas, e a gente vai aproveitar o tempo que tiver junto. Não acha?
— Claro — respondeu ele, apertando minha mão com carinho. — Mas você também deve me visitar em New Haven, fechado?
— Fechado — sorri, apertando firme a mão dele. Nós dois rimos baixinho, sentindo aquela sensação boa de cumplicidade.
Continuamos caminhando pelo parque, conversando sobre planos para o futuro, sobre o baile, sobre o que fazer no verão. A brisa leve balançava nossos cabelos, e parecia que nada podia nos interromper naquele momento... até que ela apareceu. Uma garota muito bonita, de cabelos longos e sorriso confiante, aproximou-se de Ethan como se fosse dona do mundo.
— Ethan! Oi, por onde você andou? — falou, toda animada.
Eu congelei. Por um instante, achei que tinha ouvido errado.
— Rachelle... eu não acho que esse seja o momento ideal para a gente conversar — respondeu ele, firme, mas tentando não parecer grosseiro.
— Como assim? — insistiu ela, mordendo o lábio inferior. — Eu fiquei com saudades de você, amor.
"Amor?" repeti mentalmente, sem acreditar. Amor?
— Amor? — perguntei, olhando para Ethan, confusa e meio em choque.
— Sim... — respondeu Rachelle, cruzando os braços com uma expressão de quem esperava aprovação. — Ethan e eu estamos ficando.
Meu coração disparou, e a raiva subiu de repente como fogo.
— O quê? — consegui balbuciar, olhando para Ethan.
— Nós não estamos ficando, Rachelle — disse ele, com firmeza, olhando diretamente para ela.
Respirei fundo, tentando não perder a compostura. Meus olhos brilharam de raiva contida.
— Me explica isso direito, Rachelle — falei, com uma pitada de cinismo, olhando para Ethan como se quisesse entender tudo de uma vez.
— Faz algum tempo que eu e Ethan estamos ficando — ela disse, dando de ombros, como se fosse a coisa mais natural do mundo. — Só que a gente não se vê muito.
"Algum tempo?" repeti em minha cabeça, sentindo o mundo girar. Eu precisava sair dali, precisava de espaço antes de explodir ou fazer alguma besteira.
— Espero que vocês sejam muito felizes — falei com uma voz controlada, mas firme, e comecei a andar devagar, sem pressa. Não ia fazer um show, não ia gritar nem implorar. Isso não era o que eu queria ser.
— Angel, me deixa explicar... — começou Ethan, correndo atrás de mim, a preocupação estampada no rosto.
— Não — interrompi, sem nem olhar para trás. — Eu não deixo você me enganar mais do que já fez — falei, firme, e continuei andando. Cada passo era como tentar colocar meu coração de volta no lugar.
Enquanto me afastava, sentia cada lembrança que eu tinha dele virar uma faca no peito. Mas, ao mesmo tempo, uma parte de mim sabia que precisava de tempo para pensar, para respirar. Eu não podia me deixar envolver por palavras que agora tinham perdido todo o sentido.
O parque parecia silencioso de repente, como se todo o mundo tivesse parado para que eu sentisse aquela dor, aquele choque de decepção. Respirei fundo, tentando controlar os pensamentos que giravam em minha mente, lembranças, planos, promessas que agora pareciam frágeis demais.
Eu não sabia quanto tempo iria andar até que a raiva e a tristeza se misturassem em algo que eu pudesse controlar, mas sabia que não seria hoje que eu permitiria que alguém mexesse com meu coração desse jeito de novo. Ethan não veio atrás de mim. Por fora, eu aparentava estar calma, como se nada tivesse acontecido, mas por dentro, eu estava despedaçada. Não merecia aquilo. Não depois de ter amado ele do jeito que amei, com cada pedaço do meu coração entregue sem reservas. Cheguei em casa e corri para o meu quarto. Fechei a porta, joguei-me na cama e finalmente me permiti chorar como uma criança. As lágrimas caíam sem parar, uma sucessão de dor que parecia não ter fim. Eu não queria sentir aquilo, e a lembrança de que ele me dizia "eu amo você" agora parecia uma mentira cruel.
Nosso pacto, tudo que havíamos prometido um ao outro, estava quebrado. E a dúvida latejava na minha mente: será que tudo tinha sido uma atuação? Será que ele alguma vez realmente gostou de mim?
Com as mãos ainda trêmulas, peguei meu celular e liguei para Alex. Eu sabia que naquele momento ela seria a única capaz de entender minha dor, afinal, ela tinha passado por algo quase idêntico com o Daren.
Ligação ON
— Oi, Angel — disse Alex, com a voz ainda sonolenta, provavelmente acordando com a chamada.
— Oi, Alex... desculpa incomodar você, mas podemos falar? — perguntei, tentando controlar o tremor na minha voz.
— Você nunca me incomoda. Sua voz está rouca... o que aconteceu? — perguntou, preocupada.
— O Ethan... ele... ele me traiu — falei, e as palavras saíram acompanhadas de outro desabafo, as lágrimas voltando a escorrer pelo meu rosto.
— Oh, Angel... não fica assim, amiga — falou ela, tentando me confortar. — Essas coisas acontecem o tempo todo, e você precisa seguir em frente.
— E quanto à dor, Alex? — perguntei, engolindo o choro.
— Ela sempre existirá — respondeu, com a voz calma e firme. — Mas você pode escolher anemizá-la ou aumentá-la. Você decide.
Respirei fundo, sentindo que cada palavra dela tocava meu coração partido.
— Obrigada, amiga — murmurei, sentindo um leve alívio no peito.
— De nada, Angel. Agora vê se relaxa e esquece tudo que aconteceu hoje, tá bom? — sugeriu ela, tentando me fazer sorrir mesmo à distância.
— Tá — falei, dando por terminada a ligação.
Ligação OFF
Fechei os olhos por um instante e respirei devagar, tentando acalmar o coração que ainda batia descompassado. Ainda doía, mas de alguma forma, sentir a presença de Alex, mesmo à distância, trouxe uma pequena luz no fim do túnel. Eu tinha tantas recordações... fotos, momentos acumulados na minha mente. Como poderia fazer com que tudo isso simplesmente desaparecesse para sempre? Cada sorriso, cada abraço, cada palavra dele parecia gravada na minha memória como se fosse impossível de apagar. Deveria ter desconfiado. Ele era perfeito demais para mim, perfeito demais para ser real. E enquanto esses pensamentos rodopiavam na minha cabeça, acabei adormecendo, exausta emocionalmente.
[...]
Acordei com batidas suaves na porta.
— Pode entrar — falei, tentando controlar a voz ainda rouca de tanto chorar.
A porta se abriu, e lá estava Paris Clark, mais conhecida como minha mãe. Ela entrou e sentou-se na beirada da minha cama, com os olhos preocupados.
— Angel... Angel querida, o que você tem? Estava chorando? — perguntou, com a voz doce, mas firme, segurando minha mão.
— Não, mãe... entrou um cisco no meu olho — sorri nervosa, tentando disfarçar.
— Angel Clark, eu te conheço como a palma da minha mão. Me conta, vai — insistiu, olhando direto para mim.
Respirei fundo e falei baixinho:
— Eu e o Ethan terminamos — disse finalmente, sentindo um nó no peito.
Minha mãe suspirou e me puxou para um abraço apertado.
— Oh, querida... os namorados vêm e vão. Não se preocupe, você é jovem e muito linda. Vai achar alguém quando menos esperar — disse ela, me beijando na testa, me fazendo sentir segura de novo.
— Obrigada, mãe — respondi, apertando-a, e senti um pouco da dor se transformar em conforto.
— Vamos jantar? Pedi pizza — sorriu, tentando me animar.
— Ebaaaaa! Vou já, mãe! — gritei animada, e ela saiu do quarto. Corri para tomar um banho rápido antes de descer para o jantar com meus pais, tentando deixar a tristeza um pouco de lado.
Depois do jantar, enquanto limpávamos a mesa, meu celular tocou. Olhei para a tela e vi: Ethan. Meu coração disparou. Ele disse que estava lá fora e pediu para eu descer, porque não queria acordar meus pais com a campainha. Olhei pela janela e, para minha surpresa, lá estava ele, de pé, olhando para a porta com uma expressão séria, mas ansiosa.
Fiquei parada por uns quinze minutos, pensando se deveria atender ou não. Mas percebi que ele não iria embora sem falar comigo. Respirei fundo, tentei acalmar o coração e desci cuidadosamente, evitando fazer barulho. Cada passo parecia uma eternidade. Quando me aproximei dele, quase não consegui falar.
— Oi — disse ele, tentando sorrir, mas dava para perceber a preocupação em seus olhos.
— Oi — respondi, cumprimentando-o de volta, mas olhei para os meus pés, tentando não encará-lo direto. — O que você quer falar comigo?
Ele respirou fundo e começou, com a voz firme, mas carregada de sinceridade:
— Eu queria explicar para você que eu não estou ficando com a Rachelle. Eu juro para você, nunca fiquei com ela. Ela sempre gostou de mim, mas eu nunca quis nada com ela. E quando você apareceu, eu me apaixonei por você... eu te amo.
Meu coração disparou, mas eu ainda estava confusa.
— Ethan... eu... eu preciso de um tempo para pensar. Você acabou de me falar que não estava ficando com a menina que alegou isso... e... eu não sei se consigo acreditar em você — falei, a voz embargada.
— Angel, eu nunca menti para você, eu juro — disse ele, aproximando-se devagar, tentando me transmitir confiança.
— Eu prometo que vou pensar — expliquei, segurando minha respiração, tentando controlar as lágrimas que ainda insistiam em cair. — Mas agora eu preciso de tempo. A notícia me pegou de surpresa, e pensar que aquilo poderia ser real me deixa sem chão. Eu amo você com todo meu coração, mas me dá um tempo para pensar.
Ethan deu um passo mais perto, levantou meu queixo com delicadeza e aproximou seu rosto do meu. Ele me beijou carinhosamente, com aquela ternura que só ele sabia transmitir. Eu cedi ao beijo por um instante e, quando nos separamos, sussurrei baixinho:
— Eu também amo você.
Por um instante, o mundo pareceu parar. E mesmo com toda a confusão e dor que havia sentido, naquele beijo eu senti que talvez ainda houvesse uma chance... uma chance de que o que sentíamos fosse real.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Colégio Interno
Ficção AdolescenteNicolle Carter, Charlotte Backer, Alexandra Cameron e Angel Clark são inseparáveis. Quatro garotas completamente diferentes que, por motivos distintos, acabam se encontrando no mesmo colégio interno e desde então vivem como uma verdadeira irmandade...
