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Alexandra

O dia em que decidimos fazer a campanha para o Scott estava perfeito e caótico ao mesmo tempo. Ele não queria se candidatar, mas eu sabia que, se tentasse, todos veriam o quanto ele merece.
Vamos lá, pessoal, precisamos espalhar a palavra — falei, tentando animar todos nos corredores.
Nicolle pegou o megafone improvisado com cartolina:
VOTEM NO SCOTT PARA REI DO BAILE! — gritou, cheia de energia. — ELE MERECE, É INTELIGENTE, BONITO E SERIA UM ÓTIMO REI.
O namorado dela sorriu e deu-lhe um beijo rápido. Eu sorri sem querer, aquela cena era adorável.
Estamos fazendo campanha, não bajulação — resmungou Jason, cruzando os braços.
Nicolle revirou os olhos:
Ai, Jason, você sempre tem que estragar a festa!
Charlotte apareceu com adesivos e crachás:
VOTEM NO SCOTT — disse, parando para pensar dramaticamente. — ELE AJUDA TODO MUNDO E TEM AS MELHORES NOTAS DO COLÉGIO.
Ela me entregou um crachá. Quando olhei, estava escrito "Alexa".
Desculpa, Alex, coloquei o "a" sem perceber — disse Charlotte, corando.
Está tudo bem, Char — falei, sorrindo. — É só um detalhe.
Tudo corria bem até que as Cats e as líderes de torcida apareceram. Camilla surgiu, toda arrogante:
Ora, ora, ora, se não são os perdedores — disse, sorrindo debochada.
Kathleen olhou para Daren:
Vocês acham mesmo que o Scott vai ganhar? Aposto que o jogo está no papo, não é, Daren?
Daren apenas sorriu, calmo.
Camilla continuou, desprezando nosso grupo:
Vocês ainda podem desistir enquanto há tempo e evitar passar vergonha.
Sophie completou com superioridade:
Meu Daren vai ganhar facinho desse nerd.
Eu já estava cansada de ouvir aquelas provocações. Apertei meu crachá e falei:
Nós vamos dar o nosso melhor para que Scott seja o rei do baile. Ao contrário de vocês, nós não tentamos desmotivar outras campanhas.
Brianna respondeu, sarcástica:
Ué, a nerd fala, é? Você está de parabéns, meu amor, agora só falta aprender a se vestir e...
Nicolle não tolerou:
Já chega! Ninguém fala assim da minha melhor amiga! — e partiu para cima de Brianna.
Os tapas começaram. Nicholas tentou segurar Nicolle, Jason entrou no meio, e em poucos segundos a confusão estava formada. Nicolle estava em cima de Brianna batendo ela enquanto Jason batia no Nicholas por tentar segurar sua namorada. Quando o Nicholas estava no chão inconsciente, Jason foi lá tirar sua namorada de cima da Brianna.
Nicolle, se acalma!
Me larga, Jason! Eu quero desfigurar a cara dessa vagabunda! — gritou Nicolle, tentando se soltar.
Brianna estava descabelada, chorando, com marcas no rosto e braços. Eu queria rir da situação absurda, mas me segurei.
Daren falou calmamente:
Sophie, leva sua amiga para a enfermaria cuidar dos arranhões. Eu preciso conversar com eles.
Sophie ajudou Brianna, e as Cats foram para a sala de estar. Daren se aproximou de Scott e de nós:
Quero pedir desculpas pelas palavras das meninas. E também quero dizer que não estou concorrendo para ser rei.falou olhando fixamente para mim
Scott sorriu:
Você pode se candidatar, Daren. Que ganhe o melhor.falou me segurando pela cintura e me dando um beijo nos cabelos
Bem, eu já falei o que eu queria falar.— falou e saiu andando.
Nicolle murmurou depois:
Não vi necessidade dele dizer que não vai se candidatar. Na verdade ninguém se importa se ele vai ou não se candidatar.
Eu apenas dei de ombros:
Vai entender.
Em seguida, mostrei meus cartazes para todos:
Olhem só os cartazes que eu e Nick fizemos.
—  Está perfeito, minha princesa.— falou e me deu um selinho rápido
Awwwww, que fofos mas eu também contribui para isso aí.— falou
E está lindo justamente por isso, marrenta.— falou Jason abraçando sua namorada por trás.
Gente, agora sério, a gente só tem duas semanas para convencer todo mundo que Scott é o melhor candidato. — falei baixinho.
Correndo contra o tempo, mas juntos podemos.
A campanha seguia firme e nós conseguimos reunir um bom número de estudantes dispostos a votar no Scott. Eu só torcia para que na hora H eles realmente votassem e não virassem as costas quando Sophie e as amigas começassem a tentar comprar votos. Aquela ideia me deixava inquieta, mas não deixei que isso dominasse minha cabeça.
Podemos comer? Estou com tanta fome. — falei baixinho, tentando soar mais fofa do que estava com verdade.
Todos riram.
E quando você não está, baixinha? — respondeu o Michael, me pegando no colo com aquele jeito bobo. Ele encheu meu rosto de beijinhos e eu dei risadinhas, apertando o crachá no bolso.
Charlotte sorriu da distância. Ela sempre entendeu que o que havia entre mim e o Michael era amizade, daquelas que parecem para sempre, uma certeza silenciosa. O clima era leve, cheio de pequenas provocações e cumplicidade. Fomos para o refeitório e cada um montou o seu prato. Demorei um pouco para me sentar porque o meu estava bem cheio, eu sempre exagerava um pouquinho.
Para onde vai tudo que você come? — perguntou Jason, com aquele sarcasmo típico, olhando o meu prato como se fosse um mistério.
Para o meu estômago. — respondi, tranquila, sem ligar muito. — Agora posso comer em paz? — perguntei, e eles assentiram, sorrindo.
[...]
O dia já chegava ao fim e eu fiquei sozinha com o Scott no jardim. Ele parecia nervoso, como se quisesse dizer algo importante e não conseguisse começar.
Ainda bem que o professor cancelou a última aula — murmurei, caminhando devagar entre os canteiros iluminados pelo sol de fim de tarde.
Você falando isso, Alex? — perguntou ele, surpreso, com o olhar curioso.
Sim — respondi, meigo. — Conviver com a Nicolle tem suas sequelas — acrescentei, e ele riu, a risada suave enchendo o espaço entre nós.
Então ele parou, me olhou de frente, e tudo ficou silencioso como antes de um segredo ser contado.
Eu amo você, Alex — disse ele, com a voz baixa e os olhos brilhando.
Eu amo você, Scott — falei, olhando direto nos olhos dele, e o beijei.
Quer ser meu par para o baile? — perguntou, tímido e esperançoso.
Claro que sim — aceitei, com um sorriso que brotou do peito. — Vai ser o meu primeiro baile.
Ele sorriu enorme.
Se for assim, eu venho te buscar de cavalo branco ou de carruagem que a meia noite não vira abóbora.— disse ele, brincando, e nós rimos juntos, imaginando as duas cenas.
Você só precisa aparecer — respondi, sorrindo. — O que não é difícil — acrescentei, lembrando que morávamos na mesma casa.
Scott me levou até ao meu quarto. Por sorte, eu não dividia mais o quarto com a Sophie mas infelizmente a Charlotte não pôde se mudar para cá. Ao entrar, vi o Nick e o Jason se beijando na cama do Nick e pensei, meio sem acreditar, quantas vezes eles fariam aquilo por dia.
Oh, casal? Tem gente aqui — apontei para mim e para o Scott, divertida. Nick ficou vermelha na hora.
Eh, saiu, né? — Jason tentou disfarçar, falando como se nada tivesse acontecido.
Sim, obrigada — respondeu a Nicolle, sarcástica. — Aquele cisco estava doendo.
Cisco na boca, Nicolle? — perguntei só para deixá-la mais vermelha ainda.
Não, Alex — o Scott interrompeu com ar de comediante. — Acho que o cisco passeava pelo corpo todo da Nick e o Jason tentava alcançá-lo com a boca.
Rimos da situação. Eu e o Scott fizemos aquela careta combinada que só nós sabíamos fazer.
Ainda bem que você estava por perto, Jason. Assim a dor da Nick não se alongou por muito tempo — brinquei, e a cara dos dois ao se olharem foi impagável.
Tá bom, chega — resmungou a Nicolle, emburrada. — A gente estava num momento lindo e vocês dois interromperam, como sempre.
— A gente? Nicolle, esse quarto também é meu.— falei olhando para ela
Scott fez um carinho rápido na minha testa.
Alex? Vou indo — deu-me um beijo na testa e saiu. Olhei para a cara do Jason, que entendeu o recado, e ele também se despediu e foi embora.
E se fosse a Kathy, Nicolle? — provoquei, sorrindo.
Tá, foi mal — ela levantou as mãos, em sinal de rendição, e murmurou um "da próxima eu tranco a porta".
— Eu ouvi isso, Nicolle Carter — disse, fingindo gravidade.
Tá, desculpa — cruzou os braços, rendida.
Entrei no banheiro, tomei um banho quente e vesti meu pijama. Deitada na cama, peguei o celular e sorri ao ver a foto de fundo, um momento simples e perfeito para guardar. Fechei os olhos por um instante, lembrando o baile e o jeito como o Scott sorria, e adormeci com o coração leve.
Aquela foto tinha um significado especial. Tirei durante uma festa do pijama na casa do Jason, um dia divertido e cheio de pequenas memórias que eu guardaria para sempre. Meredith e Anthony não estavam na cidade e nos convidaram para dormir lá. A ideia inicial era que apenas o Scott fosse, mas Lexi, sempre organizada e cuidadosa, não queria tantos rapazes ocupando a casa sozinhos. Então, com meu jeitinho de pedir um favor, perguntei se poderia convidar a Nicolle e a Charlotte também. Ela sorriu e respondeu:
Claro, Alex, quanto mais, melhor.
A noite acabou sendo uma confusão organizada, mas muito divertida. Os meninos dormiriam na sala de baixo e nós, na de cima. Porém, quando chegou a hora, Scott não quis me deixar sozinha. Ele me olhou com aqueles olhos castanhos que pareciam ler meu coração e disse baixinho:
— Eu fico com você, Alex.
— Não precisa, Scott... — comecei a dizer, mas ele sorriu, derretendo qualquer resistência.
— Melhor você ficar com os seus amigos, e eu com as minhas amigas — falei, tentando esconder o quanto aquele gesto me tocava.
Ele assentiu com carinho.
— Você tem razão. Boa noite, princesa — disse antes de sair.
Assim que ele desceu, a sala ficou só com a gente, eu, Nicolle, Charlotte e Lexi. A noite seguiu leve, cheia de risadas, travesseiros espalhados e histórias que pareciam não ter fim. Charlotte colocava músicas antigas no celular, Nicolle tentava ensinar uma coreografia impossível, e Lexi, rindo, dizia que nós éramos uma bagunça adorável.
Em meio às brincadeiras, Charlotte se virou para ela com um sorriso animado:
— Lexi, você vai ao baile de finalistas com a gente, né?
Lexi hesitou por um segundo.
— Ah... não sei. Essas coisas não são muito a minha cara.
— Que nada! — disse Nicolle, sentando-se ao lado dela. — Vai ser lindo, e você merece se divertir um pouco.
— Além disso, — acrescentei, segurando a mão dela com carinho — não vai ser a mesma coisa sem você, Lexi.
Ela nos olhou, meio sem graça, mas o sorriso que surgiu em seu rosto respondeu antes das palavras.
— Tá bom... eu vou — disse, rindo, enquanto nós comemorávamos como se fosse uma grande conquista.
A partir dali, tudo virou uma festa. Falamos sobre vestidos, penteados e até sobre quem dançaria com quem. A noite foi passando entre risadas e confissões leves, até que o sono começou a nos vencer. Deitei-me ouvindo as vozes das minhas amigas se misturando ao silêncio da madrugada. Senti o coração tranquilo, aquecido por aquela amizade tão sincera e, no fundo, por aquele amor calmo que o Scott me fazia sentir.
Fechei os olhos sorrindo, sonhando com o baile, com risadas e com a certeza de que aqueles momentos ficariam guardados para sempre.

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