Alexandra
Meu celular já tinha chegado, mas Scott só poderia me entregar depois das aulas, porque ele teria uma prova e isso impediria que a gente se encontrasse antes. Nick, Char e eu estávamos sentadas na sala conversando quando o professor entrou. Infelizmente, eu teria que ir me sentar ao lado de Daren, já que ele era o meu par. Olhei para ele, mas não o cumprimentei. Quanto menos contato a gente mantivesse, melhor.
— Bom dia pra você também, Alex — disse Daren com ironia.
— Bom dia — respondi, abrindo meu caderno, pronta para a aula.
— Queria me desculpar pelo seu celular, então comprei esse pra você. Toma. — Daren colocou uma caixa nova de celular sobre a mesa.
Balancei a cabeça imediatamente. Por mais chateada que eu estivesse por Sophie ter quebrado meu celular, eu não queria nada que viesse dele.
— Não, obrigada — falei, mantendo os olhos no caderno.
O professor pigarreou, chamando a atenção da turma.
— Antes de entregar as... misérias que foram as notas de alguns de vocês — começou ele, e alguns alunos riram — quero dar os parabéns à Alexandra Cameron e ao Daren McClaren pelo ótimo trabalho que fizeram.
Todos na sala se viraram para olhar pra nós. Corei na hora.
— Obrigado, fessor — respondeu Daren, levantando a mão num gesto confiante.
— Quero que vocês expliquem como fizeram o trabalho, para que seus colegas os tenham como exemplo — continuou o professor.
Daren se virou pra mim, confuso.
— Que trabalho foi esse mesmo? — perguntou em voz baixa.
— O da última aula. Eu fiz todo sozinha e coloquei o seu nome — respondi, sem paciência.
Odiava falar em público. Só de pensar em me levantar já sentia as mãos suarem. Mas, como Daren não sabia nada sobre o projeto, não tinha escolha. Levantei-me e caminhei até o lado do professor. A sala parecia enorme, e eu me sentia minúscula ali na frente. Olhei para Nick, que me encorajava com um sorriso, e para Char, que murmurou: "Você consegue, Alex."
— Bem... eu e o meu parceiro tivemos como base alguns livros de biólogos renomados, como Louis Pasteur, Lynn Margulis e Richard Dawkins. Fizemos as pesquisas por meio de livros, sites e notícias dos anos anteriores — comecei, tentando manter a voz firme. — As definições e teorias foram criadas por nós, depois de fazermos uma comparação entre os fatores atuais e os antigos.
Terminei a explicação e respirei fundo, evitando olhar para os colegas.
— Muito bem, Alexandra — disse o professor, sorrindo. — Espero que tenham anotado, porque quero que os próximos trabalhos sejam tão bem estruturados quanto o dela e o do Daren. Parabéns, Alexandra.
Peguei o trabalho das mãos dele e vi o número "10" destacado no topo da folha. Sorri discretamente.
As outras notas foram sendo entregues. Nick e Char tiraram 9,5, outro grupo conseguiu 9,8, mas o resto da turma ficou abaixo de 5.
A aula finalmente acabou e, por sinal, não haveria mais aulas naquele dia. Os professores tinham inventado uma reunião de última hora.
Eu ia sair da sala junto de Nick e Char quando senti alguém segurar meu braço. Virei-me e vi Daren.
— Obrigado por ter vencido sua vergonha e falado na frente de todo mundo — disse ele, com a voz calma. — Eu não conseguiria explicar o que você fez no trabalho.
Ele segurou minha mão.
— Eu fiz isso por mim, Daren. Não por você — respondi, firme, soltando minha mão da dele.
Afastei-me e caminhei até minhas amigas, que me esperavam perto da porta.
— O que ele queria? — perguntou Char, curiosa.
— Nada de importante — respondi, tentando encerrar o assunto.
Mais tarde, eu, Nick e Char estávamos no quarto, meu e da Nick, conversando sobre coisas aleatórias, rindo de besteiras e aproveitando o tempo livre. Foi então que a porta se abriu e Scott entrou com uma sacola nas mãos. Ele cumprimentou as meninas com um sorriso, veio até mim e me deu um beijo suave na testa.
— Aqui, amor — disse, entregando-me a sacola. — Eu preciso ir, a Kathy está rondando a ala feminina e posso ser pego.
— Obrigada, amor — respondi, sorrindo, e lhe dei um selinho rápido.
Ele saiu correndo, e eu, curiosa, abri a sacola. Dentro dela estava a caixa do meu celular novo, como eu havia pedido para Scott colocar meu chip antes.
Quando vi o modelo, soltei um gritinho animado.
— Meu Deus... o Damian comprou um iPhone X, de 256 GB! — falei, sem acreditar.
As meninas se aproximaram, encantadas.
— Você tem que tirar uma foto pra colocar no fundo! — disse Nick, empolgada.
— Eu vou colocar a foto do meu namorado — respondi sorrindo, e elas riram da minha resposta.
Como não haveria mais aulas, aproveitei o tempo para explorar meu novo celular. Pesquisei sobre ele e descobri que era possível recuperar tudo o que estava salvo no antigo. Segui o tutorial passo a passo e, depois de alguns minutos, consegui restaurar todas as fotos, vídeos e arquivos. Nick e Char foram encontrar seus namorados, e eu resolvi ficar no quarto, só para aproveitar um tempinho sozinha, já que eu e Nick estávamos sempre grudadas. O silêncio durou pouco. A porta se abriu de repente, e Sophie entrou, seguida de Daren. Olhei para os dois, confusa, e antes que eu dissesse qualquer coisa, ele sussurrou algo no ouvido dela.
— Claro que não, amor! — respondeu Sophie em voz alta, de propósito. — Esse quarto também é meu.
Ela puxou a mão do namorado e entrou como se nada estivesse errado. Os dois sentaram-se na cama da Sophie e começaram a se beijar, completamente alheios à minha presença. Eu não estava nada à vontade naquele ambiente, cada segundo ali parecia uma eternidade.
Decidi sair do quarto. Caminhei até o corredor, respirei fundo e percebi, com um pequeno sobressalto, que havia esquecido meu celular em cima da cama. Voltei depressa para buscá-lo, mas, ao entrar, vi Sophie com ele nas mãos.
— Nossa... a nerd é riquinha — disse ela, com um sorriso debochado. — Lindo celular. Bem parecido com o meu.
Ela tirou o próprio aparelho do bolso e mostrou para mim, balançando-o diante dos meus olhos.
— Eu sabia que você tinha bom gosto. Afinal, copia tudo o que eu faço — completou, com ironia.
Antes que eu respondesse, Daren tirou o celular da mão dela e me entregou.
— Me desculpa por isso — sussurrou, com o olhar um pouco culpado.
Peguei o celular sem dizer nada e saí do quarto o mais rápido que pude. Fui em direção à biblioteca. Ao entrar, vi Scott conversando com alguns dos amigos dele, rindo descontraído. Por um instante, pensei em me aproximar, mas decidi não interromper. Sentei-me num canto mais afastado, observando de longe.
Não demorou muito para que ele me notasse.
— Não veio ficar comigo por quê? — perguntou, vindo até mim com aquele sorriso gentil que sempre me desarmava.
— Ah, amor... eu não queria atrapalhar você — respondi, corando.
— Você nunca me atrapalha, princesa — disse ele, pegando minha mão com carinho.
Guardei meu celular no bolso e o acompanhei até a mesa onde os meninos estavam sentados.
Eles me cumprimentaram educadamente, e eu retribuí o gesto, sorrindo.
— Quanto ao baile... é em breve — comentou Mason, animado. — Vai se candidatar a rei do baile, Scott?
A pergunta me deixou curiosa. Eu nunca tinha ido a um baile e não fazia ideia de como tudo aquilo funcionava.
— Claro que não — respondeu Scott, com naturalidade. — Isso é uma futilidade.
Ele então virou o rosto para mim e completou, com um olhar tão doce que meu coração pareceu derreter:
— Eu vou com a menina mais linda do colégio. Não preciso ser rei para isso.
Senti meus olhos se encherem de lágrimas, emocionada com a simplicidade e sinceridade das palavras dele. Scott era lindo, inteligente e tinha um coração enorme. No fundo, eu sabia: se ele quisesse, poderia facilmente ganhar o título de rei do baile. Mas, para mim, ele já era, o meu rei.
— Eu acho que você deveria se candidatar, você tem tudo para ganhar. — falei corada, e os amigos de Scott concordaram.
— Tá, vou me candidatar, mas não vou fazer campanha. — falou emburrado.
— A gente faz para você, vossa majestade. — falei empolgada, eu queria muito que ele ganhasse.
— A gente tá contigo, brother. — disse Mason.
— É isso, cara. — completou Nicholas, e os três fizeram um toquinho.
Continuamos a conversar e eu já estava ficando cansada. Olhei para Scott e ele entendeu a minha expressão facial.
— Gente, vou acompanhar a Alex até o quarto. Ela está cansada e também quero terminar alguns trabalhos. — falou.
— Desculpa, gente. — falei corada.
— Não faz mal, vai lá, rei do baile. — brincou Mason.
— É isso, vai lá. A gente se fala. — disse Nicholas, e nós levantamos.
— Eu vou levar você às cavalitas. — falou, e eu subi nas suas costas enquanto ele andava pelo corredor. Quando chegamos ao meu quarto, desci, dei um beijo na bochecha dele e agradeci.
— Eu quero mais que um beijo na bochecha, futura rainha. — disse ele com um tom sedutor.
— Futura rainha? Eu não vou me candidatar pra isso, Scott. — falei, rindo.
— E você não precisa. Se eu for rei, faço você minha rainha no mesmo minuto. — respondeu, me encarando com aquele olhar que sempre me desarma. Scott me encostou de leve na porta do meu quarto e me deu um beijo de tirar o fôlego. Cessei o beijo devagar, e ele ainda roubou um último selinho.
— Pode entrar, eu espero aqui. — falou.
— Tá. — respondi, abrindo a porta. Olhei mais uma vez pra ele antes de entrar, e fechei a porta com o coração acelerado.
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Colégio Interno
Ficção AdolescenteNicolle Carter, Charlotte Backer, Alexandra Cameron e Angel Clark são inseparáveis. Quatro garotas completamente diferentes que, por motivos distintos, acabam se encontrando no mesmo colégio interno e desde então vivem como uma verdadeira irmandade...
