Alexandra
Eu e a Nick passamos praticamente o dia todo juntas. E, sem perceber, acabamos deixando a Charlotte um pouco de lado.
A verdade é que a gente nunca sabe se ela está ocupada, estudando ou simplesmente querendo um tempo sozinha mas mesmo assim, no fundo, bate aquele peso na consciência.
Hoje é sábado, e finalmente não temos aulas.
O plano é simples: piscina, depois videogame, como prometemos aos meninos. Por causa da nova regra do colégio, só podemos sair a cada duas semanas, o que significa que nossos fins de semana livres se resumem a aproveitar o campus, descansar e colocar o papo em dia.
Ainda estava cedo.
A Nick se arrumava com a calma de uma modelo antes de um desfile, enquanto eu esperava sentada na cama, folheando distraidamente uma revista.
Quando ela saiu do banheiro, eu quase ri, ela estava linda, como sempre, com o cabelo preso num rabo de cavalo perfeito e aquele ar confiante de quem sabe que chama atenção.
— Finalmente, rainha do submundo — brinquei, revirando os olhos.
— Ué? Cadê a víbora? — perguntou, ajustando a blusa e pegando o celular.
— Acho que saiu bem cedinho. — me levantei, pegando as roupas. — Me espera um minutinho, já volto.
Entrei no banheiro e comecei a minha rotina.
Eu sempre gosto de cuidar da minha pele, deixar tudo limpo e sem manchas. Depois fiz um rabo de cavalo alto e percebi o quanto meu cabelo cresceu, ele estava enorme, mas eu adorava assim. Tomei um banho rápido e saí vestindo uma roupa parecida com a da Nick: shorts jeans, blusa leve e um All Star preto, o meu favorito.
Nick me olhou dos pés à cabeça e sorriu.
— Tá linda, Alexandra. Mas anda logo, vai, você ficou quase uma hora nesse banheiro.
Revirei os olhos, rindo, e peguei o celular.
— Exagerada. Foram quarenta minutos, no máximo.
Saímos do quarto e seguimos pelo corredor até o refeitório. No caminho, demos de cara com Daren e Sophie.
Nick arqueou uma sobrancelha e, com aquele jeito debochado de sempre, murmurou:
— Ih, olha lá... o casal de otários.
Eu suspirei.
Não queria olhar, nem cruzar caminho. Só queria desaparecer.
— Nick... eu esqueci uma coisa no quarto. Te encontro no refeitório, tá? — menti.
Ela sabia. Claro que sabia.
Mas me lançou um olhar compreensivo e assentiu antes de seguir em frente.
Voltei pro quarto e me sentei na cama, o celular nas mãos, o coração acelerado.
Fiquei ali por alguns minutos, tentando respirar fundo, tentando entender o que eu ainda sentia ou o que não conseguia deixar de sentir.
A porta se abriu devagar.
Era Scott.
Ele me olhou por alguns segundos, o semblante sério.
— Alexandra... você não pode continuar evitando esse babaca — disse, a voz firme, mas calma. — Você tem que esquecer tudo e recomeçar.
Eu fiquei quieta. Não sabia o que dizer.
Ele deu alguns passos, parando perto de mim.
— E tem mais. Já faz um tempo que vocês terminaram, e eu sei que você evita ele não porque tem medo dele... mas porque tem medo do que sente por ele.
Meu peito apertou.
Quis responder, negar, mas ele continuou:
— Eu não quero te obrigar a nada, Alex. Só... quando você souber o que quer, me procura. — disse, por fim, com um olhar doce, antes de sair, deixando o silêncio no lugar.
Fiquei parada, encarando a porta fechada.
Scott tinha razão. Por mais que eu quisesse negar, ainda existia algo em mim, uma parte que teimava em lembrar do Daren. Mas eu não podia deixar que isso estragasse o que eu tenho agora. Scott é a melhor pessoa que já passou pela minha vida... e eu não quero perdê-lo por um fantasma do passado.
Peguei o celular, respirei fundo e saí do quarto.
O corredor estava cheio, todos os populares reunidos, como sempre. Meu coração acelerou. Eu teria que passar bem no meio deles.
Mantive o olhar baixo e comecei a andar, fingindo confiança. Mas, antes que eu pudesse dar mais dois passos, Brianna se colocou na minha frente, com aquele sorriso venenoso e os olhos cheios de desdém.
— Ora, ora... se não é a princesinha do colégio — disse, cruzando os braços. — Perdida, Alexandra? Ou veio se misturar com quem é de verdade?
Fiquei parada.
O estômago embrulhou.
Senti todos os olhares sobre mim, alguns rindo, outros só observando. Por um instante, pensei em responder.
Mas não.
Apenas endireitei os ombros, olhei para ela com calma e passei por seu lado sem dizer uma única palavra.
Mesmo que o coração doesse, eu não ia dar a ela o prazer de me ver abalada.
Ela me encarou, debochada, mas eu não respondi. — O gato comeu sua língua, nerd?
Sophie se soltou de Daren, bufando e rindo com certo sarcasmo:
— Deixa ela, Bri. Ela é assim mesmo... uma sonsa. — olhou para mim e sorriu. — Eu até diria que sabe se vestir, se não tivesse roubado esse look de mim.
Fiquei confusa. Sophie com roupas iguais às minhas? Nunca tinha visto.
— Além de iludida, também é ladra — acrescentou, com um sorriso cruel.
Meu peito apertou, as lágrimas ameaçavam cair, mas me esforcei para manter a compostura. Peguei meu celular para mandar uma mensagem para Scott, mas Sasha foi mais rápida e o arrancou da minha mão.
— Olha gente, a foto de fundo da nerd — disse, exibindo o celular para todo mundo.
Era a foto de Scott que eu tinha colocado no papel de parede, tirada em Paris depois de um dos nossos dias juntos.
Todos riam, menos Daren. Tentei recuperar meu celular, mas Sasha jogou para Brianna, que o segurou firme.
Tentei pegar de volta, mas Brianna passou para Sophie, que fingiu não segurar. Resultado: meu celular caiu e quebrou.
As lágrimas finalmente caíram, mas tentei me controlar, engolindo o choro. Quando ia me retirar, senti Daren segurando meu braço.
— Me desculpe pela Sophie. Eu compro outro celular para você — disse, olhando nos meus olhos, fazendo Sophie ferver de raiva.
Antes que pudesse responder, Scott chegou, segurou meu braço e fez Daren se soltar.
Ele percebeu minhas lágrimas.
— Alex? O que aconteceu? — perguntou, preocupado. Peguei coragem e neguei com a cabeça, sem falar nada.
— Foi esse imbecil, não é? — continuou, franzindo o cenho. — Eu vou matar você, seu idiota.
Scott ia avançar para bater, mas eu segurei seu braço e balançei a cabeça, dizendo não com os olhos.
— Não vale a pena, Scott. Você não é como ele — falei, tentando me recompor.
Sophie levantou a mão para me bater, mas Daren segurou firme:
— Você não vai encostar nela, Sophie.
Scott me puxou pelo braço e sussurrou:
— Vamos sair daqui?
Sorri para ele e deixei que me guiasse pelo meio de todos os populares. Mesmo sendo meio popular por causa do futebol, Scott sempre ignorava esses títulos. Ele me protegeu de forma silenciosa, me dando segurança só por estar ao meu lado.
Sentamos em uma mesa afastada, longe de olhares curiosos.
Eu respirei fundo.
— Eu gosto de você, Scott. Muito. — confessei, as lágrimas ainda escorrendo. — E não é porque eu tenho medo do Daren que isso muda.
Ele segurou minha mão e beijou com carinho.
— Alex, eu não vou deixar você. Eu amo você — disse, firme. — Mas me conta, por que seu celular está quebrado?
— Foram as líderes de torcida — falei, cabisbaixa. — Elas jogaram no chão de propósito.
Scott sorriu, compreensivo.
— A gente pode falar com nossos pais e eles compram outro para você.
— E as nossas fotos? Todos os nossos momentos? — perguntei, sentindo o coração apertado.
— A gente pode refazer todos eles, se você quiser — respondeu ele, sorrindo.
Meu coração aqueceu.
— Em breve terminamos o colégio... e vamos para a faculdade. Você vem mesmo comigo para a Inglaterra? — perguntei, corada.
— Claro, meu amor. — Ele levantou-se, me abraçou por trás e sussurrou no meu ouvido. — Eu quero ficar pertinho de você. Nada e ninguém vai separar a gente.
— Scott... — chamei baixinho. — E quanto ao seu pai e à minha mãe? Eles podem não aceitar bem nossa relação.
— Não se preocupe. Nós não somos irmãos de verdade. Só somos duas pessoas que se amam e seguem o coração — respondeu, sorrindo. — Se você quiser, posso te emprestar meu celular até que o seu chegue.
Neguei com a cabeça, mas agradeci.
— Então deixa eu ligar para meu pai, tá bem? — perguntou.
Assenti.
Mesmo com a preocupação de como Damian reagiria ao saber que estou namorando com o filho dele, confiei em Scott.
Nos próximos meses, quando minha mãe se casar com Damian, nós oficialmente seremos meio-irmãos. Mas por agora, nada disso importa. O que importa é que ele está comigo, e eu estou com ele.
E quando os convites para o casamento chegarem, todos os nossos amigos serão parte da nossa família.
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Colégio Interno
Ficção AdolescenteNicolle Carter, Charlotte Backer, Alexandra Cameron e Angel Clark são inseparáveis. Quatro garotas completamente diferentes que, por motivos distintos, acabam se encontrando no mesmo colégio interno e desde então vivem como uma verdadeira irmandade...
