Charlotte
O baile está a cinco dias e eu estou completamente nervosa. Hoje, eu e as meninas decidimos comprar nossos vestidos, e a expectativa estava no ar. É engraçado pensar como o tempo passou rápido; parece que foi ontem que estávamos chegando à Cheshire Academy, conhecendo novas pessoas, enfrentando desafios e construindo amizades que mudariam nossas vidas. Olhar para trás e perceber tudo que conquistamos juntas me deixa nostálgica e animada ao mesmo tempo. Mal posso acreditar que tudo isso vai ficar apenas na memória, lembranças que vou guardar para sempre. Parece que o ano passado foi ontem, quando conheci Alex e Nick. Estou tão feliz com Michael. Já passamos por tantos momentos difíceis e alegres, mas sempre estivemos lado a lado. Sempre um pelo outro. No início, confesso que senti ciúmes da amizade entre Alexandra e Michael, mas aprendi que eles são apenas bons amigos, e não há razão para inseguranças. Eu não posso roubar o espaço dela no coração dele, assim como ela não pode roubar o meu. Nosso vínculo é forte, sólido, e é isso que importa.
Escolhi meu look com cuidado. Peguei uma roupa maravilhosa que estava esquecida no meu closet, ajeitei cada detalhe do cabelo e me maquiei de forma leve, mas elegante, deixando meu rosto brilhar naturalmente. Desci as escadas e encontrei meu pai no sofá, como sempre, com os olhos grudados na TV, assistindo às notícias.
— Pai? Vou sair com minhas amigas. — falei, tentando não interromper sua concentração.
Ele desviou os olhos da tela e me olhou com atenção.
— Você está linda, Charlotte... parece muito com sua mãe. — disse, com um brilho especial nos olhos que eu não via há muito tempo.
— Pai... — corei, sentindo meu coração disparar.
— Eu amo você, Charlotte. — falou ele, e eram palavras que eu nunca tinha ouvido diretamente dele. Um calor tomou meu peito, e senti uma mistura de alegria e emoção.
— Eu também amo você, papai. — respondi, abraçando-o com força, como se quisesse guardar aquele momento para sempre.
— Quer que peça para o motorista te acompanhar? — sugeriu ele, com um sorriso gentil.
— ok— falei, sentindo segurança e carinho ao mesmo tempo.
Caminhei até a garagem e encontrei Adolf. Combinei com ele de me acompanhar até o shopping, garantindo que nossa ida seria tranquila. Cerca de 30 minutos depois, chegamos, e eu combinei com ele que me buscaria quando eu ligasse.
Desci até a loja de donuts, no andar de baixo, e encontrei Alex sentada em uma mesa, comendo e olhando distraidamente para o nada.
— Oiiiiiii, Char! — ela falou, levantando a mão para me cumprimentar, ainda com um sorriso tímido.
— Oi, Alex. E as meninas? — perguntei, observando seu donut que ela parecia devorar com muito prazer.
— Angel e Nick foram ao banheiro — respondeu, dando de ombros enquanto terminava seu donut. Alex realmente não consegue parar de comer. Como ela consegue? — pensei, balançando a cabeça com divertimento.
Nesse momento, Angel chegou pulando em cima de mim.
— E a gente já chegou! — disse, toda animada. — Alex, falamos para você nos esperar, não para pedir um donut.
— Eu não ia esperar vocês, princesas, com o estômago vazio — respondeu Alex, terminando o donut com uma expressão satisfeita.
— Você almoçou há pouco tempo, Alexandra. — falou Nicolle, cruzando os braços e fazendo uma careta de repreensão.
— A gente sabe como a Alex é, meninas, e a gente ama ela assim mesmo. — falei, piscando para Alex, que retribuiu com um sorriso travesso.
— Então vamos procurar nossos vestidos? — perguntou Angel, animada, batendo palmas de empolgação.
— Partiu! — respondeu Nicolle, e nós quatro saímos animadas, conversando e rindo enquanto caminhávamos pela loja.
Dentro da loja, o ambiente era colorido e vibrante, com manequins exibindo vestidos de todos os estilos possíveis. A luz suave refletia nos espelhos, fazendo cada tecido brilhar. Passávamos de arara em arara, tocando os tecidos, experimentando cores e discutindo modelos. Cada uma de nós tinha um estilo diferente, mas todas queríamos algo que fosse elegante, confortável e, claro, deslumbrante.
Alex se encantou com um vestido azul claro, de seda, que combinava perfeitamente com o seu tom de pele, e ficou parada na frente do espelho, girando devagar, admirando o caimento. Angel escolheu um vermelho vibrante, que destacava sua personalidade animada. Nicolle se apaixonou por um vestido verde esmeralda, clássico, mas moderno, que realçava suas curvas de maneira sutil. E eu? Escolhi um vestido branco perolado, delicado, com detalhes de renda que me lembravam minha mãe. Nick viu um vestido que parecia perfeito à primeira vista, mas, quando experimentou, percebeu que não caía bem no corpo e acabou desistindo. Eu também acabei desistindo do meu porque achei que o branco não ficava bem com a ocasião. Saímos da loja insatisfeitas.
[...]
Depois de três horas rodando pelo shopping, ainda não tínhamos encontrado vestidos parecidos com os modelos que vimos na internet. A exaustão já começava a pesar.
— Vamos fazer uma pausa, meninas. Eu tô cansada e com fome. — reclamou Alex, jogando a bolsa sobre o ombro.
— Eu concordo com a Alex, também tô morrendo de fome. Vamos parar para comer. — disse Nicolle, dando leves batidinhas na barriga.
Seguimos para o Subway mais próximo e pedimos cinco hambúrgueres. Claro, todos já sabiam para quem era o hambúrguer extra: Alex, que devorava cada mordida com entusiasmo. Entre risadas e comentários sobre os vestidos que ainda não havíamos encontrado, recuperamos um pouco da energia. Após o lanche, voltamos a circular pelo centro comercial. Ainda não havia sinal dos modelos perfeitos. Alex precisou ir ao banheiro, e quando voltou, estava radiante.
— Meninas, tem uma loja que a gente ainda não explorou. Ela fica escondida no terceiro andar, vamos! — anunciou, puxando-nos para subir as escadas rolantes.
Entramos na loja e começamos a procurar modelos, mas não encontramos os exatos que queríamos. Decidimos, então, escolher vestidos visualmente parecidos. Nicolle se encantou com um vermelho vibrante, eu optei por um rosa delicado, Alex encontrou um preto que a convenceu após muita insistência nossa, e Angel escolheu um azul que combinava perfeitamente com seu estilo. Olhei para Alex e sorri. Ela ia ficar deslumbrante, especialmente se Scott realmente fosse eleito rei do baile, ele praticamente já tinha sua rainha garantida.
Com os vestidos definidos, passamos para os saltos. Eu comprei um preto clássico, Angel escolheu branco para combinar com seu azul, Alex ficou com um preto elegante, e Nick pegou um vermelho, combinando com seu estilo.
Exaustas, nos sentamos para tomar milkshakes, rindo e conversando sobre o baile que se aproximava.
— Então, o Scott é candidato a ser rei? — perguntou Angel, tomando um gole do seu milkshake.
— Sim, ele vai concorrer — respondi.
— E você, Alex? Quer ser rainha? — ela insistiu.
Alex balançou a cabeça negativamente.
— Eu não gosto de ser o centro das atenções! — respondeu com firmeza.
Eu e Nick trocamos olhares, sabendo que quando ela descobrir que a inscrevemos para rainha, vai ficar furiosa. Mas queríamos que ela estivesse lá, brilhando ao lado de Scott.
— Esse baile vai ser diferente de todos os outros. — falei, animada. — Além de rei e rainha, teremos título de Miss Simpatia, Melhor Jogador, melhor fotógrafo, e ainda o vídeo que fizemos no meio do ano. Vai ser épico, mal posso esperar!
— Quem vocês acham que vai ganhar Miss Simpatia? — perguntou Nicolle.
— Alex, claro. — disse eu. — Ela ajuda todo mundo, nunca magoou ninguém, e melhor: nós podemos escolher sem ela se inscrever.
— Eu vou votar em você, Charlotte. — falou Alex, contraditória, e nós caímos na risada.
— Tá no papo, gente. — completou Angel, rindo junto.
O dia havia sido longo e divertido, mas a exaustão falou mais alto. Liguei para meu motorista, e finalmente me preparei para voltar para casa. Só queria minha cama, me jogar debaixo das cobertas e sonhar com o baile que prometia ser o mais inesquecível de todos.
No carro, encostei a cabeça no vidro, observando as luzes da cidade passarem rápido demais. Me peguei sorrindo sozinha, lembrando de cada risada, de cada careta da Alex, de como a Angel sempre transformava tudo em uma pequena festa, e de como a Nicolle tinha esse dom de deixar qualquer momento mais leve.
Suspirei.
Faltavam apenas cinco dias para o baile. Cinco dias. E, depois disso... tudo mudaria.
Quando cheguei em casa, encontrei meu pai na varanda, ainda com uma xícara de café nas mãos. Ele sorriu ao me ver descer do carro.
— Já de volta, mocinha? — perguntou.
— Sim. Foi um dia cansativo, mas muito divertido. — respondi, subindo os degraus até ele.
— Encontrou o vestido perfeito? — quis saber, curioso.
Sorri de canto. — Acho que sim. Não era o que eu imaginava no início, mas... é o certo. — E não era só sobre o vestido.
Ele assentiu, entendendo mais do que eu dizia. — Às vezes, o certo não é o que a gente idealiza, mas o que faz a gente se sentir em paz. — falou, dando um leve gole no café.
Beijei sua bochecha e entrei, subindo direto para o meu quarto. Assim que fechei a porta, me joguei na cama, tirando os sapatos e sentindo o cansaço tomar conta. Peguei o celular e decidi ligar para o meu namorado.
Ligação ON
— Oi, amor! — falou com a voz animada, fazendo meu coração bater mais rápido.
— Oi, meu amor. Como você está? — perguntei, sorrindo só de ouvir a voz dele.
—Bem, e você, linda?
— Também estou bem, amor. Eu e as meninas vamos para o baile com a Angel, ela ainda não tem par.
— Tá, mas você me deve uma dança, hein? — disse, rindo de leve.
— Tá, prometo que vamos dançar muito mesmo.
— Pelo menos posso buscar você na sua casa? — perguntou, com aquele tom de esperança na voz.
— Não. — respondi, firme, mas com um sorriso na voz — Eu vou com as meninas, meu pai vai nos levar.
— Tá, tudo bem. Agora vamos dormir, estou exausto.
— Também estou cansada. A gente se vê amanhã?
— Claro, mas primeiro quero te apresentar para alguém especial.
— Tá... — falei, curiosa, sentindo meu coração acelerar.
Ligação OFF
Fiquei pensando em quem poderia ser essa pessoa especial. Não seriam seus pais, já que ambos morreram em um acidente de carro, e Michael nunca quis que eu o acompanhasse ao cemitério. Eu até entendia e respeitava o espaço dele, mas a curiosidade só aumentava.
Toc... toc... toc.
— Pode entrar. — autorizei, levantando a cabeça do travesseiro.
Meu pai entrou, com uma expressão séria, mas tentando parecer tranquila.
— Filha, vou precisar me ausentar por dois dias. Amanhã parto. Você vai ficar bem?
— Posso ficar na casa de uma amiga, pai? — perguntei, agora que tinha amigas de confiança, não precisava mais ficar sozinha na mansão Backer.
— Tá, mas deixa que eu ligo para os pais dela para avisar que você vai se hospedar lá por dois dias. — falou, tirando o celular do bolso.
Passei o número dos pais da Nick, e ele disse que resolveria tudo amanhã de manhã, provavelmente enviando sua secretária para confirmar.
— Boa noite, filha. — disse, apagando a luz do corredor.
— Boa noite, pai. — respondi, enquanto ele fechava a porta.
Me deitei, me cobri com o edredom e, ainda com a mente cheia de pensamentos sobre o baile, Michael e a tal "pessoa especial", finalmente adormeci, deixando o cansaço do dia me dominar.
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Colégio Interno
Ficção AdolescenteNicolle Carter, Charlotte Backer, Alexandra Cameron e Angel Clark são inseparáveis. Quatro garotas completamente diferentes que, por motivos distintos, acabam se encontrando no mesmo colégio interno e desde então vivem como uma verdadeira irmandade...
