Nicolle Carter, Charlotte Backer, Alexandra Cameron e Angel Clark são inseparáveis. Quatro garotas completamente diferentes que, por motivos distintos, acabam se encontrando no mesmo colégio interno e desde então vivem como uma verdadeira irmandade...
Meu nome é Nicolle Carter, tenho 17 anos, e, sinceramente, nada me preparou para a decisão dos meus pais de me enviarem para um colégio interno. Não porque eu tenha feito algo de errado, muito pelo contrário, nunca fui uma adolescente problemática, rebelde ou difícil de lidar. Mas, como sempre, meus pais decidiram por mim. Segundo eles, a Cheshire Academy é simplesmente o melhor colégio interno do país, e pronto. Sem discussão. A verdade é que eles sempre tiveram essa tendência de tomar decisões importantes sem sequer me perguntar o que eu penso ou sinto. Só disseram que seria "melhor para mim" e que "uma educação de excelência exige sacrifícios". No caso, o sacrifício seria meu. Desde pequena estudei em colégios particulares de alto padrão. Aquelas escolas onde a maioria dos alunos tem sobrenomes pesados e pais que ocupam cargos importantes ou aparecem em colunas sociais. O ambiente sempre foi o mesmo: luxo, aparência e falsidade. E, apesar de me adaptar bem, nunca me senti parte daquilo. Muitas das meninas faziam questão de ser minhas amigas ou pelo menos fingiam muito bem, só porque a minha família tem dinheiro. Era sempre pelo que eu podia oferecer, não por quem eu realmente sou. E isso me cansava. Às vezes eu não entendo esse mundo dos ricos... Já têm tudo, mas ainda assim parecem ser os mais interesseiros. Nunca é suficiente. Nunca é de verdade. Mesmo assim, eu sempre me entreguei nas amizades que fiz. Dava o meu melhor, confiava, acreditava que talvez, dessa vez, fosse diferente. Mas não era. Era sempre o mesmo ciclo: gente vazia, sorrisos forçados e amizade com prazo de validade. Meus pais são presentes apenas no papel. Moramos na mesma casa, mas são praticamente dois estranhos com quem divido o teto. Estão sempre ocupados demais, cada um com sua rotina, seus compromissos, seus negócios. E, no fim, eu ficava ali, tentando preencher o silêncio de uma casa grande demais para tanta solidão. Talvez seja por isso que eu sempre me joguei tanto nas amizades, mesmo sabendo que a maioria era falsa. Era uma tentativa desesperada de me sentir menos sozinha. Tenho um irmão mais velho, o Nicholas. Ele tem 20 anos e se mudou para a Inglaterra há dois anos para estudar em Cambridge. Sempre foi meio nerd, focado, mas também muito carinhoso comigo. A gente sempre teve uma ligação forte, mesmo com as diferenças. De vez em quando, conseguimos nos encontrar, especialmente durante as férias. Já passamos alguns verões juntos na França e outras vezes na Espanha. Mas, desta vez, não deu. Com toda a papelada e a burocracia para entrar na Cheshire Academy, fiquei presa em reuniões, exames e mil documentos. Ele também estava ocupado com os exames finais da faculdade. A verdade é que, nesse momento, me sinto sozinha. Começar num lugar novo nunca é fácil. Ainda mais quando parece que nem sequer tive escolha. Mas talvez... talvez esse novo começo me surpreenda. Talvez, pela primeira vez, eu encontre pessoas que queiram me conhecer de verdade, não pela conta bancária dos meus pais, mas por quem eu sou de verdade: Nicolle Carter.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.