Nicolle
O baile estava marcado para a próxima semana, e logo em seguida viria a cerimônia de formatura. Eu ainda não conseguia assimilar tudo de uma vez. Parecia que foi ontem que conheci minhas melhores amigas, e agora estávamos prestes a nos formar.
Nos tornamos um trio incrível, melhor dizendo, um quarteto, porque também é uma parte essencial da minha vida. Foram os melhores dois anos da minha vida, e em breve eu estaria em Harvard, conhecendo novas pessoas, fazendo novas amizades... mas Charlotte Backer, Angel Clark e Alexandra Cameron sempre seriam minhas melhores amigas, para sempre.
Por sorte, as aulas já tinham terminado. E advinha? EU VOU ME FORMAR, PORRA, E COM UMA DAS MELHORES NOTAS! Fui aceita em Harvard e meus pais me apoiaram totalmente. Nada poderia ser melhor.
Char, Angel, Alex e eu estávamos na casa da Angel, jogadas no sofá, comendo pipoca e tentando distraí-la. Ela merecia depois do que aconteceu com Ethan. Angel tinha pedido um tempo para decidir se queria ou não continuar com ele, e nós estávamos lá para apoiá-la.
— Eu acho que você fez bem em pedir um tempo — disse Char, com a voz firme e gentil. — A gente nunca sabe se ele está dizendo a verdade ou não.
Alexandra, sempre com o coração enorme, discordou:
— Eu não acho... você deveria ter ouvido, Angel. E se a garota não fosse realmente ficante dele? Você pediu um tempo por orgulho e falta de confiança, isso sim.
Suspirei e balancei a cabeça, apoiando Char:
— Não, eu concordo com a Charlotte. Você mandou bem, amiga. — Sorri para Angel. — Chega de falar de rapazes, vamos falar do baile! Com quem você vai, Angel?
Ela baixou a cabeça, cabisbaixa:
— Eu acho que não vou, meninas... não tenho par.
Alexandra se inclinou para frente, com aquele jeitinho meigo dela, e sorriu:
— Quem precisa de par se tem três melhores amigas disponíveis?
Angel sorriu de volta, um sorriso pequeno, mas genuíno.
— Mas e os meninos? — perguntou ela, ainda um pouco tímida.
— Você é mais importante, Angel — falei, sentindo meu coração apertar de carinho por ela. — Eles vão entender que você é a nossa prioridade. E se não entenderem... problema deles. A gente vai com você na mesma.
Charlotte, já animada, começou a falar sobre vestidos:
— Precisamos comprar os nossos vestidos, meninas. — Olhou para todas com seriedade, mas o brilho nos olhos denunciava empolgação. — Que tal se comprássemos o mesmo modelo?
— Mas em cores diferentes! — sugeriu Alexandra, já imaginando como ficaria. — Gostei da ideia.
Ficamos cerca de seis horas escolhendo o modelo que mais gostávamos. Entre risadas, opiniões conflitantes e várias voltas na loja, finalmente concordamos em quatro vestidos lindos, cada um na cor preferida. Eu sabia que íamos arrasar no baile de formatura.
Enquanto eu organizava os vestidos, meu celular tocou. Era Jason. Decidi não atender; queria aproveitar o tempo com as meninas sem distrações. Eu retornaria a ligação mais tarde. O tempo das meninas precisava ser respeitado, ainda mais porque Alexandra iria para a Inglaterra e queríamos aproveitar cada minuto com ela.
— Alex, você foi aprovada em Oxford? — perguntei, curiosa, vendo-a corar levemente.
— Bem... eu vou... eu vou para Inglaterra, meninas — respondeu, sorrindo tímida, mas orgulhosa. Sempre soube que Alex ia conseguir. Ela era a garota mais inteligente que eu conhecia, e ela merecia tudo de bom.
— Parabéns, loira! — falamos as três ao mesmo tempo e rimos, abraçando-a.
— Estou tão feliz porque o Scott foi admitido em Cambridge e vem comigo para Inglaterra — contou Alex, corando de leve, com os olhos brilhando de felicidade.
Senti uma mistura de alegria e orgulho por ela. A vida estava mudando para todas nós, e, mesmo que estivéssemos prestes a seguir caminhos diferentes, aquelas memórias e aquele quarteto seriam eternos.
Gente, em quatro meses a Alex não estará mais aqui... o que será da gente? A Charlotte, a Angel e eu ficaremos nos Estados Unidos, mas a Charlotte vai estudar na NYU, então só nos veremos às vezes.
— Gente, o que será da gente? — perguntei tristonha.
— Eu virei visitar vocês, meninas. Eu prometo — falou Alexandra, sorrindo.
— A gente também irá visitar você, Alex — falou Charlotte.
— A Alex nem viajou ainda e eu já estou com saudades — disse Angel, fazendo cara de quem queria chorar.
A gente estava conversando sobre o baile quando Paris, a mãe de Angel, veio avisar que a comida tinha chegado. Ela tinha pedido sushi pra gente.
— Obrigada, dona Paris — falei, agradecendo.
— Não precisam agradecer, meninas. Fiquem à vontade — falou Paris. — Me desculpem, mas eu terei que dar uma saidinha.
— Tá, mãe — respondeu Angel.
A gente comeu tudinho. Quer dizer, Angel e Alexandra comeram mais da metade da comida. Essas duas são uma dupla que nenhum restaurante gostaria de conhecer.
— Quero sorvete! Que tal se a gente fosse para uma sorveteria agora? — sugeriu Alexandra.
— Partiu, tem uma aqui perto de casa — falou Angel.
Subimos para pegar nossas coisas e caminhamos em direção à sorveteria. Entramos e fomos direto fazer nossos pedidos.
— Eu quero um sorvete de morango — falou Charlotte, dando de ombros.
— Eu quero um de chocolate — falou Angel.
— Eu quero três sabores diferentes: chocolate, café e limão — disse Alexandra.
Limão? A Alex só pode estar doente. Como que alguém mistura sorvete de chocolate com o de limão?
— Eu quero um milkshake de morango com chocolate, por favor — falei
Depois de ouvir o pedido da Alex, decidi que não queria mais tomar sorvete. Meu estômago não aguentava mais doces, e, além disso, não queria chamar atenção para mim mesma.
— Aqui têm os vossos pedidos, meninas — disse o garçom, colocando cuidadosamente os copos de sorvetes à nossa frente.
Nós nos sentamos em uma mesa perto da porta, de onde conseguíamos observar o movimento do salão sem parecer curiosas demais. A conversa rolava animada, risadinhas e pequenas provocações, quando, de repente, meus olhos captaram algo que fez meu coração apertar: Ethan entrando de mãos dadas com uma garota. Precisei respirar fundo e disfarçar, não queria que Angel notasse, que tivesse que encarar aquela cena. Ela ainda estava vulnerável, e não seria justo.
— E que tal se a gente fosse para casa agora? Estou muito cansada, vocês sabem como é, né? — falei, tentando soar casual e fingindo uma certa fadiga.
— Mas eu queria mais um pouco de sorvete! — respondeu Alexandra, fazendo uma birra infantil, como se tivesse dois anos de idade.
— Não, Alexandra, vamos para casa, está ficando tarde — falei, olhando discretamente na direção de Ethan e apontando com os olhos para ele, tentando ser sutil.
— Ah, é mesmo... e eu combinei escrever o discurso de final de ano com o Scott, sabe — mentiu Alexandra, tentando inventar uma desculpa rápida.
— Que discurso? Você não falou disso — Angel perguntou, franzindo a testa e claramente desconfiada.
— Ela falou pra mim, deve ter esquecido, certo Alex? — interveio Charlotte, notando a presença de Ethan também e tentando ajudar a manter a situação sob controle.
— Pois... vamos — disse Alexandra, levantando-se rapidamente. Nós a seguimos imediatamente, conscientes de que Ethan estava em uma posição que poderia tornar a saída complicada. Precisávamos nos organizar para que Angel não tivesse que encará-lo.
— Vamos, ladies? — perguntei, tentando soar natural e divertida. Alex e Char ficaram do meu lado, enquanto Angel ficou do outro. Ajustei o passo e a postura para que nosso "cordão" nos protegesse discretamente. Cada movimento era calculado, cada olhar estratégico, como se estivéssemos em uma pequena missão secreta.
Enquanto saíamos do sorveteria, senti uma mistura de alívio e tensão. Alívio por termos conseguido evitar que Angel visse Ethan com outra garota, e tensão por saber que aquele encontro inesperado poderia mudar o humor dela nos próximos minutos. Mas eu faria de tudo para proteger minha amiga. Conseguimos sair da sorveteria, e o ar fresco da tarde pareceu aliviar um pouco o clima pesado que tinha ficado entre nós. O sol já começava a se pôr, tingindo o céu de tons alaranjados e rosados, e o som dos nossos passos ecoava pelo asfalto enquanto caminhávamos em direção à casa da Angel.
Angel caminhava à frente, com os braços cruzados, claramente tentando disfarçar o que sentia. Charlotte, Nicolle e eu trocávamos olhares silenciosos, sem saber se deveríamos dizer algo ou simplesmente respeitar o silêncio dela. De repente, ela parou, virou-se para nós e respirou fundo.
— A garota que estava com o Ethan é a Rachelle — disse, com a voz firme, mas o olhar denunciando o incômodo. — Vocês disfarçam muito mal, meninas. Eu sou a melhor amiga de vocês, conheço cada uma como a palma da minha mão. — Ela deu um meio sorriso cansado. — Sei que estavam tentando me proteger, mas não precisam fazer isso.
Eu olhei para baixo, sentindo um aperto no peito.
— Nós só não queríamos que você o visse e ficasse triste, Angel... — Alexandra falou baixinho, mexendo nervosamente nas pontas do cabelo.
Ela soltou um riso curto, sem humor.
— Alex, eu já sou crescida. Sei cuidar de mim, não preciso de babás. — O tom saiu mais duro do que ela queria. Alex ficou em silêncio, sem conseguir encará-la.
Angel pareceu perceber o que tinha feito. O olhar dela suavizou um pouco e ela suspirou.
— Me desculpa, Alex. Eu não quis ser grossa, tá? Eu só... — ela fez uma pausa, procurando as palavras certas — eu sei que vocês só estavam tentando me ajudar, mas eu não preciso, ok?
Charlotte foi a primeira a quebrar o silêncio.
— Tá. — disse simples, mas com um leve sorriso. — Bom, eu preciso ir. Quero aproveitar o resto do dia com meu pai. Um beijo, meninas. — Ela se aproximou, nos abraçou rapidamente e levantou a mão para um táxi que passava. Em poucos segundos, já estava dentro do carro, acenando pela janela.
— Eu amo essa garota — murmurei, sorrindo de leve, antes de olhar pra Alexandra. — Alex, você vem comigo? Meu motorista pode te deixar em casa. — Eu já tirava o celular da bolsa, ligando para o motorista.
— Claro — respondeu, ainda um pouco abalada pela conversa com Angel.
Ficamos ali, as três, esperando o carro chegar. O silêncio não era desconfortável, mas tinha um quê de melancolia. Quando o carro parou, o motorista desceu rapidamente para abrir a porta. Antes de entrarmos, Angel nos olhou com aquele olhar doce, mas cansado.
— Fiquem bem, tá? — disse ela, tentando sorrir.
— Você também, amiga. — respondi, me aproximando para abraçá-la. O abraço foi apertado, sincero, cheio de carinho. — E... não fica se martirizando por causa do Ethan, tá? Ele não merece.
Angel riu fraco e me apertou mais forte.
— Eu prometo tentar.
— A gente te ama, sabia? — falei, abraçando as duas ao mesmo tempo.
— Eu também amo vocês, suas bobas — respondeu Angel, enfim sorrindo de verdade.
Nos despedimos e entramos no carro. Eu me recostei no banco e olhei pela janela enquanto o motorista dava partida. O reflexo do pôr do sol passava pelo vidro e iluminava o rosto da Alex, fazendo tudo parecer um pouco mais leve.
— Sabe, Alex — comecei, depois de alguns minutos de silêncio — acho que a Angel vai ficar bem. Ela só precisa de um tempo pra digerir tudo.
— Eu também acho — respondeu ela, olhando o movimento da rua. — A gente só quis proteger, mas talvez tenha sido demais, né?
— Às vezes, querer proteger quem a gente ama também machuca um pouquinho — falei, dando de ombros. — Mas é isso que torna a amizade verdadeira.
Ela sorriu com as minhas palavras.
— Você fala bonito quando quer.
— Eu sempre falo bonito, nerdzinha — respondi, rindo.
O carro parou em frente à casa dela.
— Chegamos — anunciou o motorista.
— Me manda mensagem quando chegar, tá? — pediu Alex.
— Pode deixar. E nada de ficar se culpando por hoje, ouviu? Foi só um dia ruim. Amanhã vai ser melhor — falei, piscando pra ela.
Ela sorriu, abriu a porta e subiu as escadas da sacada. Antes de entrar, olhou pro céu, o pôr do sol já dava lugar às primeiras estrelas.
Apesar de tudo, eu sabia que, no fim das contas, ainda tínhamos umas às outras. E isso bastava. Quando cheguei em casa, tomei um banho morno e demorado. A água morna levou embora o cansaço do dia e a confusão que ainda rondava meus pensamentos. Enrolei-me na toalha macia, vesti meu pijama favorito, um short leve e uma camiseta larga do Jason, que eu havia "roubado" dele e prendi o cabelo num coque frouxo.
A lua iluminava meu quarto pela janela entreaberta, e o som suave dos grilos lá fora dava um toque de paz. Me joguei na cama, abracei o travesseiro e olhei para o celular na mesinha de cabeceira. Vi uma chamada perdida do Jason e um pequeno sorriso escapou. Ele sempre ligava quando eu demorava pra responder. Peguei o telefone e disquei o número dele. O toque durou poucos segundos antes que eu ouvisse a voz rouca e calorosa do meu namorado do outro lado.
Ligação ON
— Oi, princesa — ele disse, com aquele tom de voz que me fazia sorrir na hora. — Liguei pra você à tarde, mas você não me atendeu. Tá tudo bem, meu amor?
— Oi, amor. Tá tudo ótimo — respondi, ajeitando o travesseiro atrás da cabeça. — Eu tava com as meninas, a gente saiu um pouquinho, por isso não atendi.
— Entendi — ele riu baixinho. — Como foi o seu dia, meu anjo?
Fechei os olhos, lembrando da tarde leve que tinha passado com as meninas.
— Foi ótimo, amor. A gente conversou, deu umas risadas e... bom, teve um momento meio tenso, mas acabou tudo bem. E o seu?
— O meu? — ele riu de novo, com aquele tom provocante que eu conhecia bem. — Passei metade do tempo sentindo falta de você, princesa.
Revirei os olhos, mesmo que ele não pudesse ver, e senti as bochechas esquentarem.
— Deixa de ser bobo, Jason Drummond — falei rindo.
— Eu não tenho culpa — ele rebateu, divertido. — Não é fácil ter uma namorada linda, inteligente e ainda fingir que consigo me concentrar nas aulas.
— Ah claro, inteligente... — murmurei, fingindo desdém. — Você é impossível.
— Impossível não... apenas completamente apaixonado — ele respondeu, e por um segundo meu coração derreteu.
Houve um pequeno silêncio entre nós. Eu podia ouvir a respiração dele do outro lado da linha, calma, tranquila, como se estivéssemos lado a lado.
— Eu gosto quando você liga só pra ouvir minha voz — confessei baixinho.
— Eu ligo porque é o único jeito de sentir você perto quando não posso te abraçar — respondeu ele. — Sabe, é estranho... fico olhando pro teto e imaginando o que você tá fazendo, se tá sorrindo, se tá pensando em mim.
— Eu sempre penso em você, Jason — sussurrei. — Mesmo quando tento não pensar.
Ele riu, com aquele som abafado e gostoso.
— Que bom saber que não sou o único bobo aqui.
Sorri, mas já sentia o sono pesando nas pálpebras.
— Acho que vou dormir, amor... tô exausta.
— Tá bem, meu amor — disse ele, com a voz agora mais baixa, quase um sussurro. — Dorme bem, tá? Sonha comigo.
— Só se você sonhar comigo também — retruquei, sonolenta.
— Sempre — ele respondeu. — Boa noite, minha princesa.
— Boa noite, meu amor.
Ficamos alguns segundos em silêncio, nenhum dos dois querendo desligar. Até que finalmente o som suave do "clique" preencheu o quarto.
Ligação OFF
Suspirei e deixei o celular de lado, o coração leve e o rosto ainda aquecido pelo sorriso que ele me arrancou. Me enrolei no cobertor e me virei de lado, abraçando o travesseiro que ainda tinha o cheiro do Jason. A última coisa que ouvi antes de adormecer completamente foi o som distante da chuva começando a cair lá fora. E, no instante em que fechei os olhos, a voz dele ecoou na minha cabeça, calma, quente e cheia de amor.
Naquela noite, sonhei com ele.
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Colégio Interno
Ficção AdolescenteNicolle Carter, Charlotte Backer, Alexandra Cameron e Angel Clark são inseparáveis. Quatro garotas completamente diferentes que, por motivos distintos, acabam se encontrando no mesmo colégio interno e desde então vivem como uma verdadeira irmandade...
