Alexandra
Algumas semanas se passaram...
O baile de finalistas está cada vez mais próximo. Eu, por não estar no último ano, não preciso ir, pelo menos, não este ano. Mas sei muito bem que no próximo não vai ter escapatória. Minhas amigas jamais me deixariam faltar a um evento desse porte. Para elas, é quase um ritual sagrado.
Muita coisa mudou nesse tempo. Jason pediu Nicolle em namoro no meio do refeitório, diante de todos. Foi uma cena e tanto: Camilla quase explodiu de raiva, enquanto Nicolle suspirava toda apaixonada, mergulhada de vez nesse conto de fadas meio bagunçado que é o relacionamento deles. Charlotte, por outro lado, está envolvida num casinho com Michael. Ela não comentou nada oficialmente, mas já a vi saindo várias vezes do quarto no meio da noite, e o destino dela sempre parece ser o mesmo: o corredor que leva ao quarto dele. Angel também surpreendeu todo mundo. Ela assumiu o namoro com Ethan, que começou pela internet e agora ganhou vida real. Eles decidiram levar as coisas a sério. Achei fofo, embora um pouco arriscado. Além disso, ela tomou uma decisão inesperada: no ano que vem não vai continuar na Cheshire Academy. Disse que prefere ficar perto dele, perto do namorado. Apoio, claro, mas já sei que vamos sentir muita, muita falta dela.
Eu e Daren também mudamos... e muito. O que antes era um abismo de implicâncias virou aproximação. O grupo dos meninos e o nosso grupo de meninas acabaram se unindo de uma forma natural, quase inevitável. Hoje, inclusive, vou sair com Daren. Só nós dois. Sem a sombra dos amigos, sem risadas coletivas para esconder constrangimentos. Só nós. E é estranho dizer isso em voz alta. Estranho lembrar que há algum tempo ele me humilhava, me tratava mal, e agora... agora estou prestes a sair com ele.
O colégio anda vazio. Na verdade, estamos todos em casa porque, para completar a lista de bizarrices, uma infestação de baratas tomou conta da escola. A diretora decidiu evacuar todo o prédio para uma fumigação geral. Resultado: uma semana inteira em casa. Descobriram tudo na sexta, e hoje já é domingo, nosso segundo dia longe da rotina de corredores e aulas.
Ontem, inclusive, me aventurei em algo impensável: eu, Alexandra Cameron, fui às compras. Precisei renovar algumas coisas, principalmente porque a minha mãe decidiu apresentar o novo namorado para mim. Confesso que ainda não sei muito bem o que pensar sobre isso, mas acabei encarando a ocasião como desculpa para mudar um pouco o guarda-roupa. Claro que não fiz isso sozinha: Nicolle, Charlotte e Angel estavam comigo. O problema é que, como cada uma tem um estilo completamente diferente, a compra foi um verdadeiro campo de batalha. Saímos exaustas, mas pelo menos eu trouxe algumas peças novas. Depois de tanto tempo encarando meu armário e revirando as sacolas da última compra, finalmente consegui montar algo que me deixou satisfeita.
Acabei optando por algo simples, mas que me deixava confortável e, ao mesmo tempo, com um toque fofo e despretensioso. Coloquei uma t-shirt rosa-claro, bem leve, combinada com um macaquinho curto preto, de tecido jeans, que deixava o visual jovial e descontraído. O contraste das cores ficou exatamente como eu queria: delicadeza no rosa e atitude no preto. Nos pés, escolhi meus tênis Converse pretos de cano alto, clássicos, que davam aquele ar casual perfeito para um encontro que não precisava de exageros. Para completar, peguei minha bolsinha preta redonda, com detalhes divertidos em branco na frente, simples, mas com personalidade.
Como acessório, deixei os óculos de armação dourada prontos para levar, caso o sol resolvesse aparecer. O cabelo solto caía naturalmente sobre os ombros, sem penteado elaborado. A maquiagem foi leve: um gloss rosado nos lábios, máscara de cílios e um blush suave para dar vida ao rosto. Ao me olhar no espelho, senti que aquele look dizia muito sobre mim: nada forçado, nada além do que sou. Apenas Alexandra, no meu estilo, indo viver algo inesperado com Daren.
Meu coração batia acelerado, não pelo visual, mas pelo nervosismo do encontro.
Quando terminei de me arrumar, dei uma última olhada no espelho. O coração parecia bater em dobro, mas antes que eu pudesse me perder nos meus próprios pensamentos, ouvi passos vindos da sala.
— Oi, mãe... o que faz em casa? — perguntei, surpresa, porque ela quase nunca parava por aqui.
Ela estava recostada no sofá, de meias, com o cabelo preso de qualquer jeito, algo que eu quase nunca via.
— Queria descansar um pouco, filha. — respondeu com um sorriso cansado, mas doce. Seus olhos percorreram meu look com atenção. — Você está linda. Para onde vai?
Corei imediatamente, sentindo minhas bochechas queimarem.
— Vou sair com um amigo, mãe... — murmurei, desviando o olhar. Uma pausa. — Eu posso ir?
Aquilo saiu quase automático, embora eu nunca tivesse precisado pedir permissão. Minha mãe sempre estava ocupada demais para se importar com esse tipo de detalhe.
Ela ergueu uma sobrancelha, surpresa com minha pergunta, e depois sorriu.
— Claro, eu levo você.
Antes que eu respondesse, uma buzina curta e firme soou lá fora. Meu coração deu um pulo dentro do peito. Eu sabia exatamente quem era.
— E não é que ele veio mesmo... — sussurrei para mim mesma, tentando conter um sorriso nervoso. Virei para minha mãe e acrescentei: — Bem, mãe, eu vou indo. Prometo voltar cedo.
Ela se levantou e me deu um beijo na testa, gesto raro, que me aqueceu o coração. — Está bem, querida. Se cuida.
Saí de casa sentindo minhas pernas um pouco bambas. E lá estava ele: Daren, encostado no carro, me esperando. Ele parecia ter saído direto de uma cena de filme, cabelo arrumado, um perfume leve que o vento já trazia até mim e aquele olhar penetrante que sempre me desmontava. Assim que me aproximei, ele abriu um sorriso discreto.
— Oi... você está linda. — disse em um tom baixo, mas firme.
Senti minhas bochechas corarem de novo. Eu nunca sabia como responder a esse tipo de elogio, então apenas sorri, nervosa, mordendo o lábio inferior. Daren, cavalheiro como sempre, abriu a porta do carro para mim. Entrei rapidamente, tentando esconder o quanto minhas mãos tremiam. Ele deu a volta com calma, entrou no lado do motorista e ajeitou o cinto antes de dar a partida. Olhei para ele de canto de olho, ainda curiosa.
— Para onde a gente vai?
Ele lançou um sorriso enigmático, mantendo os olhos na estrada. — Fazer o que você mais ama no mundo inteiro.
Meu coração deu outro salto. Ele fez uma breve pausa, só para me provocar, e completou com a voz carregada de humor:
— Comer.
Soltei um risinho, tentando disfarçar minha empolgação, mas por dentro estava fazendo uma verdadeira dancinha interna. Apenas me recostei no banco, abraçando a sensação de expectativa que aquela noite prometia trazer.
Chegamos ao estacionamento do shopping, e Daren estacionou o carro com a calma de sempre. Assim que descemos, ele caminhou ao meu lado, quase sem tocar em mim, mas sua presença era tão marcante que eu sentia como se houvesse uma corrente invisível nos ligando. Seguimos juntos até o Burger King, onde o cheiro de fritura e hambúrguer grelhado tomou conta do ar.
Subimos para a parte de cima e encontramos uma mesa um pouco afastada, mais tranquila. Ele puxou a cadeira para mim e eu me sentei, ajeitando o cabelo atrás da orelha.
— E então, o que você quer comer? — perguntou, apoiando o queixo na mão e me olhando daquele jeito que sempre me deixava desconcertada.
Corei imediatamente. — Bem... você pode escolher pra mim.
Ele riu baixo, balançando a cabeça como se já esperasse essa resposta. — Tá. — sorriu e levantou-se.
Fiquei observando enquanto ele descia para fazer os pedidos. Eu tentava não encarar muito, mas não conseguia evitar reparar no jeito dele andar, na confiança que transmitia. Quinze minutos depois, voltou trazendo duas bandejas lotadas de comida, e eu quase engasguei só de olhar.
Ele colocou a minha na frente e falou com naturalidade:
— Pra você, pedi um hambúrguer duplo, batata, coca média... e, quando a gente for embora, a gente pega os sorvetes.
Meu coração derreteu naquele instante. Existe cara mais perfeito que esse?
— Nossa, eu não como assim tanto... — reclamei, fazendo uma cara emburrada.
Ele arqueou a sobrancelha e respondeu, sarcástico: — Claro que não!
Revirei os olhos, mas preferi me calar. Só respirei fundo e mergulhei no meu "paraíso particular", saboreando cada mordida daquele hambúrguer.
No meio do silêncio confortável, ele pigarreou.
— Eu preciso te falar uma coisa.
Olhei pra ele com a boca cheia de batata.
— Se você vai falar que eu sou comilona, eu já sei. Não precisa repetir.
— N-n-não, não é isso. — gaguejou, rindo nervoso.
— Então pode falar. — respondi, limpando os dedos num guardanapo e encarando-o.
Ele respirou fundo, como se estivesse carregando o peso do mundo nos ombros.
— Bem... eu nem sei por onde começar. — suspirou. — Eu sei que eu era um cara chato, que te humilhava demais... mas eu gosto de você. Você despertou algo em mim que eu nem sabia que existia. Eu nem sabia que gostava de loiras.
Dei um risinho nervoso, mas continuei ouvindo.
— O ponto é... você me faz querer ser uma pessoa melhor todos os dias. A primeira coisa que eu penso quando acordo é em olhar pros seus olhos. Eu gosto muito de você, Alexandra. De verdade.
Meu coração estava descompassado, e antes que eu pudesse reagir, ele respirou fundo e completou:
— E quero te fazer uma pergunta. — fez uma pausa dramática, como se o mundo tivesse parado. — Você quer namorar comigo?
Ele não estava ajoelhado, não tinha buquê de flores ou violinos tocando ao fundo, mas naquele instante nada disso importava. Só a forma como ele me olhava já era suficiente para me desmontar.
— Daren, eu... eu nem sei o que dizer. — murmurei, sorrindo sem graça.
Ele se inclinou mais perto. — Um sim já está de bom tamanho.
Meu coração explodiu num misto de nervosismo e felicidade. — Eu aceito, sim. — falei, e vi o sorriso dele se abrir imediatamente.
Daren então enfiou a mão no bolso e tirou uma pequena caixinha. Mas, em vez de um anel, havia um colar delicado. Franzi a testa, surpresa.
— Ué? Não deveria ser um anel? — pensei.
Ele riu, como se tivesse ouvido meus pensamentos. — Deveria ser anel, mas achei muito vulgar. Então mandei fazer esse colar especialmente pra você.
Era lindo: uma corrente fina, com o meu nome escrito e, nas pontas, duas pequenas borboletas. Eu não sabia se queria chorar ou sorrir.
— Posso colocar em você? — perguntou.
Assenti em silêncio. Ele se levantou, foi para trás de mim e cuidadosamente colocou o colar no meu pescoço. O toque de seus dedos roçou na minha pele, me dando um arrepio. Logo depois, se inclinou e depositou um beijo suave na minha testa. Ficamos ali no Burger King até por volta das quatro da tarde, conversando e rindo como se o mundo lá fora não existisse. Quando finalmente levantamos, ele entrelaçou os dedos nos meus e disse:
— Nossos amigos estão no Starbucks esperando a gente.
E eu apenas sorri, ainda com o coração acelerado, sem acreditar que aquele momento era real.
Descemos, pegamos nossos sorvetes e ficamos na parte de baixo do shopping por mais alguns minutos, aproveitando o doce gelado enquanto ríamos de coisas banais. Depois, seguimos de mãos dadas até o Starbucks, que ficava a poucos corredores dali.
Assim que entramos, vi logo a nossa mesa: Jason, Nick, Michael, Charlotte, Angel e, pelo jeito, Ethan já nos esperavam. Todos juntos, como sempre.
— Oi. — cumprimentei, sorrindo.
— Oi, loira! — minhas amigas responderam em coro. Sentei-me ao lado de Michael, e Daren ocupou a cadeira ao meu lado.
Angel arqueou a sobrancelha, debochada: — Vejo que funcionou, senhor McClaren.
Nicolle riu: — Com essa daí, tudo funciona na base da comida.
— Fala a que o namorado precisou anunciar tudo em público... — provocou Charlotte, arrancando risadas, enquanto Nicolle mostrava a língua para ela.
Eu, distraída, estava com o olhar fixo no balcão, absorvendo aquele cheiro delicioso de café fresco que parecia tomar conta de mim.
— O que foi, Alex? — perguntou Daren, reparando.
As meninas se entreolharam e disseram em uníssono: — Cara de quem quer comer. De novo.
Angel riu, balançando a cabeça: — Nem sei como não engorda.
— Tenho bons genes. — retruquei, mostrando a língua.
Enquanto nós conversávamos, os meninos foram até o balcão buscar pedidos. Eu fiquei observando os quatro irem e voltarem, carregando bandejas, enquanto as meninas falavam animadamente sobre roupas e sapatos. Michael foi o primeiro a colocar algo sobre a mesa: — Aqui têm. — disse, largando um prato cheio de sanduíches de atum.
Logo depois veio Daren com outra bandeja:
— Alguém pediu café gelado?
— Eu posso jurar que alguém pediu bolo de chocolate. — comentou Jason, tentando equilibrar outra bandeja.
— E bolo de morango também. — completou Ethan.
Ajudamos todos a organizar a bagunça na mesa, tentando economizar o máximo de espaço possível. A conversa fluía leve, cheia de risos, até que um grupo indesejado resolveu aparecer.
Camilla e suas inseparáveis "Cats" surgiram como se fossem donas do lugar.
— Olha só quem temos aqui. — Camilla começou com aquele tom venenoso. — A loira azeda, a ruiva apimentada, a ladra de namorados e a Barbie falsa. — Ela e as amigas riram, zombando. — Vejo que foram bem rápidas. — comentou, enquanto mexia nas unhas.
Jason bufou, já sem paciência: — Vai embora, Camilla. Aqui ninguém gosta de vocês.
— Você me ama, Jason. Só está fingindo estar bravo. — ela rebateu, revirando os olhos.
Samantha, cruzou os braços e olhou para Daren com cinismo: — Logo a nerd, Daren? Eu esperava mais de você.
Daren, firme, respondeu: — Olha como você fala da minha namorada.
Meu coração disparou ao ouvir aquilo. Eu sou namorada do Daren McClaren. A frase ecoava na minha mente, como se fosse surreal.
Samantha arqueou a sobrancelha, debochada: — Esse privilégio é só seu? Eu achava que seu gosto por mulheres era melhor. — me lançou um olhar de puro desprezo.
Angel não deixou barato: — E é. Tanto que, depois de você, o nível dele subiu bastante.
— Toma, distraída. — debochou Nicolle, rindo da cara de Samantha.
Samantha revirou os olhos e me encarou outra vez: — Eu já ia me esquecendo que a nerd não sabe se defender.
Me encolhi na cadeira, incapaz de rebater. A verdade é que Samantha nunca deixava de me intimidar.
Nesse momento, um funcionário do Starbucks apareceu, sério: — Algum problema aqui?
Kathleen, tentando disfarçar, sorriu falso: — Claro que não. Só viemos cumprimentar nossos amigos.
— Não foi o que pareceu. — retrucou o funcionário, ríspido. — Podem se retirar, por favor.
Camilla bufou, ajeitando o cabelo: — Vamos, Cats. Esse lugar perdeu a qualidade mesmo.
Elas se retiraram em bando, batendo salto alto pelo piso do café.
— Já vão tarde, vacas. — comentou Nicolle, arrancando gargalhadas de todos nós.
O funcionário voltou ao trabalho, e a mesa explodiu em risos e fofocas outra vez, como se nada pudesse estragar aquele momento.
A tarde foi passando rápido entre risadas, piadas internas e histórias malucas. Quando demos por nós, já estava quase anoitecendo. Aos poucos, um a um, nossos amigos foram se despedindo. Jason foi o primeiro a levantar, depois Nicolle e Charlotte, seguidas por Angel e Michael. Ethan saiu por último, com aquele jeito meio misterioso que ainda não consegui decifrar. De repente, o Starbucks ficou silencioso, e eu percebi que só restávamos nós dois ali, com restos de bolo e copos vazios sobre a mesa.
— Finalmente sozinhos. — Daren sorriu, mexendo distraidamente no canudo do café gelado.
— Já estava na hora. — respondi, sentindo minhas bochechas queimarem. Eu não sabia lidar direito com aquele jeito dele... tão seguro, tão natural.
Ele se inclinou na cadeira, apoiando os cotovelos na mesa, os olhos fixos nos meus. — Você não faz ideia do quanto eu esperei pra estar assim com você.
Aquelas palavras me acertaram como um soco leve no estômago. Engoli em seco, tentando não corar ainda mais.
— Eu ainda não acredito muito... que isso tudo está acontecendo. — confessei, brincando com a correntinha do colar que ele tinha me dado.
— Pois acredite. — Daren se aproximou um pouco mais, a voz baixa, quase num sussurro. — Porque eu não vou a lugar nenhum.
Meu coração disparou. Ele estendeu a mão por cima da mesa e segurou a minha, entrelaçando nossos dedos. O toque foi quente, firme, e ao mesmo tempo suave, como se ele tivesse medo que eu escapasse.
— Sabe o que é engraçado? — ele disse, ainda olhando pra mim. — Eu já tive tanta gente ao meu redor, mas nenhuma conseguiu me deixar nervoso como você consegue.
Eu ri baixinho, meio sem jeito: — E eu que achava que você nunca ficava nervoso.
Ele arqueou um sorriso torto. — Com você eu fico. Sempre.
Ficamos assim, apenas nos olhando, como se o resto do mundo tivesse desaparecido. Eu sabia que estávamos no meio de um café cheio, mas naquele instante era como se só existíssemos nós dois. Quando nos levantamos para ir embora, ele passou o braço pelos meus ombros e me puxou para perto. O gesto era tão natural, tão protetor, que me arrancou um sorriso involuntário.
No caminho para o estacionamento, pensei comigo mesma: Talvez eu realmente tenha tido sorte... talvez Daren McClaren não seja apenas o galinha da escola. Talvez ele seja, de fato, o meu namorado.
Daren e eu estávamos no carro dele, parados em frente à minha casa. O motor desligado, o silêncio parecia gritar, mas não era desconfortável. Pelo contrário, havia algo no ar que me deixava elétrica, como se cada segundo importasse. Olhei para ele e não pude evitar sorrir.
— Gostei muito de ter passado o dia com você — disse Daren, com aquele sorriso que fazia meu peito acelerar. — Eu pensava que você era mó chata. — Ele piscou, brincando, e eu senti uma pontada de orgulho e vergonha ao mesmo tempo.
— Quem? Eu? — falei, tentando soar irônica, mas a voz falhou um pouco. — Eu sou a mais legal do colégio.
Ele riu, e o som dele encheu o carro, me fazendo querer ouvir mais.
— Bem, vou andando — falei, abrindo a porta, mas ele segurou o cinto de segurança, me fazendo parar.
— Não esqueceu de nada? — perguntou, os olhos fixos nos meus, e meu coração bateu mais rápido.
— Ah, é... obrigada pelo dia incrível, eu adorei — falei, tentando manter a calma, mas minha mão tremia levemente enquanto eu ia saindo do carro.
— Não. Você esqueceu disso aqui — disse Daren, aproximando-se de mim com um sorriso tímido, mas intenso. E então aconteceu: ele me beijou. Meu primeiro beijo. Senti minhas pernas ficarem leves, a respiração se perder, o mundo inteiro sumir por alguns segundos. Ele selou nossos lábios com delicadeza, dando dois selinhos e sussurrando: — Agora sim, pode ir.
Desci do carro ainda zonza, o coração martelando dentro do peito. Caminhei até a porta de casa, cada passo me deixando mais consciente do dia que acabara de ter. Assim que entrei, dei de cara com minha mãe sentada no sofá, assistindo a um filme.
— Ainda bem que chegou, Alex. Estava morrendo de fome — disse ela, sorrindo.
— Mãe? Você está bem? — perguntei, surpresa. — A gente nunca janta juntas. Você sempre diz que tem que jantar no escritório para não perder tempo.
— É sim... mas hoje eu quero passar um tempinho com minha filha. Tenho sido muito ausente — respondeu ela, e eu não consegui evitar o pensamento: "Tem sido? Alguma vez foi presente?" — Quero compensar o tempo perdido.
17 anos de tempo perdido, pensei, engolindo a emoção.
— Tá bom... então vamos jantar com o quê? — perguntei, tentando soar casual, embora meu corpo ainda sentisse o calor do beijo de Daren.
— Puré de batata — respondeu ela, e eu fiz uma careta. Ela riu. — Estou brincando, pedi pizza.
— Obaaaa! — exclamei, pulando e abraçando minha mãe.
Jantamos, rimos, assistimos a vários filmes e, quando a noite caiu, acabamos dormindo juntas no sofá dela. Fiquei lá, deitada, pensando no dia: o sorriso dele, a mão dele segurando a minha no carro, o primeiro beijo... tudo parecia mágico, como se cada instante tivesse sido feito para ficar gravado na minha memória para sempre.
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Colégio Interno
Novela JuvenilNicolle Carter, Charlotte Backer, Alexandra Cameron e Angel Clark são inseparáveis. Quatro garotas completamente diferentes que, por motivos distintos, acabam se encontrando no mesmo colégio interno e desde então vivem como uma verdadeira irmandade...
