Alexandra
A semana passou voando, e com ela vieram tantas novidades que parecia que o mundo estava se acelerando só para me deixar tonta. Finalmente, o colégio liberou a gente para sair nos finais de semana, o que era um alívio, já que a rotina intensa me deixava cansada e ansiosa. As Cats estavam brigadas entre si, uma pequena guerra interna que me deixava até divertida, já que finalmente eu não precisava mais me preocupar com elas. Tivemos também uma apresentação em grupo de quatro pessoas; meu grupo ficou composto por mim, Daren, Angel e Jay, e conseguimos a maior nota da turma, um orgulho que me fez sorrir sem perceber. Hoje seria um dia especial por outro motivo: o namorado da minha mãe vinha jantar em casa. Confesso que, por mais feliz que eu quisesse parecer por ela, havia uma pontada de ressentimento. Como minha mãe conseguia ter tempo para namorar e não para mim? Respirei fundo, afastando esses pensamentos egoístas, e fui me arrumar.Escolhi uma roupa confortável, mas arrumada o suficiente para não parecer desleixada. Meus All Star cinzentos completavam o look casual que eu amava e desci para ver como estavam os preparativos. A dona Sandra havia preparado um buffet incrível, espalhando petiscos e pratos que faziam meu estômago roncar só de olhar. A mesa estava linda, cheia de cores e aromas, e eu mal podia esperar para experimentar tudo. Segui para a sala de estar, liguei a TV e, para me distrair, coloquei SpongeBob na tela. Amo aquele desenho, ele me leva para um mundo completamente diferente, cheio de cores e energia, onde nada de ruim parece existir. Cada risada e cada cena absurda me faziam esquecer da minha ansiedade, e eu finalmente consegui relaxar um pouco. Minutos depois, a campainha tocou. Dona Sandra foi atender, e eu fiquei de pé, nervosa e curiosa, observando enquanto dois homens entravam. Eles eram muito parecidos fisicamente, e isso me chamou a atenção de imediato. Minha mãe desceu correndo e cumprimentou o mais velho com um beijo caloroso, enquanto ele sorria com gentileza. O mais jovem se manteve sério, mas atento.
— Alex querida, este é Damian, meu namorado, e seu filho, Scott —minha mãe apresentou.
— Muito prazer em conhecê-los — falei, estendendo a mão para cumprimentar ambos com um sorriso educado, mas contido.
— O prazer é todo nosso, não é, Scott? — Damian olhou para o filho, tentando incluí-lo na conversa.
—Sim, claro, pai — respondeu Scott, revirando os olhos de forma quase cômica, mostrando que não estava tão impressionado com a formalidade do encontro.
—Alex e Scott, eu e Damian vamos para o escritório revisar alguns contratos e depois voltamos para jantar, está bem? — minha mãe explicou, antes de se levantar.
Assenti e me sentei no sofá, voltando para a tela da TV e me concentrando no mundo colorido de SpongeBob. Scott se aproximou e comentou, com um meio sorriso:
— Você parece infantil assistindo SpongeBob.
— Tá — respondi, indiferente, sem muito interesse em socializar com ele naquele momento. Eu queria que eles não estivessem ali, ao menos ainda não, e continuei assistindo ao desenho. No meio da distração, meu celular começou a tocar. Era Michael. Sorri imediatamente; ele sempre tinha o poder de me fazer sentir calma, mesmo em dias estranhos.
— Com a sua licença, preciso atender essa ligação — disse, subindo para meu quarto com o celular na mão.
— E aí, loira? — ele disse, sua voz sempre tão familiar e acolhedora.
— Oi, Michael. Aconteceu alguma coisa com você? — perguntei, inclinando-me contra a parede do quarto.
— Sei lá... tô meio triste e queria saber se posso passar pela sua casa — falou, com aquele tom que me lembrava meu irmão mais velho, protetor e presente.
— Claro, você é sempre bem-vindo — respondi, sorrindo.
— Até já, loira.
— Beijos. — desliguei, sentindo meu humor melhorar só de pensar na visita dele.
Desci novamente e pedi para que Dona Sandra colocasse a comida na mesa. Eu mesma ajudei a organizar tudo, sentindo a satisfação de ver o jantar tomar forma, pratos dispostos, talheres alinhados e uma energia acolhedora preenchendo a casa.
Assim que terminamos, a campainha tocou.
— Eu atendo — murmurei, e fui até a porta. Lá estava Michael, com aquele sorriso charmoso que sempre me deixava nervosa.
— Tá linda para mim, Alex? — brincou, entrando com aquele jeito descontraído que me fazia rir involuntariamente.
— Deixa de ser idiota, Michael, pode entrar — respondi, tentando soar séria, mas era impossível não sorrir.
Ele entrou e logo se deparou com Scott, que estava sentado no sofá assistindo TV. Um pequeno constrangimento pairou no ar, mas Michael lidou com isso com naturalidade.
— Daren não vai gostar de saber disso, Alex —comentou, meio em tom de brincadeira, mas eu o olhei indignada.
— É o filho do namorado da minha mãe, Michael —expliquei, ainda tentando não rir da cara de surpresa dele.
Michael cumprimentou Scott com educação e, em seguida, nos acomodamos para conversar. Tentamos incluir Scott na conversa o tempo todo, para que ele não se sentisse deslocado. Ele acabou contando sobre o divórcio de seus pais, e Michael fez aquela piada característica:
— Bem-vindo ao clube dos que têm problemas familiares.
Depois de algum tempo, minha mãe e Damian saíram do escritório e nos chamaram para a mesa.
— Oi, Michael, como você está? —minha mãe cumprimentou, com aquele tom elegante de sempre.
— Oi, Sra. Cameron. Estou bem, e a senhora? —respondeu ele, com um sorriso cortês.
— Nada de senhora, já falei para você — disse minha mãe, rindo. —Mas estou bem. Vamos comer?
— Oba! — exclamei, dando uma pequena dancinha de empolgação. Todos na sala riram de mim, e naquele momento, mesmo com toda a formalidade e tensão, me senti completamente em casa. Depois de comer em um ambiente tão familiar, cercada pela minha mãe, Damian, Scott e Michael, senti uma paz que há muito não sentia. A comida estava deliciosa, as risadas fluíam naturalmente e, depois, ficamos juntos assistindo a vários filmes - cada um mais divertido que o outro. Era bom ver Michael interagindo com Scott e Damian, perceber que todos conseguiam se entender e se sentir à vontade no mesmo espaço. Eventualmente, Damian, Scott e Michael se despediram. Os abraços demorados e os acenos da porta me deixaram um misto de saudade e gratidão, e eu me dirigi para o meu quarto. Tomei um banho quente, deixando a água levar embora a tensão e a ansiedade do dia. Vesti uma roupa confortável e me joguei na cama, pegando o celular. Esperava ao menos uma mensagem do meu namorado, mas a tela estava vazia. Um aperto no peito surgiu, mas tentei não me deixar levar; talvez ele ainda estivesse chateado comigo, e eu precisava respeitar o espaço dele. Suspirei e abri o tablet, iniciando uma vídeo chamada com minhas amigas.
— Oiiiiiiiiiiii — Nick acenou com entusiasmo.
— Oiii —respondi, sorrindo.
— Que foi gente? — Angel perguntou, curiosa, enquanto Charlotte apenas nos olhava com aquele sorriso calmo.
— Como foi com seu futuro padrasto, Alex? — perguntou Nick.
— Foi incrível. E com seus pais? — perguntei, tentando puxar assunto.
— Sei lá, foi normal, coisas de sempre. Char? — disse Nick, olhando para Charlotte.
— Meu pai e eu fomos ao interior visitar minha avó por parte de mãe. Foi tão mágico conhecê-la. — Charlotte começou, com um brilho nos olhos. Ela contou que a avó do pai dela a visitava e compartilhava histórias sobre a mãe, com quem Charlotte nunca teve contato.
— Vamos falar de assunto sério, meninas: o baile, a gente vai? — Angel interrompeu, com aquele tom decididamente prático.
— Eu topo — respondeu Charlotte.
— Eu também topo — Nick confirmou.
— Eu também topo, até porque da última vez eu amarelei — falei, corando levemente.
— Legal, então quinta vamos às compras — Angel concluiu, e todas concordamos com entusiasmo.
— Tá — respondi, empolgada.
— Eu vou avisar o Michael, beijos — disse Charlotte antes de desligar a chamada.
— Gente, eu também tenho que ir. Beijos — falei, encerrando a chamada e ficando sozinha com meus pensamentos.
Fiquei observando o teto do meu quarto, perdida em nada, até que minha mãe entrou silenciosamente. Ela parecia carregada de algo importante e se sentou na poltrona ao lado da minha cama.
— Seu pai tinha cabelos loiros e olhos azuis como você — começou ela, com a voz baixa. — Ele adorava estudar e sempre tirava as melhores notas, tal como você, filha. Também amava esportes e era muito sociável — ela pegou um porta-retrato e me entregou. — Este é o seu pai, carregando você no colo pela primeira vez.
Vi a lágrima escorrer pelo seu rosto, e meu coração se apertou.
— Quando você nasceu, Alex, você teve problemas sérios de coração e precisou ficar na UTI até melhorar. Seu pai e eu ficamos muito abalados, mas quando você saiu, foi o dia mais feliz e também mais triste da minha vida. Eu sabia que você estava bem, mas perdi seu pai — continuou, emocionada. — Quero que saiba que, se você não quiser que Damian seja meu namorado, eu cortarei toda relação. Ele não veio para substituir seu pai, está bem?
— Mãe, sua felicidade é o que importa — respondi, sorrindo através das lágrimas. Minha mãe me puxou para um abraço apertado, e senti uma onda de alívio. — Seria bom ter uma figura masculina perto da gente, para nos proteger.
— Com ou sem Damian, eu sempre vou te proteger, Alex. Você é muito importante para mim — disse ela, acariciando meu cabelo.
Sentei-me na cama, deitando minha cabeça em suas pernas. Comecei a chorar baixinho, deixando que todo o peso emocional do dia se dissipasse naquele abraço. Aos poucos, o cansaço venceu, e adormeci ali, sentindo-me segura e amada.
Acordei com o som do meu celular tocando e, ainda sonolenta, vi que era Daren me ligando.
— Oii — murmurei, meio arrastada pelo sono.
— Bom dia, Alex. Como você está? — a voz dele soava preocupada, quase me fazendo abrir os olhos de vez.
—Eu tô bem.
— Te acordei? — perguntou, e eu balancei a cabeça, mesmo sem ele me ver.
— Não — menti, tentando não admitir que estava ainda com sono.
— E aí, pensou?
— Sim — respondi, já sentindo uma pontada de ansiedade. — Vou ao baile com você!
— Fantástico! A gente pode se ver mais tarde? — a voz dele se iluminou de entusiasmo.
— Claro. Pode ser na minha casa?
— Claro.
— Sem comida você não entra — brinquei, sorrindo sonolenta.
— Tá, senhora esfomeada. Adeus —respondeu, e desligamos.
Daren e eu somos diferentes, mas de uma forma que combina: eu mais calma e na minha, ele cheio de si; ambos meio desajeitados na hora de demonstrar sentimentos. Eu nunca tive muitas oportunidades, ele... bem, ele é o Daren Mcclaren, o garoto mais mulherengo do mundo. Voltei a me enrolar nos lençóis e só despertei ao meio-dia.
— ALEX, VOCÊ AINDA ESTÁ NA CAMA? — gritou minha mãe lá de fora. Qual a necessidade de gritar se podia só subir e perguntar?
Mandei uma mensagem rápida dizendo que já tinha acordado, porque detesto gritaria. Entrei no banheiro, tomei um banho demorado, cheiroso e reconfortante, e vesti meu pijama de ursinho. Afinal, Daren deveria conhecer também o lado infantil e divertido da Alex, não só a nerd madura que ele já conhecia.
Desci para comer e percebi que minha mãe tinha saído, mas deixou um bilhete avisando que iria encontrar Damian e que Scott passaria para jantar à noite.
Enquanto eu almoçava, a campainha tocou. Dona Sandra foi abrir e, para minha surpresa, Daren entrou, carregando alguns sacos plásticos que Dona Sandra ajudou a colocar na mesa a pedido dele.
— Oi, princesa — disse, me dando um selinho e se acomodando à minha frente. —Tá linda de ursinha.
— Oi, obrigada. Quer comer comigo? — perguntei, e ele assentiu com aquele sorriso fofo.
Levantei-me para buscar pratos, talheres e copos, arrumei o lugar dele e voltamos a nos sentar. Daren serviu a comida e começamos a conversar animadamente sobre tudo e nada.
— Qual será a cor do seu vestido? — perguntou, curioso.
— Não sei ainda, vou fazer compras amanhã com as meninas — corri levemente, sentindo o calor subir às minhas bochechas.
— Tá, e depois me avisa, ok? — disse ele, piscando.
— Por quê? — perguntei, confusa.
— Ué, pra que meu terno combine com seu vestido — sorriu, tão doce que me fez corar mais ainda. — Ah, e trouxe hambúrguer do BK.
— Melhor namorado do mundo — suspirei, abrindo uma das sacolas e encontrando meu duplo com batata frita, exatamente do jeito que eu gostava.
Depois de comer, subimos para o meu quarto. Ele ficou admirando cada detalhe, os olhos brilhando. Meu quarto era azul claro, iluminado, com uma cama enorme de princesa e várias luzinhas penduradas, além da minha mini biblioteca particular cheia de livros organizados na estante.
— Seu quarto é lindo — disse ele, surpreso. — Eu pensei que quarto de nerds era só cama e livros. O seu é maravilhoso.
—Eu sei, eu sei — me gabava, e ele revirou os olhos, divertido. — Você sabe jogar xadrez?
— Não — negou com a cabeça.
— Então que tal assistirmos um filme? — sugeri.
— Não.
— Sair para passear?
— Não.
—Então o que você quer fazer?—perguntei, confusa.
— Dormir. —Ué, como assim dormir? Olhei para ele, sem entender, e ele completou: — Isso mesmo, dormir. Sem segundas intenções, prometo. Só quero passar mais tempo pertinho de você antes de voltar para a "prisão" que é minha casa.
Daren tem algo no coração dele que não consigo definir, mas sei que é verdadeiro.
Nos deitamos, ele me puxou para perto, e dormimos de conchinha. Nunca tinha dormido assim com alguém, e a sensação de estar tão coladinha com ele era incrivelmente confortável, aconchegante e diferente de tudo que eu já senti. Acordei sentindo segurança, carinho e uma paz que só ele parecia me dar.
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Colégio Interno
Ficção AdolescenteNicolle Carter, Charlotte Backer, Alexandra Cameron e Angel Clark são inseparáveis. Quatro garotas completamente diferentes que, por motivos distintos, acabam se encontrando no mesmo colégio interno e desde então vivem como uma verdadeira irmandade...
