10. Encontro

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Camila Cabello | Point Of View

— Eu quero tentar. – Ela quebrou o silêncio.

— Sério?

— Sim. Não entendo o porquê, mas preciso ver no que isso vai dar.

— Obrigada Lauren. – Beijei a mão dela. – Obrigada mesmo pela chance.

— O que podemos fazer?

— Podemos jantar?

— Parece bom. Comida japonesa cairia bem.

- Conheço um lugar bom. Vou te dar o endereço.

— Vamos com meu carro. Depois você pega sua lambreta. – Olhei pra ela e cerrei os olhos.

— Não chame minha nave de lambreta. Foi difícil encomendar uma dessas.

— É uma daquelas fanáticas por motos?

— E carros!

— Mereço! Vamos logo. – A acompanhei, abri a porta pra ela e entrei em seu carro. Digitei o endereço no GPS e ela deu partida.

— E você? Gosta de fazer o quê?

— Eu passo o tempo ocioso dormindo. E você?

— Quando não estou dormindo, fico mexendo em meus bebês. Gosto de arte e adoro ler.

— Aprecio arte. Aquele quadro do El Greco que você deu para a Tay é incrível.

— Foi difícil de conseguir. Tay me avisou na segunda e sábado já era o jantar.

— É aqui?

— Sim. Espere. – Sai do carro, corri para lado e abri a porta. Ela ficou... Não sei, com uma expressão estranha.

— Coisa de soldadinho de chumbo?

— Coisa de educação. – Ela revirou os olhos e pegou minha mão. Entramos no restaurante e nos sentamos.

— Vamos dividir uma barca?

— Sim. – Ela pediu.

— Gosto de ler também.

— Qual livro está lendo? Você está lendo algum?

— Sim. Tay me fez ler a saga Divergente. Estou no terceiro.

— Ela me fez ler também. Estou no segundo. É muito interessante e diferente.

— Sim. Ela me obrigou a ler o primeiro, mas no segundo capitulo, já estava viciada. – Nossa barca chegou, não falamos muito durante a refeição.

— Música? Gosta de algum estilo? Parece clássica. – Falei arqueando um sobrancelha.

— Bom... Até gosto de viajar escutando musica clássica, mas gosto de musicas antigas, principalmente o rock antigo.

— AC/DC ou mais The Cure.

— Os dois. Realmente me encanta tudo daquela época. E você?

— Vai parecer que foi porque você falou, mas gosto coisas antigas também, mas sou mais Roxette e Berlin.

— Os adoro. Acho que temos mais um gosto em comum. – Sorri.

— Podemos tomar um sorvete. O que acha? – Ela olhou o relógio.

— Sim. Está cedo ainda. – Ela olhou para as roupas. – Estou me sentindo suja, sai do escritório e vim para cá.

— Deixamos para outro dia então. – Ela ficou me olhando por um tempo.

— Lá em casa tem sorvete. Podemos ir para lá.

— Podemos sim. – Falei naturalmente, como se o convite não tivesse me deixado nervosa, mas deixou.

— Ótimo. Vou pegar o carro e você paga a conta. – Assenti.

Depois ela me deixou no lugar onde minha moto estava e foi para casa. Dei um tempo, nem sempre estamos preparados para receber visitas, então dei um tempo dela organizar tudo. Quando cheguei ao prédio, o porteiro me deixou subir. Apertei o número cinco no elevador, Tay havia mencionado isso em uma de nossas conversas. Bati na porta e Lauren abriu. Ela estava sem o blazer e com a camisa social com alguns botões abertos.

— Entre. – Entrei e o apartamento dela era muito sofisticado. Clássico como tudo nela.

— É lindo.

— Obrigada. Fique a vontade. Vem comigo. – Ela pegou minha mão e me guiou até a cozinha.

— É incrível. Você cozinha?

— Olha... Me defendo quando necessário. E você?

— Também.

— Bom. Olha aqui tem taças e na geladeira frutas, chantilly e caldas. Levo o meu sorvete a sério, não me decepcione.

— Eu que vou preparar? – Ela assentiu. – Pensei que era visita.

— Você me convidou. Você é responsável. – Ergui as mãos. – Vou tomar um banho e já volto. – Assenti.

Quando ela saiu, caiu minha ficha. Estou na casa dela... Será que ela é dessas que transa no primeiro encontro. Comecei a tremer... Não posso contar que sou virgem. Não deve ser isso, ela só quer me conhecer melhor. Fique calma, Cabello. Mantenha a calma.

Preparei uma bagunça dentro das taças e depois de um tempo ela voltou. Com um short minúsculo e uma camiseta
enorme do Bob Marley.

— Parece... A aparência não está muito boa. – Peguei uma colherada e levei até aqueles lábios tentadores e carnudos.

— Prove. Garanto que o gosto está bem melhor. – Ela inclinou o corpo e limpou o conteúdo da colher com os lábios. Saboreou por um tempo e depois engoliu. Nem preciso dizer a quantia de bobagens que pensei com isso.

— Está maravilhoso, Soldadinho de chumbo. – Revirei os olhos, mas no fundo, gosto muito quando ela me chama assim.

— Vamos sentar? – Ela assentiu e pegou uma das taças. Acompanhei-a e nos sentamos no sofá de sua sala. Ela ligou a TV. Começou a passar por vários canais e parou em um filme.

— Desejo e reparação. Já assistiu?

— Melhor não assistirmos esse filme. – Ela ficou me fitando por um tempo e depois mudou o canal.

— Amor à distância?

— Esse também não. Já vou embora. Só vou comer o sorvete, não quero atrapalhar seu sono, amanhã você trabalha.

— Você trabalha amanhã?

— Não. Estou de férias.

— As minhas começam na semana que vem.

— Legal. – Voltamos a atenção para a TV. Ela deixou em uma série e eu terminei minha taça.

— Você não conversa quando come?

— Espero você falar, eu pensei que você não conversasse. – Peguei a taça dela e fui até a pia. As lavei e sentei no sofá. – Acho que está na minha hora. – Ela assentiu e levantou. – Não precisa me levar até a moto. Está frio lá fora. – Ela assentiu e caminhou comigo até a porta. – Obrigado pela companhia. Foi bom te conhecer um pouco melhor. – Ela sorriu.

— Você é uma boa companhia, soldadinho de chumbo. Nos veremos em breve. – Ela selou nossos lábios e fechou a porta. E eu pensando que ela queria transar... Nem um beijo descente ela me deu. Ok. A noite foi boa e isso que importa.

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