94. Pontual

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Camila Cabello |Point Of View



DJ já havia avisado ao tenente Hunt sobre minha visita, pois ele me esperava sentado na frente do hotel. Ele já havia visitado o QG e se deixou disponível caso precisasse de ajuda, por isso o conhecia.

— Marechal... – Ele foi levantar, mas fiz sinal para ele parar.

— Sem formalidades hoje, Owen. Me chame de Camila.

— Perfeito, Camila. Qual é o problema? – Sentei ao lado dele.

— Pesadelos... Eles tinham amenizado um pouco, mas agora estão mais reais...

— Se sente culpada, Camila? – Eu olhei para o carro e Tay mexia no celular.

— Um pouco, minha vida beira a perfeição e eu não consigo conviver com o fato de ter deixado tanta gente por lá. Não sei... Eu fiquei por horas naquele posto, justo quando caio exausta no chão meu comandante morre... Era para minha cabeça explodir... Aquela imagem vai ficar registrada para sempre na minha mente. E essa quantia de meninos que querem ir para guerra, pedem transferência para no meu QG para terem um preparo melhor, cada história que contamos, cada detalhe que lembramos... É tão difícil.

— Sabe... Era para ele ter morrido ali, nada acontece por acaso, Camila. Eu acredito que tenhamos um propósito maior aqui e somos guiados por uma força que sabe tudo que vai acontecer. Você não pode se sentir culpada, ajudou seu país... Protegeu inocentes e matou pessoas que escolheram um caminho errado. É difícil lembrar, mas são suas marcas, são momentos que te fizeram melhor e moldaram a Marechal exemplar que é agora. Sobreviver ao inferno e aproveitar o paraíso. Seu coração é bom, Camila. Ouvi coisas impressionantes ao seu respeito, em todos os lugares que vou, tem alguém que comenta sobre a Tenente Cabello e ninguém fica surpreso quando algum superior corrige para Marechal. Essa é sua vida, aonde você tem que estar e não se culpe por estar seguindo. Por levantar e ter um propósito. Só aproveite, pois você lutou para chegar aqui. – Limpei uma lágrima que correu por minha bochecha.

— Você é mesmo bom.

— Eu estive lá e sei que mereço estar aqui. Fui mais automático, confesso, mas depois desse tempo, aprendi que se estou usando meu tempo para o bem não estou o desperdiçando. Aprendi com o tempo você vai aprender também.

— Obrigado, Owen... Eu nem sei como agradecer, foi uma ótima conversa. Ficar de frente para um psicólogo que não sabe de nada do que passei e fica analisando tudo que você fala é desconfortável. Mais estressante que calmante.

— Sim, por isso evito salas, não sou psicólogo, mas saber o que passamos me eleva um pouco e me qualifica para isso.

— Não vou tomar seu tempo, já é tarde.

— Não se preocupe, se quiser conversar mais.

— Acabei ficando mais um pouco, era realmente muito bom conversar com alguém que viveu aquilo e não tem medo de falar sobre.

Quando percebi o tempo havia voado e corri para pegar o finalzinho do jantar. E pedi mil desculpas a todos é claro, mas eles me entenderam.

Uma semana depois...


Acordei e Lauren estava me encarando.

— Droga! Estava me mexendo?

— Não, pelo contrário estava tão tranquila que tive que te admirar. – Ela selou nossos lábios. — Você acorda o Sebastian e eu a Ísis.

— Ok. – Ela saiu do quarto e eu fui escovar meus dentes, depois fui até o sótão e entrei no quarto dele. — Hey General. Está na hora do café.

— Já, papa?

— Sim. Sua mãe já chamou a Ísis. Vamos logo deixe a preguiça para amanhã que é sábado.

— Ok, já estou indo.


×××


Estava levando Sebastian para escola, Ísis não tinha aula e hoje e foi passar o dia com Lauren na empresa. A tarde ela ficaria comigo.

— Só educação física pela manhã?

— Sim.

— Vai para o QG depois?

— Posso?

— Sim. Vou te deixar dinheiro para um táxi, mas pegue o táxi mesmo, não ande até lá ou pegue ônibus.

— Ok, papa. Posso ir de carona com o professor, ele mora perto, lembra?

— Melhor. – Parei no sinal vermelho e tomei um pouco de café.

— Você namorou a tia Tay mesmo? – Eu me afoguei e ele bateu de leve mas minhas costas.

— Você é um disco quebrado com esse assunto.

— Mas você não me responde.

— Sabe como a DJ e louca, meu filho. Tay e eu só trocamos alguns beijinhos, coisas bem inocentes.

— Mama sabe?

— Sim. A Sua tia é responsável por sua mãe e eu nos envolvermos, ela foi muito insistente.

— Você que chegou na mama, Papa?

— Sua mama era muito difícil, filho. Batalhei para conquistar ela, ela me deu um fora enorme, por isso fiquei com a Tay, mas sempre deixamos claro que éramos só amigas... Só estava magoada e ela foi ótima me ajudando.

— Claro que foi... Com beijos. Só beijos mesmo?

— Se você me acha careta agora... Nem sabe como eu era muito pior antes.

— Você namorou a tia Marina... Tia Tay... Só gatas. – Ele ficou olhando pela janela do carro... Parecia pensativo. — A Mama tem ciúmes de você, papa. Eu acho muito estranho, pois vocês vivem juntas e mesmo assim ficam brigando por ciúmes.

— Meu amor... Quando escolher sua namoradinha quero que se lembre do que acabou de me dizer.

— É tenso assim?ˋ

— Não é tenso, só que relacionamentos tem esses temperos, claro... Saudável. Eu já cheguei a extremos por causa do meu ciúmes, mas agora e tranquilo.

— São muitas regras.

— Você é novo ainda.

— Posso ser igual ao tio Chris. Solteirão.

— Ele não solteiro porque quer, amor. Ele é apaixonado pela Normani, mas não a valorizou e acabou perdendo. Agora carrega isso com ele e não consegue se relacionar com mais ninguém. Ele vai achar alguém, mas sempre vai ser a Mani.

— Tia Mani? Papa! Precisamos conversar mais sobre esses relacionamentos na nossa família. – Eu gargalhei.

— Outra hora eu te falo mais. Vai antes que se atrase. – Ele assentiu e me abraçou depois beijou minha bochecha, saindo do carro e entrando no colégio.

Peguei o rumo do QG e logo estava estacionando na minha vaga. Coloquei minha mochila no ombro e fechei a porta, ligando o alarme.

— Sempre pontual, filha. – Virei rapidamente e meu pai estava ali. O tempo tinha o castigado, estava bem judiado e mais magro. Ele sorria para mim e eu não sabia como agir... Eu nem conseguia respirar.

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