47. Inesquecível Veneza

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Camila Cabello |Point Of View

No aeroporto, só dava nossa família. Eu os avisei que não levassem malas, pois as ruas de lá são cheias de escadas e de difícil locomoção, mas ninguém me escutou. Só Lauren e eu usamos minhas mochilas do exército. Marina também estava com uma bolsa pra carregar nas costas, ela gosta de viagens, ela já conheceu vários lugares.

Já no avião, Lauren se aninhou a mim e peguei no sono.

Chegamos à Itália, em Florença para ser mais especifica, e pegamos um trem até Veneza. Demoramos duas hora e meia, dentro dele.

Quando finalmente chegamos, a beleza da cidade impressionava mesmo. Caminhamos até o hotel, que não ficava muito longe dali.

Passamos pela praça em frente à Basílica di San Marco. Ela é maravilhosa e bem conservada.

Conversei com a recepcionista e peguei nosso cartão. Ela me entregou um catálogo com os pontos turísticos. Eu estava super cansada, carregar duas mochilas daquele tamanho detonou minha coluna. Quis economizar e não peguei um daqueles taxis aquáticos. Abri a porta e o quarto fez jus ao preço, ele era incrível. A vista de toda a cidade.

— É lindo, Camz.

— Sim. – Falei a abraçando por trás. – O que vamos fazer?

— Vamos descansar da viagem. Perto do anoitecer, vamos ver o por do sol do traghetto.

— O que é isso?

— É uma gôndola pública. Ela atravessa o Grand Canal nas áreas longe das poucas pontes disponíveis. Eu pesquisei que é lindo demais.

— Perfeito. Vamos descansar um pouco. – Falei caminhando até a cama e apaguei anos mesmo de cair sobre o colchão.

— Tenente? Você devia ter me protegido. – Meu tenente com a cabeça despedaçada gritava.

— Eu tentei. Passei a noite te protegendo.

— Era para você estar morta. Minha mulher e meus filhos vão ficar como?

— Não tive culpa. Não tive culpa. – Ele apontou a arma na minha cabeça. — NÃO! – Disse pulando do telhado.

Acordei no chão.

— Camz? Você está bem?

— Estou. – Falei levantando com a ajuda dela.

— O que houve?

— Nada.

— Caiu por nada?

— Sim.

— Você teve um pesadelo?

— Não.

— O que conversamos sobre mentiras?

— Sim. – Falei sentando na cama.

— Você não teve culpa, Camz. Esse seu psicólogo não está te ajudando em nada. Quando nós voltarmos, vamos a outro.

— Não adianta.

— Claro que adianta. Vou com você. – Coloquei o rosto entre as mãos. — Camz... Não fique assim. – Ela me abraçou. – Eu estou aqui com você.

— Estou bem, amor. Vamos nos vestir e ver se tem alguma embarcação zarpando.

— Porque você foge de conversas assim? Sou sua mulher, você tem que se abrir comigo.

— Amor... Estou bem. Quando não estiver, vou conversar com você.

— Promete?

— Prometo. – Selei nossos lábios.

— Vamos então.

Depois de prontas, entrelaçamos nossos dedos e caminhamos até o porto. Nosso hotel fica bem localizado, diferente da pensão das nossas famílias, que fica nos becos escuros da cidade. Para nossa sorte, existia um grupo prestes a sair. Um cruzeiro pelo Grande Canale. Depois de passar por alguns pontos turísticos, o traghetto parou. Fomos até a grade e nós admiramos a vista.

— Isso é incrível.

— Realmente muito lindo. – Ela virou-se pra mim. – Tão tranquilo... Transmite uma paz. – Eu disse. — É emocionante, parece um filme...

— Camz... – Virei para ela. — Eu estou grávida. – Senti um arrepio percorrer minha coluna.

— Como?

— Eu ando muito sensível, com um desejo exagerado e com enjôo. Minha menstruação atrasou e fui ao médico. Ele disse que estou de dois meses. – Minha cabeça demorou a juntar todos os pontos, mas depois a abracei.

— Vamos ter um bebê, amor?

— Sim, vamos. – A beijei e depois fiquei encarando os olhos dela. Ela tocou meu rosto. — Camz... Você está chorando? – Ela disse emocionada.

— Estou? – Ela assentiu. — Estou tão feliz. Isso é incrível, amor. – Limpei as lágrimas do rosto dela e ela do meu.

— Quis te contar, pois vamos nos casar e com uma criança não poderemos ter uma lua de mel. Que tal a fazermos ela agora?

— Acho uma idéia excelente. – Toquei a barriga dela. — Ele podia ser parecido comigo. Ou ela.

— Eu adoraria que ela ou ele se parecesse com você. Você prefere o quê? – Eu estava tão dormente com a notícia que quase não conseguia falar.

— Porra, Lo. Não sei... Eu vou amar qualquer um. – Ela me abraçou forte e nosso cruzeiro acabou e eu nunca me esquecerei dele.

Chegamos ao hotel quando estava anoitecendo. Fomos para a sacada e olhamos a vista privilegiada do nosso quarto.

— Porque não contou antes? – Eu disse quebrando o silêncio.

— Fiquei com medo de sua reação. Você é sempre tão certinha e não nos casamos... Não sei o que me deu.

— Tudo bem, amor. Mas eu estou completamente extasiada. Vamos ter um filho. Você pode viajar?

— Posso. O médico me liberou.

— Alguém sabe?

— Não. Achei que seria um assunto nosso primeiro.

— Em qual vez será que foi?

— Pelo dia que o médico falou, acho que foi naquele final de semana na casa de campo.

— A pílula não funcionou?

— Ele disse que se usada com frequência perde o efeito.

— Isso é incrível. Não vamos contar pra ninguém, vamos aproveitar isso sozinhas.

— Por mim, perfeito. – Levei as mãos à cabeça, eu realmente não sabia o que fazer para externar a felicidade que sentia. Senti algo escorrendo por minha bochecha e cocei. Lauren sorria pra mim. – Você está chorando de novo.

— Isso alivia a felicidade que estou sentindo. Chega doer meu peito. – Ela sorria abobada pra mim.

— Nunca pensei que te faria chorar.

— Sem dúvidas, guardei minhas lágrimas para uma ótima causa. – Ela selou nossos lábios.

— Uma ótima causa.

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