03. Soldadinho de Chumbo

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Camila Cabello | Point Of View



— Esperem. As acompanho até o carro. – Falei andando até elas.

— Não precisa.

— Faço questão. – Ela revirou os olhos.

— Não precisamos de babá.

— Grossa! – Murmurei, mas elas ouviram. A garota sorriu abafado.

— O que você disse?

— Disse que você é grossa! – O vermelhão de seu rosto voltou.

— Escuta aqui... Soldadinho de chumbo, eu não sou seus marionetes. Respeita-me! – Tirei minha boina e sorri. Achei uma graça dela me chamando de Soldadinho de chumbo.

— Esse xingamento... – Levei minha boina ao peito. – Me destruiu. – Falei sorrindo e a garota gargalhou. Já a olhos claros bufou.

— Você é muito petulante... Sua idiota!

— Chega de frescura vocês duas. – A garota mais nova falou. – Obrigada... – Ela me fitou.

— Tenente Cabello.

— Obrigada tenente Cabello. Realmente seu encarregado estava me incomodando.

— Tudo bem. Fico feliz de ter ajudado.

— Não fez mais do que sua obrigação, deveria estar cuidando desses idiotas.

— Que violência, Laur. – A garota falou rindo.

— Agora vamos. – A olhos claros disse puxando a mais nova pelo braço.

A partir dali, comecei a punir todos os que flertavam. Não queria ser afrontada por outra moça louca e autoritária. E linda. Muito linda. Sorri lembrando que recebi um apelido novo.



Lauren Jauregui |Point Of View

Estava dirigindo para casa, Tay tinha um sorrisinho nos lábios.

— O que houve?

— O que você achou da tenente?

— Achei uma petulante, convencida e... Droga! Eu a odiei. – Tay sorriu mais.

— Acho que você está dando muita importância para alguém tão petulante.

— Arrogante. Chamou-me de grossa! Você ouviu? – Tay gargalhou.

— Vocês são tão lindas. Ela é linda... Você é linda... Vocês combinam!

— Você... É louca. Isso é insano.

— Você tem que admitir que ela é sexy.

— Tay! O que é isso?

— Estou falando sério.

Tay ficou me importunando até chegar em casa. E depois do banho dela, continuou. Ela foi jantar comigo, só para implicar mais. Eu sonhei com a tal tenente, de tanto que ela falou nesta petulante.

Camila Cabello | Point Of View



Meu pai como punição, me fez ficar de guardinha da quadra da escola novamente. Minha paciência estava por um fio, fora isso, meus pais não falam comigo.


— Tenente Cabello! – Ele bateu continência. – Essa menina quer conversar com a Tenente. – Olhei e era a garota de ontem.

— Nos deixe sozinhas e vigie seus colegas. – Ele saiu e voltei minha atenção para a ela. – Algum problema?

— Não. Sim... Desculpe, estou nervosa.

— Não fique.

— Minha irmã... Quer dizer, vim me desculpar por ela. Ela é um pouco dura, mas é uma boa pessoa.

— Tudo bem. Foi divertido, gostei do soldadinho de chumbo. – Ela gargalhou.

— Você não tem intervalo? Podemos tomar um café? – Olhei para os lados.

— Acho que não tem problema. – Caminhamos até a cafeteria da esquina e nos sentamos.

— Então... Você é tipo a mais importante...

— Não. Sou a quase mais importante. Estou dois cargos abaixo do mais importante.

— Você não é muito nova pra isso?

— Tenho 23.

— Mais nova que minha irmã. Como você conseguiu?

— Eu sou bem inteligente, me sai bem em todos os dias a campo, fiz curso superior e meu pai serve ao exercito também. É suficiente para você?

— Não estou questionando, só pensei que velhos tinham cargos altos.

— Sim. O mais importante é o Marechal, esse sim tem que ir para a guerra e ser veterano na base.

— Sim... Sabe, eu amo muito da minha irmã, mas ela é uma pessoa fria com os outros. Acho que só eu consigo faze-la sorrir. – Fiquei atenta a conversa dela. – Na maioria do tempo, ela não se importa com nada, mas você a incomodou profundamente.

— Desculpe, eu não tive a intenção de...

— Não. Isso foi bom. – Olhei confusa para ela. – Você mexeu com ela... Eu sei disso.

— Ela falou algo?

— Ela não é do tipo que fala, tenente. Eu a conheço bem para estar afirmando isso.

— Realmente não entendo aonde você quer chegar.

— Você namora?

— Não... Você está pensando em...

— Só um encontro... Por favor.

— Acho que eu não sou o ideal para sua irmã. Ela parece ser culta e tem classe. Ela não iria querer sair com um soldadinho de chumbo.

— Eu realmente acho que ela iria querer sim, se ela não quiser... Eu a convenço.

— Não creio que seja uma boa idéia.

— Você não a achou bonita?

— Ela é muito bonita, mas não é isso, eu só não quero... Sei lá. Não sou boa com essas coisas de encontros. Sempre fico nervosa, sabendo que a pessoa me odeia, deve ser pior.

— Ela não te odeia. Eu posso te garantir isso. – A fitei por um tempo, qualquer ser humano acharia Lauren bonita, mas não creio que seja uma boa idéia.

— Não me sinto a vontade com essa idéia. – Ela escreveu em um papel, depois me entregou.

— Esse é meu celular, me ligue se concordar com minha idéia. Acho que vocês dariam mais que certo. Não sei o porquê, mas sinto isso. Eu amo minha irmã, sei que ela precisa de alguém que a tire do sério, como você fez ontem.

— Preciso voltar ao meu posto.

— Vamos então. – Saímos dali e caminhamos até o portão da escola. Nós despedimos com um aceno de cabeça e ela se misturou aos outros alunos. Ela é uma adolescente sonhadora, não devo me iludir com suas idéias malucas de criança.

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