72- Vaticano

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Em casa...

Eugène...

— Aí eu escolhi apenas uma tiara ao invés de usar véu, e vou ver com um pastor protestante; é bem melhor, não tem essa coisa de provar que foi batizado, fez a primeira comunhão, crisma... Até porque sei que você foi mal, mal mesmo batizado. — Karen falava entre uma garfada e outra de seu bife grelhado com batatas assadas.

— Karen, fiquei sabendo que a perícia disse que o Esteban morreu antes de cair no rio. — Disse ele, olhando firme para a noiva para analisar sua reação.

Karen parou de comer por três segundos, segurando o garfo no ar, e em seguida falou:

— Acho que meu advogado disse algo sobre isso, mas não entrou em detalhes sobre a causa da morte. — Ela bebeu um generoso gole de vinho tinto.

— Por que não me falou sobre isso? Por que não me contou que sabia que ele já estava morto antes do acidente? — Perguntou Eugène enquanto cortava um pedaço de carne.

— Eugène, se está desconfiando de mim é só falar que terminamos. A base do casamento é a confiança, mas pelo visto só eu estou preocupada com a nossa cerimônia e o nosso futuro. Enquanto eu penso em nós, você fica vasculhando o meu passado. Prefiro terminar mesmo, já estou cheia de sentir que só eu amo e me dedico nessa relação. — Karen levantou-se da mesa chorando, magoada com a desconfiança.

Eugène sentiu-se culpado e a abraçou, tentando acalmá-la.

...

Assim que o sol nasceu resolvi pegar o meu Audi e ir até Juvisy e aproveitar para passar em Paris. Meu projeto já tinha por volta de seis meses, porém ninguém sabia que ele era meu, pois meu advogado é quem estava cuidando de tudo para mim. Meu novo projeto era uma editora que iria trabalhar a princípio apenas com escritores iniciantes, aqueles que estão precisando de uma oportunidade, e até teria oficina de redação, fotografia, edição, gráfica, desenhos gráficos, design e oficina de leitura.

Sim, eu sabia que a Karen não gostaria nada disso e até poderia se sentir ameaçada com isso, mas ela estava lidando com escritores que já faziam sucesso e eu praticamente estava ensinando as pessoas a serem escritoras. Karen não deixaria isso passar em brancas nuvens, então estava esperando meu contrato acabar para a inauguração da Editora Nouveau Monde. Bom, eu sei que todos os livros que escrevi até Gárgula terão uma porcentagem indo para a editora da Karen e que anos atrás comprei 3% das cotas que Esteban colocou à venda, porém acho que essa é a melhor decisão a ser tomada no momento.

Assim que cheguei a Juvisy-Sur-Orge fui até o casarão que havia comprado, minha advogada já estava lá e a construtora já havia reformado boa parte do que combinamos. É claro que se tratava de uma casa centenária e eu não queria mudar o aspecto de palacete, mas como estava partida por dentro aproveitei para mudar bastante coisas, já que a casa não era tombada como patrimônio histórico. Três quartos que seriam transformados em salas para as oficinas já estavam prontos, inclusive o que seria transformado em oficina de leitura; pensei em transformá-lo em uma biblioteca também e liberar um horário para receber escolas.

O quintal era bem grande com um jardim lindo que não quis destruir, pelo menos não todo; contratei uma empresa que fazia aquelas casas com container para construir a sala onde ficaria a gráfica, e a mesma ocuparia uma parte do quintal.

— Estou gostando bastante do resultado, tá construtora? Mas eu pedi para que tivessem cuidado com o jardim, falei que poderiam mexer apenas no terreno onde ficaria as salas dos containers e uma parte das tulipas foram pisoteadas. Peça que tenham mais cuidado. Vou ligar para a fábrica mandar as impressoras e a máquina da gráfica. Agradeceria se pudesse estar aqui quando as máquinas chegarem. Sei que não é o seu trabalho, mas como combinamos aquela taxa no caso de eu precisar de algum serviço extraordinário...

Gárgula ( +18)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora