58-agressão

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Consegui marcar com o capitão em um café ao invés da delegacia, usando um dos privilégios de ser famosa.

Eu estava usando calça jeans com uma camisa regata branca da Karen; também um tênis e um óculos de sol enorme tentando esconder o inchaço e o arranhão no meu supercílio que já estava começando a ficar roxo.

- Bonjour Emma Müller de Leroy, comment allez-vous? - O capitão Lohan, vestido com um terno preto completo, perguntou com um olhar desconfiado.
- Não muito bem, como sabe meu computador foi arremessado do quarto andar do prédio. - Falei cumprimentando o capitão com um aperto de mão.
- Emma você poderia me contar como o seu computador portátil foi parar em cima de uma BMW causando um considerável engarrafamento?
- Jean e eu nos desentendemos, ele estava bêbado, deve ser isso que não conseguiu falar com o mesmo, deve estar ferrado no sono.

O garçom veio até nossa mesa e pedimos café: o do capitão longo e sem açúcar e o meu com creme.

- Emma estar bêbado não é desculpa, olha o transtorno que Jean causou, ele terá que arcar com as consequências de seu comportamento. Emma eu agradeço se tirar o óculos, gosto de olhar nos olhos das pessoas enquanto converso.
- Desculpa capitão Lohan estou com conjuntivite e não gostaria de contagiá-lo.
- Emma eu não nasci ontem, o Jean te bateu? Se o Jean te bateu eu só posso fazer algo se você prestar queixa.
- Jean não é uma má pessoa, ele sempre cuidou de mim, era a minha única família, ele estava nervoso pois descobriu que eu havia beijado uma outra pessoa...
- Excusez-moi. - O Capitão falou já tirando o meu óculos com delicadeza e constatando o que ele já desconfiava. - Emma...
- Eu sei... Eu vou ter que desmarcar alguns compromissos por causa disso e...
- Emma você tem que ir a delegacia prestar queixa.
- Capitão, a única coisa que eu quero que me ajude a fazer é tirar Jean e as coisas dele da minha casa, estou na casa de uma amiga e quero voltar para minha casa em 2 dias, acho que 2 dias dá para Jean arrumar um frete e tirar suas coisas de dentro da minha casa, ele pode ficar com carro mesmo eu tendo ajudado a pagar, não faço questão. O apartamento está em meu nome então acho que não terá muito problema em fazer isso. Eu só quero a minha paz de volta. Se eu der queixa, em pouco tempo os repórteres invadirão à fachada do meu prédio perguntando sobre a agressão e isso não é bom para os negócios, acabei de fechar um contrato e estou quase fechando outro, minha imagem é tudo que eu tenho eu não quero vinculá-la com coisas como essa. Já vou ter que aguentar todos falando sobre minha separação, logo eu uma escritora de romance.
- Respeito a sua vontade apesar de não concordar com ela, eu mesmo conversarei com Jean e pedirei para que saia do apartamento. - O Capitão falou enquanto tomava um gole do café.

...

No dia seguinte...

Jean...

Jean acordou às 10:00 horas da manhã com seu celular e a campainha tocando ao mesmo tempo; sua boca tinha gosto de cabo de guarda-chuva e sua cabeça doía muito. Atendeu o telefone pois viu que era o capitão Lohan e parecia que havia alguém martelando o seu cérebro quando o mesmo começou a falar antes mesmo dele falar alô:

- Jean eu estou na porta, abra preciso falar com você.

Desligou a ligação e respirou fundo, ele ainda estava com a roupa de antes de ontem, tirou sua camisa de botão amassada e colocou uma outra camisa social para combinar com sua calça. Havia dormido de sapato e aos poucos as memórias vinham a sua cabeça como flashs. Notou que a campainha havia parado, sentiu um alívio, porém uma solidão muito grande com todo aquele silêncio. Andando rápido foi até o banheiro, pentearam o cabelo e escovou os dentes. Foi tudo bem rápido, mas foi tempo suficiente para saber o que havia feito e o porquê do capitão estar batendo em sua porta ansiosamente.

Abriu a porta e o capitão já entrou no apartamento o pegando pelo colarinho e o colocando contra parede enquanto quase o enforcava com o antebraço.

O capitão é branco, dos olhos esverdeados, 1,85 de altura, cabelo castanho e bastante músculos.

- Qual o seu problema? - Lohan perguntou fechando a porta com o pé enquanto o enforcava no hall de entrada. - A Emma é uma celebridade internacional, você não faz a mínima ideia do quanto estou tendo que me esforçar para não vazar para a imprensa que o notebook voador pertencia a escritora. Eu posso até imaginar o que ela fez para te deixar nesse estado, porém nada justifica você bater em uma mulher. Era só sair de casa, terminar por mensagem de voz, e-mail, SMS, sinal de fumaça, você não precisava ter feito o que fez, o rosto de Emma está horrível e vai piorar. Se vazar a agressão, tenho certeza que pode dar adeus a sua profissão de policial, te digo mais... Sem exagero acho que não conseguirá emprego em lugar nenhum com a quantidade de fãs que ela tem, a pressão para sua demissão será muito grande; eu até estava precisando de uma cortina de fumaça para tirar atenção dos assassinatos das misses, que eu não tenho noção de como resolver o caso, mas eu não quero que essa cortina seja você. Você tem 2 dias para sair do apartamento, aconselho que não chegue perto de Emma nem para pedir desculpas. Ela abriu mão do carro. Se eu souber que agrediu Emma novamente eu mesmo darei um jeito de você ser preso mesmo que ela não preste queixa.

O capitão se afastou dele arrumando seu terno preto sempre impecável.

- Capitão Lohan eu estava...
- Eu sei, estava bêbado, mas você bem sabe que isso não é desculpa, 40% das pessoas que você prende falam a mesma coisa. Preciso de toda a tropa no caso das misses, até o exército está ajudando. Pode ser um caso de serial killer não é normal duas misses serem assassinadas em Paris em tão pouco tempo. Emma é uma pessoa maravilhosa, ela poderia usar a influência que tem e acabar com você, mas não o fez.

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