Eugène...
À medida que o lançamento do livro se aproximava, Karen se via em um verdadeiro dilema. Por um lado, desejava que a obra fosse um sucesso, o que significaria a vitória para sua editora. Por outro, sabia que a sombra do plágio era uma mancha difícil de ser apagada.
Enquanto Karen lutava com sua consciência, Charlotte decidiu tomar uma atitude. Ela convocou uma coletiva de imprensa e revelou publicamente toda a verdade sobre o ocorrido. Karen, que estava presente, sentiu-se envergonhada e humilhada diante de todos. No entanto, ao invés de atacá-la, Charlotte surpreendeu a todos ao oferecer uma chance de redenção: propôs que Karen assumisse a responsabilidade e se comprometesse a mudar as práticas da empresa.
Movida pela generosidade da escritora, Karen aceitou. Pediu desculpas publicamente e prometeu que a editora seria, a partir dali, um lugar de integridade. Porém, no dia a dia, não conseguia esconder o ressentimento. Para ela, Charlotte não precisava ter feito tudo aquilo em uma coletiva, já que ela já havia admitido seu erro e se desculpado antes.
Enquanto isso, a investigação sobre a morte do marido de Karen avançava, e seu comportamento mudava drasticamente. Outrora confiante e segura, agora parecia estar sempre nervosa e ansiosa. A descoberta do corpo trouxe à tona suspeitas sobre seu verdadeiro envolvimento na morte do esposo, e a polícia passou a procurar evidências que pudessem incriminá-la.
Karen afirmava ser inocente, mas sua atitude defensiva só aumentava as desconfianças. A opinião pública começava a se virar contra ela, alimentada pelos rumores que circulavam. Seu advogado, um renomado defensor, planejava argumentar que as provas eram circunstanciais e tentaria desacreditar as testemunhas, sugerindo que a verdadeira culpada poderia ser outra pessoa: Louise.
Eugène estava explicando pela vigésima vez para Karen que concordar com Charlotte não significava que a desejava, quando o telefone tocou. Era o novo arcebispo, pedindo que ele fosse até a catedral imediatamente.
Ao se aproximar da gárgula Pierre Durand, Eugene ficou chocado com o estado da criatura. As asas estavam danificadas, havia um buraco enorme e várias rachaduras profundas; era visível que Pierre sofria intensamente. Como restaurador de relíquias, sabia que tinha a responsabilidade de ajudá-lo. Imediatamente, começou a examinar a extensão dos danos e a planejar o reparo.
Enquanto trabalhava, conversou com a gárgula para entender o que havia acontecido. Pierre explicou que, há cerca de um mês, ao intervir para salvar uma mulher de um assalto, foi atacado a tiros por um policial. No início eram apenas fissuras, mas conforme ele se movia, os danos só aumentaram até ficar daquele jeito.
Eugène ficou intrigado ao saber que não havia sido chamado antes. Descobriu que o novo arcebispo, que recentemente assumira o cargo, ordenara que ninguém o contatasse, sem dar qualquer explicação. Determinado a entender, começou a investigar e descobriu que a ordem era para que pessoas de fora do concílio não soubessem da verdade sobre Pierre. Ele também descobriu que o arcebispo anterior havia sido afastado — muitos diziam que por saúde, mas Eugene desconfiava que era por causa da liberdade que dava à criatura.
Com habilidade e dedicação, Eugene conseguiu reparar as asas danificadas, devolvendo ao monumento parte de sua força e beleza original.
...
Em meio a tudo isso, descobriu onde morava o arcebispo anterior e foi visitá-lo. O velho sacerdote deixou claro que realmente fora afastado por causa de seu afeto por Pierre, e que isso agravara seu estado de saúde. Contou, com tristeza, que a aposentadoria nunca esteve em seus planos; sempre acreditou que morreria na catedral que tanto amava, talvez encontrado por um padre no Santíssimo, morrendo como viveu: orando.
Ao sair, o ex-sacerdote lhe deu a bênção como de costume, e Eugene respondeu "amém", mesmo não sendo católico.
...
Com tudo isso acontecendo, Eugene só se perguntava onde estaria Charlotte, que havia faltado ao curso durante todo o mês. Decidiu ligar para ela.
Definitivamente não poderia fazer a chamada de sua casa em Paris, pois Karen havia se mudado para lá. Pegou sua mochila com o notebook e foi até um parque tranquilo, onde poderia falar sem ser ouvido.
— Eugène? — Charlotte atendeu, parecendo não esperar por uma videochamada.
— Charlotte, tem muita coisa estranha acontecendo. Onde você está?
— Tive que vir para Étretat, estou procurando uma fazenda aqui. Descobri que os preços estão acima do que esperava, então resolvi ficar por aqui até vender minha casa na Alemanha. Está ligando por causa das minhas faltas?
— Não, não foi só isso. Fui chamado pelo novo Arcebispo, Laurent Brunet, para consertar um rombo na asa do seu namorado. Puta que pariu, achei que o combinado era ninguém saber que a gárgula, o guardião de Paris, é real! Você sabe que Pierre teve um confronto direto com a polícia?
— Sim, eu estou sabendo. Foi o Jean, meu ex-marido, que atirou nele. O que eu não sabia era que tinha chegado a esse ponto...
— Charlotte, o Pierre disse que era só uma rachadura no começo. Ele pediu para me chamarem, mas o arcebispo novo achou que não era conveniente chamar um "mero mortal". Estava esperando permissão do Vaticano para mandarem um restaurador de lá. Enquanto ninguém vinha, a asa só piorou, ficou com um buraco de 20 centímetros e rachaduras enormes. Se aquela porra da asa caísse, nem quero pensar no que aconteceria...
— Eugène, como está Pierre? Você acha melhor eu voltar para Paris?
— Acho melhor não. Pelo que entendi, Pierre não quer que Laurent saiba da sua existência.
Eugène havia feito tudo o que precisava quando foi buscar Karen na editora. Antes de irem para casa, passaram em um lugar para comer, mas sua noiva preferiu ficar no carro. Ele esqueceu o celular dentro do veículo e, quando voltou com o lanche nem havia fechado a porta ainda ouviu uma voz fria:
— Por que você ligou para Charlotte?
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Gárgula ( +18)
Fantasi* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ... Eu já falei que o livro tem muito sexo? É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
