Durand...
Naquela mesma noite, saiu em busca de Louise Nirar (pronuncia-se Nirrar), que, segundo Emma, era a principal suspeita. Voou o mais alto que pôde para não chamar atenção, mas ao se aproximar da rua onde a mulher morava, deparou-se com um objeto estranho, com cerca de trinta centímetros. Achou que fosse aquilo a que o Arcebispo se referira, algo como "dome", "drome" ou "drone"... Não lembrava o nome exato, mas lembrava dele dizer que capturava imagens. Achou melhor destruí-lo antes que o registrassem.
O objeto veio em sua direção, mas assim que ele avançou, a máquina começou a se afastar, como se estivesse fugindo. Ela tentou ganhar velocidade e até tentou se esconder atrás de uma nuvem baixa, mas ele foi mais rápido e conseguiu alcançá-la e destruí-la por completo.
Quando finalmente chegou ao apartamento de Louise, agradeceu a Deus por ser na cobertura e agradeceu ainda mais ao ver a porta da varanda aberta.
Adentrou o espaço escuro, mas logo ouviu o barulho da porta da sala se abrindo e a voz da mulher:
— Senhora Alis de Leroy, a que devo a honra? — disse a morena, acendendo a luz, colocando o telefone sobre a mesa e caminhando até a cozinha para pegar um maço de cigarros.
Pierre ficou em alerta máximo; se ela não quisesse que o apartamento ficasse com cheiro de fumaça, logo viria para a varanda. Ele se encostou na parede, permanecendo na sombra, observando a sala pela porta aberta e tentando captar cada palavra.
— Não venha com gracinhas! Você sabe muito bem por que estou furiosa. Não tem como provar que não fez cópias desse diário. E o pior é que só pensei nisso depois de pagar cinquenta mil euros por algo que já era meu! — reclamou a voz do outro lado da linha.
— Tem um ditado que aprendi com um brasileiro numa noite fria de inverno que é bem interessante, presta atenção: "Achado não é roubado; quem perdeu foi relaxado". — Louise falou, parecendo procurar o isqueiro.
— Não brinque comigo, menina! Eu poderia ter chamado a polícia.
— Podia, mas não chamou. Senhora Alis, a senhora tem o rabo preso tanto quanto eu e é por isso que não vai acionar as autoridades.
— Respeite-me, garota!
Pierre já havia entendido tudo: quem roubara o livro era Louise, e agora quem o possuía era Alis de Leroy. Sem perder tempo, alçou voo novamente de volta para a catedral, precisava ligar para Emma e descobrir o endereço exato da mansão onde Alis vivia.
...
Depois de algum tempo tentando usar um telefone antigo — pois seus dedos grandes e rudes não se adaptavam bem às tecnologias modernas —, finalmente conseguiu falar com ela. Emma relutou um pouco em passar a informação, mas ele estava decidido. Anelava por descobrir a verdade sobre Maya, sobre quem ela realmente era, pois já percebera que não era a mulher que ele pensara conhecer séculos atrás.
Precisava ser rápido. Tinha que pegar o diário e retornar à catedral antes que o sol nascesse.
...
Emma...
— Emma, você está perdendo a festa toda olhando para esse celular! Devia estar conhecendo pessoas influentes, isso é ótimo para você, ótimo para os seus livros e, consequentemente, ótimo para mim. — disse Karen, impaciente.
— Karen, eu realmente não estou com cabeça para festas. Tem certeza que não podemos ir embora? — Falei, com o coração apertado de preocupação.
— Claro que não podemos! Não estou entendendo o que está acontecendo com você. Esse é o sonho da sua vida desde os dezessete anos, desde que nos conhecemos. Lembro-me de você pulando de alegria quando conseguia ganhar cinco mil euros com a venda dos livros e me pedindo para guardar o dinheiro em uma poupança, escondido dos seus tios, para que não colocassem as mãos no que era seu. Estamos tão perto de chegar ao topo, não jogue tudo fora agora, por favor. Tenho certeza que vai se arrepender. Agora vamos! O Reed está acenando para nós, seja agradável.
Sem ter outra saída, forcei o meu melhor sorriso e caminhei em direção ao homem que iria transformar o meu livro em uma série de sucesso, com duas temporadas já confirmadas em contrato.
...
Pierre...
Depois de voar por horas, finalmente chegou ao palacete de Alis de Leroy, ou como Emma a chamava, a matriarca da família.
Fazia muito tempo que não retornava àquela região de Nancy. A última vez que estivera por ali fora após a morte de Maya. Ela foi dada como louca por jurar que eu voltara à vida na forma de pedra, na escultura que enfeitava os jardins. Lembrava-se dela correndo apavorada pelo castelo, gritando a verdade após me ver transformar-se em uma noite de lua cheia.
O Duque começou a observar a peça com desconfiança e, certa vez, notou que eu estava uns vinte centímetros fora do lugar habitual. Após consultar padres e ouvir teorias de que a escultura estava possuída, decidiram me jogar no rio ainda na forma inerte. Mas na próxima lua cheia, voltei à vida, saí do fundo das águas e fui atrás da bruxa que me lançara o feitiço, buscando uma forma de quebrá-lo. Descobri, porém, que ela havia sido queimada na fogueira ainda na lua minguante anterior.
Mesmo depois de ser levado para a catedral, retornava algumas vezes a Nancy, apenas para vê-la de longe. Assistia, de forma melancólica, ao envelhecimento da minha amada, até o dia em que o Arcebispo da época me informou que a Duquesa havia partido.
São muitas lembranças dolorosas. Ele realmente esperava nunca mais ter que pisar naquele lugar. Lembrou-se de que, por diversas vezes, veio até o castelo com a intenção de matar o Duque, mas Maya sempre estava por perto. Ela ficava tão nervosa e apavorada toda vez que ele tentava se aproximar ou falar com ela que ele nunca conseguiu chegar perto o suficiente para por um fim na vida do nobre.
Ficou sabendo que, quando o Duque morreu — supostamente em um acidente durante uma de suas caçadas na floresta —, acabaram colocando a culpa nele. Afinal, era noite de lua cheia e alguns servos acreditavam nas histórias de Maya.
Apareceu algumas vezes pelo antigo domínio depois que Maya já não era mais viva, apenas para relembrar os momentos que passaram. Mas com o tempo parou, pois não valia a pena. Toda vez que vinha a Nancy, sentia a saudade apertar o peito, mas também sentia o ódio crescer, lembrando que por causa daquele homem estava preso naquela forma horrenda para sempre.
Sobrevoou o palácio diversas vezes, tentando identificar qual seria o quarto de Alis. Com certeza ela guardaria algo tão valioso perto de si.
— Eu já vim aqui há séculos atrás, acompanhando o Duque em uma de suas viagens. Se ela é tão egocêntrica quanto penso, deve ficar no antigo quarto do Duque. — Pensou, voando cada vez mais baixo até pousar com cuidado sobre o telhado.
...
Momentos antes...
Alis...
— Acho que a melhor coisa a fazer realmente é destruir esse diário. É perigoso demais que alguém saiba como a Duquesa era devassa e que existe a possibilidade real de não sermos descendentes legítimos do Duque. — Disse Alis.
— Mãe, o pior não é nem saberem que ela era uma meretriz. O pior é que, se não formos mesmo descendentes do Duque, então a praga lançada pela bruxa não teria mais motivo para pairar sobre nós. Foram séculos e séculos de infertilidade e loucura na família, exatamente como a bruxa gritou enquanto era queimada. O meu Jean é o último que carrega o sobrenome Leroy, o último com sangue que não sucumbiu totalmente à maldição. — Falou a filha enquanto subiam as escadas em direção aos quartos.
— Diná, você ouviu algo?
— Ouvi o quê, mãe?
— Um barulho vindo do telhado. — Disse Alis, sentindo um calafrio. — Exatamente como a minha avó contava nas histórias...
— Mãe, foi só um gato ou um pássaro. Desde que o tio Bores morreu, nunca mais se ouviu falar que a gárgula andava por aqui. Aliás, sabemos muito bem onde ela está; na catedral, em exposição para todo mundo ver.
— Diná, hoje é noite de lua cheia! E é tarde demais para qualquer visita na catedral. — Alis falou, com o coração batendo forte no peito.
— Pierre Durand está muito ocupado pegando bandidos em Paris. — Brincou a filha, abrindo a porta do seu quarto.
— Feche a porta com chave e tranque bem as janelas! — Aconselhou Alis.
Diná sorriu, desejou boa noite e entrou, fechando a porta.
Alis apertou o diário contra o peito, o manuscrito que por tanto tempo guardara e protegera para que não caísse em mãos erradas. Sentiu raiva de si mesma por tê-lo deixado temporariamente nas mãos de Emma, que agora parecia caminhar exatamente pelo mesmo caminho de devassidão que Maya seguiu séculos atrás, como ela sempre temera.
Ao entrar em seu quarto, notou imediatamente a porta da varanda aberta e as cortinas brancas esvoaçando com o vento noturno.
Olhou para a lareira acesa e teve a certeza absoluta de que não a deixara aberta. Colocou mais lenha nas chamas e mexeu com o atiçador de ferro, tentando acalmar os próprios nervos. Quando fez menção de jogar o diário no fogo para acabar com tudo de uma vez, uma voz grave e profunda saiu da escuridão:
— Não faça isso.
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Gárgula ( +18)
Fantasía* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ... Eu já falei que o livro tem muito sexo? É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
