54 O pretesto

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Karen

Karen

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No dia seguinte...

— Senhor Arcebispo, não dá para eu ficar restaurando essa bendita gárgula se toda noite tiram ela do lugar para limpar o local. Vocês têm que parar com isso! Uma escultura desse tamanho não foi feita para ficar sendo mudada de lugar todos os dias. Com o perdão da palavra, deixem essa porra quieta, senão vão acabar quebrando a escultura de vez! — gritava Eugène ao telefone, furioso, ao perceber que a peça estava 9 cm fora do lugar onde a havia deixado na noite anterior.

...

Emma

Estava ansiosa em meu último dia na Espanha, cumprindo a agenda de compromissos. Mesmo tendo encaixado tantos encontros que não estavam previstos no começo da viagem — almoçando em reuniões, tomando café em eventos e comparecendo a festas de pessoas que mal conhecíamos à noite —, não acrescentamos mais nada para depois da data combinada da volta. E olha que convite não faltou.

...

Emma...

Na festa de ontem, Reed levantou a hipótese de transformar meu livro "Quando tudo der errado" em um filme. Porém, ele queria que eu o reescrevesse para virar uma comédia romântica natalina e até perguntou qual atriz eu achava melhor para o papel principal: Kat Graham ou Candice King. Antes que eu pudesse responder, ele mesmo disse que Kat já havia feito vários filmes de natal e que, por isso, seria melhor fazer com a Candice dessa vez.

Reed sugeriu que começassem a gravar o quanto antes para ficar disponível em dezembro, e eu estava adorando tudo aquilo, apesar de estar muito cansada. Ele queria ter certeza de que seria possível concluir o projeto até dezembro antes de assinarmos qualquer papel. Mas o importante é que a negociação estava andando e ambos estávamos bastante empolgados com a ideia.

Hoje aconteceria a última festa de divulgação da série e amanhã à tarde já estaremos no aeroporto de Orly. Bem a tempo de eu inventar uma desculpa qualquer para ver Pierre.

Fui tirada de meus pensamentos por uma ligação de Jean:

— Buenos dias.

— Bonjour. Como vão as coisas por aí? — puxei assunto, sem estar nem um pouco interessada.

— Amor, as coisas não andam muito bem por aqui. Minha mãe comentou sobre ter visto um monstro no quarto de Alís no dia do incêndio. — disse Jean, conseguindo finalmente minha atenção.

— Você acha que é caso de internar a sua mãe? O que ela realmente viu? — perguntei, sem me preocupar em parecer assustada.

— Minha mãe não parece estar louca, mas toda vez que pergunto sobre o dia do incêndio, ela sempre responde a mesma coisa: que viu o demônio em chamas diante dela. Diz que desmaiou em seguida e, quando acordou, o quarto estava pegando fogo perto da lareira e nas cortinas. Contou também que foi até a varanda onde Alís estava e viu o mesmo demônio voando, ainda em chamas. Os mais velhos estão dizendo que foi a gárgula que voltou para se vingar da minha família. A história já está se espalhando muito rápido por toda a cidade. Não vai demorar para isso cair na internet e você ganhar ainda mais destaque com o seu livro.

Gárgula ( +18)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora