* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ...
Eu já falei que o livro tem muito sexo?
É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
— Eu fui seu companheiro, seu amigo, seu porto seguro! Estive com você antes mesmo de Karen aparecer com essa ideia idiota que deu origem ao livro Crônicas de Machado e Espada, estava com você antes de ficar famosa. Eu não acredito que me traiu com aquela abominação! Sua história nada mais era que o reflexo da realidade: me traiu com um assassino sanguinário que está matando minha família há gerações!
— Jean, o Pierre nunca tentou matar ninguém da sua família que não fosse o Duque! E ele fez isso por amor a Maya! — falei, dando dois passos para frente na direção do notebook.
— Emma, você é tão ingênua... Está enfeitiçada por esse ser demoníaco! Terá o mesmo fim de Maya e da bruxa! — gritou ele, terminando de virar a última dose de whisky que havia no copo.
— Jean, você está bêbado! Vamos esperar essa bebedeira passar e conversamos com a cabeça fria... Vou fazer um café bem forte para você, pode tomar um banho enquanto isso...
— Esse maldito livro! Nossa vida estava ótima antes dessa ideia ridícula de escrever sobre gárgula! — Jean falou, olhando fixamente para a tela do computador.
Corri até a mesa na tentativa de pegá-lo primeiro, mas ele foi mais rápido. Levantou o aparelho alto no ar, da mesma forma que fazemos com crianças para impedir que toquem algo proibido.
Daí para frente foi só ladeira abaixo. Eu me esticava na ponta dos pés tentando alcançar, gritando desesperada:
— Pierre, não faça nada que venha a se arrepender depois!
Eu nem percebi que tinha trocado o nome, mas ele notou na hora.
Jean, com a mão esquerda, desferiu um tapa forte com as costas da mão no meu rosto. Ao mesmo tempo, aproveitando que a porta da varanda estava aberta, arremessou meu notebook com força para fora. O aparelho caiu em cima de algum carro na rua, causando um grande barulho e um engarrafamento enorme logo abaixo.
Eu perdi o equilíbrio com o impacto do tapa e caí no chão, ficando alguns segundos atordoada. Assim que recuperei a consciência, limpei as lágrimas que escorriam, agarrei meu patinete elétrico e entrei correndo no elevador. Encostei-me no espelho e chorei compulsivamente... Só depois de uns cinco minutos é que percebi que nem tinha apertado o botão para descer.
Com o rosto todo molhado e inchado, saí do prédio, abri a portaria e subi no patinete. Lá embaixo, a bagunça era grande: o trânsito estava parado e eu vi meu computador ainda pousado no para-brisa de um carro. Sem pensar muito, fui direto para o primeiro lugar que me veio à cabeça: o café onde havia marcado de encontrar Eugène.
Antes de entrar, tentei ao máximo limpar o rosto, mas as lágrimas insistiam em cair.
Vi o restaurador ficar sério instantaneamente assim que me viu atravessar a porta.
— O que aconteceu? — perguntou ele, antes mesmo que eu me sentasse.
— O Jean... O Jean descobriu tudo.
— Tudo o quê? — questionou ele, levantando o dedo indicador para chamar o garçom e pedindo um chá de camomila imediatamente.
— Tudo! Sobre o Pierre, sobre eu ter beijado ele...
Eugène ficou irado, fazendo menção de se levantar da cadeira com tudo:
— Eu vou quebrar a cara daquele idiota! Nada, absolutamente nada do que você faça justifica ele te bater! Você está longe de ser santa, te traiu ele sim, mas...
Ele parou ao ver minha expressão. Eu não sabia, mas meu rosto já estava ficando marcado.
— Você é louco ou o quê? Ele é policial! Não pode simplesmente sair daqui e esbofetear um policial sem arcar com as consequências! — falei, tentando me acalmar. — Eu o trai, acho que no lugar dele talvez eu também tivesse reagido assim... Estou muito nervosa, ia acabar me atropelando se tentasse guiar o patinete desse jeito. Eu só quero pedir para você me levar até a casa da Karen.
O garçom colocou o chá de camomila na mesa.
— Eu te levo, mas uma hora dessa ela não deve estar em casa, deve estar na editora. Vou ligar para ela agora e pedir que vá para casa correndo. Enquanto isso, toma esse chá.
...
30 minutos depois, na casa de Karen...
— Eu realmente não consigo acreditar que o Jean fez uma coisa dessas! Vocês eram tão perfeitos juntos... — disse Karen, com a caixa de primeiros socorros na mão, limpando o arranhão na minha sobrancelha e passando um curativo. — Isso aí vai ficar roxo, viu? Agora me explica: como assim você tem um amante e nunca me contou nada? Agora tudo faz sentido! Era por isso que estava tão ansiosa para voltar da Espanha! Quem é? Eu conheço?
— Karen, não é hora para fofocas! A Emma precisa descansar, tomar um banho e colocar uma roupa limpa. — interrompeu Eugène, vendo que a noiva ia encher a mim de perguntas.
Karen ficou olhando para nós dois em silêncio por alguns segundos, e o restaurador logo adiantou-se:
— Não começa a inventar fanfic na sua cabeça, não temos nada! Só viemos juntos porque já tínhamos marcado de conversar sobre um evento que quero fazer, e eu queria a ajuda dela para pedir a gárgula emprestada. O amante da Emma se chama Pierre.
— Claro que se chama Pierre! É a inspiração do livro, óbvio! — Karen sorriu, mas logo ficou séria de novo. — Espera... Você não trouxe o notebook?
— O Jean jogou ele pela varanda.
— Emma, por favor, me diz que tem tudo salvo em um pendrive!
— Tenho sim, o problema é que o pendrive está no apartamento. Mas também salvei tudo no meu e-mail, graças a Deus.
— Emma, meu amor, o apartamento é seu! Você não pode simplesmente dar as mãos e deixar ele lá sozinho, tem que ir buscar suas coisas!
Meu telefone tocou, me dando um susto. Eu tinha esquecido que ele estava na bolsa de transporte que usei no braço. Tirei o aparelho e vi o nome: Capitão Lohan.
Respirei fundo e atendi:
— Alô, Capitão? Em que posso ajudar?
— Bonjour, Emma. Eu ia te perguntar a mesma coisa. O seu notebook foi encontrado em cima do para-brisa de uma BMW prata, bem em frente ao prédio onde você mora, e causou um belo de um engarrafamento. A senhora poderia me explicar, por favor, como isso aconteceu? Tentei ligar várias vezes para o Jean, mas ele não atendeu a nenhuma ligação.
Capitão Lohan
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