60- O passado bate a porta

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Na hora certa fui para o curso, mas estava ansiosa para que o mesmo acabasse. Porém, eu não era a única ansiosa naquele lugar. Eugène fez um sinal para mim, deixando claro que queria conversar, o que fez com que algumas alunas olhassem para mim com olhares maldosos. Para não levantar mais suspeitas, fui até onde estava a Gárgula enquanto Eugène se despedia de alguns alunos e tirava dúvidas de outros.

- Eu ainda não consegui a cura para essa maldição, mas pelo menos não terá que esperar até a lua cheia para acordar. - Falei olhando para a face perfeita da inspiração do meu novo livro.

Após longos minutos e sem nenhum dos alunos por perto, o restaurador apareceu atrás de mim e falou:

- Você realmente está apaixonada pela Gárgula?

- Não é como objectofilia. Tenho certeza que se ele fosse um ser inanimado, sem nenhuma personalidade, eu não teria me apaixonado por ele. - Era estranho, pois o meu coração estava totalmente confuso. Eu gostava de Jean, mas também de Pierre. É claro que Jean facilitou muito a minha decisão quando me agrediu. Eu ficava com a consciência muito pesada pois estava com o meu marido e pensando em outra pessoa. Era tudo muito estranho. - Aliás, muito obrigado por não ter contado nada para a Karen. - Falei ainda olhando para o rosto perfeito da escultura.

- Achei melhor deixar ela fora disso, não sei se tem algum perigo e a Karen não é muito boa em guardar segredos. Quando soube que assinaria com a empresa da Xtreme, não conseguiu nem esperar que você chegasse em casa, teve que te avisar tirante na entrevista. Não consigo pensar no que ela faria sabendo que uma Gárgula pode realmente voltar à vida, mesmo que fosse apenas nas noites de lua cheia. - Eugène falou olhando para Pierre. - Sobre a gárgula, o que aconteceu para ela ficar assim?

- O Duque pagou a uma bruxa para que o transformasse em uma escultura. Ela se apaixonou por ele e acabou o transformando em uma gárgula. Ela fez isso porque achou que teria a oportunidade de quebrar o feitiço depois, mas o Duque ordenou a morte da bruxa, então Pierre só pode voltar à vida nas noites de lua cheia. Sobre essa parte específica da história, achei uma bruxa que pode fazer com que Pierre volte sempre que quiser, mas ainda estará em forma de Gárgula.

- Emma, passa pela tua cabeça trazer Pierre Durand de volta à forma humana?

- Sim, Eugène. Não há nada que eu queira mais do que trazê-lo de volta.

- Emma, a vida não é como nos romances que você escreve. Mesmo que conseguisse trazê-lo de volta, isso não quer dizer que ele passaria o resto da vida com você. É como eu e a Karen: não é porque coloquei um anel no dedo dela que ela vai ficar comigo para sempre. Emma, Pierre talvez não estaria preparado para o nosso mundo, ele é quase tão antigo quanto essa catedral. O que estou tentando dizer é que o "felizes para sempre" nem sempre acontece.

- Eugène, se algum dia eu tiver a mínima chance de trazer Pierre Durand de volta, eu irei fazer tudo o que eu puder para que isso aconteça.

Eugène me fez uma série de perguntas sobre a Gárgula e sobre Pierre. Ainda estávamos conversando quando Karen ligou para o noivo bastante nervosa e falou:

- Amor, terei que desmarcar o nosso jantar. Finalmente acharam o carro do meu ex-marido no rio Sena! O Capitão Lohan pediu para que eu o acompanhasse até o local onde estão retirando o mesmo. Parece que com a falta de chuva o nível do rio desceu bastante e algum barco acabou raspando o casco no automóvel, que foi achado bem longe do centro de Paris.

- Vida, vai mandando a localização que eu irei até aí, não te deixarei sozinha em um momento como esse. - O restaurador falou enquanto se despedia de mim apenas tocando o meu ombro e sussurrando, por estarmos em uma igreja. Ele continuou conversando com a noiva enquanto perguntava detalhes do ocorrido.

Eugène

Eugène

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Gárgula ( +18)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora