No Vaticano...
Jean estava treinando esgrima quando, um arcebispo entregou uma carta, fazendo com quem Jean parace para lê-la.
Para meu querido neto Jean Carlos,
Se esta carta chegou às suas mãos, é porque já não estou mais entre os vivos. Como não encontrei nos meus próprios filhos a força, a determinação e a maldade necessárias para dar cumprimento ao nosso destino, foi a você que decidi transmitir o peso e a glória dessa herança: és o único neto digno e capaz de realizar o feito supremo que corre em nosso sangue há séculos - acabar com a vida da Gárgula, destruir Pierre Durand e mandá-lo para o fundo do abismo onde sempre deveria ter estado.
Não pense que sinto qualquer remorso por te passar esse fardo. Ao contrário: por muito tempo questionei a mim mesma se eu mesma deveria ter consumado o ato de matar Durand, ou se apenas estaria adiando o inevitável, empurrando essa dívida de sangue para mais uma geração. Mas hoje tenho certeza absoluta da minha escolha. Você se mostrou digno do nome Leroy ao fazer algo que ninguém, em séculos de história, foi capaz de realizar: tornou Pierre Durand um ser humano.
Ao fazê-lo, entreguei-o à fragilidade, à dor e à morte, mas ele permanece vivo. Hoje, Pierre é vigiado, protegido e cercado de segurança de tal forma que não podemos tocá-lo sem sermos descobertos - e a ironia mais amarga é que fomos nós, os Leroy, que arquitetamos e proporcionamos toda essa proteção. Mas não importa. O ódio que nos moveu até aqui não diminuiu, não enfraqueceu e não morreu com o passar dos anos. Espero, do fundo da minha alma corrompida, que esse desejo de vingança arda em você com a mesma intensidade que ardeu em mim, até o meu último suspiro.
Durante toda a nossa existência, dissemos ao mundo que Lohan de Leroy havia desperdiçado toda a sua fortuna e perdido a razão, destruído por tudo o que Maya fizera contra ele. Mas isso é apenas a mentira que espalhamos para esconder a verdadeira face da nossa família. A realidade é esta, que agora revelo a você: a nossa herança nunca se perdeu, nunca acabou. Ela foi apenas guardada, acumulada e transmitida de geração em geração, sempre a um escolhido, alguém eleito para carregar a obrigação sagrada de encontrar a forma, o meio e o momento exato de matar a Gárgula.
O casarão que hoje funciona como um hotel, e que um dia foi a nossa morada, foi vendido não por necessidade, nem por pobreza, mas sim como um movimento estratégico: juntar uma fortuna colossal para que, quando a oportunidade surgisse, tivéssemos recursos suficientes para comprar segredos, informações e alianças. Parte de todo esse dinheiro foi usado, ao longo de séculos, para corromper, subornar e dominar homens dentro do próprio Vaticano - pois sempre soubemos que era lá que estavam guardadas as respostas, os conhecimentos proibidos e as armas capazes de destruir o que parecia imortal.
Lembre-se bem disto: as balas de carvalho e o fogo da mesma madeira foram as ferramentas que usei para marcar a sua carne e a sua alma. Fiz com que Durand sofresse, que sentisse dor em cada movimento, que vivesse os seus dias como um suplício eterno. E espero, com toda a minha fúria, que esse sofrimento não tenha fim e que a sua existência seja curta. Não suportaria a ideia de morrer sem ter a certeza absoluta de que Pierre Durand já esteja queimando no quinto dos infernos, pagando por cada segundo que respirau e nos atormentou.
Há séculos, cartas como esta são escritas e passadas de mão em mão, instruindo cada herdeiro sobre o que deve ser feito. Agora chegou a sua vez.
Este dinheiro que agora recebe é amaldiçoado, manchado de sangue e destinado a um único propósito: matar a Gárgula. Em todas as cartas que me antecederam, está escrito claramente: essa fortuna só pode ser usada para esse fim. Há apenas uma exceção: se Pierre Durand morrer, se a Gárgula for destruída, então a maldição se quebra. Somente a sua morte nos libertará desse fardo, e somente quem o matar terá o direito de dispor de tudo o que acumulamos.
Portanto, obedeça e cumpra o que determino: se no dia em que receber esta carta ele ainda estiver vivo, cada centavo dessa herança deve ser gasto, investido e desperdiçado com um único objetivo: planejar, armar e executar a sua morte. Não poupe esforços, não poupe recursos, não tenha piedade. Se, porém, ele já estiver morto, ou quando finalmente o enviar para o inferno, então tudo o que é nosso passará a ser seu por direito, e você será o primeiro Leroy a usar essa fortuna como bem entender - mas lembre-se: ela foi construída sobre ódio e vingança.
Devo dizer que, depois de mim, você, Jean Carlos de Leroy, foi quem mais se aproximou da minha força e da minha determinação, sendo quem mais mereceu todo esse dinheiro. Espero que seja a primeira pessoa a gastar esse dinheiro sem ser para matar Pierre Durand, porque assim saberei que ele estará morto.
Não decepcione a nossa linhagem. Faça o que deve ser feito. Mate Pierre Durand.
Procure meu advogado, ele te dará os documentos necessários para usufruir da herança dos Leroy.
Alis de Leroy
Jean dobra a carta respira fundo enquanto uma lágrima silenciosa escorre pelo seu rosto.
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Gárgula ( +18)
Fantasia* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ... Eu já falei que o livro tem muito sexo? É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
