Apertei o play. A música suave e harmoniosa apenas violão no começo,
depois o piano, o violino doce e quase melancólico se juntaram preencheu o silêncio. Observei a reação de Ruggero, que de início ficou de boca aberta, depois, conforme a música continuava, suave e alegre, me surpreendeu sorrindo para mim aquele sorriso de tirar o fôlego. Levantou- se rapidamente, se inclinou e me estendeu a mão.
- Me daria a honra?
Agarrei sua mão sem pestanejar, deixando o celular sobre a bolsa.
- Posso te mostrar como se dança no futuro? Perguntei ansiosa.
- Por favor. Ele sorriu e abriu os braços.
Peguei suas mãos e as envolvi em minha cintura. Aproximei-me mais dele, passado meus braços em seu pescoço.
Ele instantaneamente, instintivamente, me apertou um pouco mais, encostei meu rosto em seu queixo e ele, notando o que eu queria, se curvou levemente para que seu rosto colasse ao meu. Apesar da música ser um pouco rápida para dançar
tão grudados, não me importei com esse pequeno detalhe.
- Agora, um de cada vez. Sussurrei movendo meus pés.
Ele me seguiu com facilidade e elegância, como em tudo que fazia.
Meu corpo pinicava de contentamento de estar em seus braços outra vez, seu cheiro e sua respiração em minha orelha me deixaram um pouco tonta.
- Gosto desta dança. Ele murmurou depois alguns instantes, me abraçando mais forte.
- Gosto muito, realmente.
Sorri de olhos fechados.
Nunca havia sido tão feliz em toda a vida. Abracei-o mais forte, querendo que o tempo parasse, que a vida não seguisse em frente, que nossa dança nunca terminasse.
- Karol, tenho que falar com você. Pretendia ter essa conversa depois que
o baile terminasse, mas as coisas não saíram como eu esperava. Disse, com a voz muito séria.
Lembrei-me que ele havia dito alguma coisa a respeito, mas tanta coisa
aconteceu depois que acabei me esquecendo.
- Tudo bem. Tem algo errado?
- Sim... e não. Ele disse inseguro.
Levantei a cabeça para vê-lo.
- Não entendi, Ruggero.
- Você sabe como me sinto, não sabe? Com relação a você?
Seus olhos negros e intensos me amoleceram os ossos.
- Acho que sei. Murmurei.
É claro que não dava para ter certeza.
Não se tem certeza de nada quando se está apaixonada.
A voz de Nina ecoou em minha cabeça de repente. Lembrei que discuti com ela na época.
Agora eu sabia exatamente o que ela quis dizer. Não dava pra ter certeza de nada além do amor louco que eu sentia por ele.
- Eu a amo, Karol. Vou amá-la para sempre. Não tenho mais escolha. E sorriu um meio sorriso.
- Mas acho que você deixou bem claro que me odeia. Seu rosto ficou brincalhão, mas eu vi a dúvida real em seus olhos.
- Você sabe que eu te amo. Loucamente. Desesperadamente. Ruggero sorriu, fechando os olhos, sua testa grudou na minha. Dançamos um pouco mais.
A música recomeçava mais uma vez.
- Então... Ele continuou nervoso.
- Vamos imaginar por um momento que você possa ficar aqui, se quiser.
- Tudo bem. Concordei.
- E que quisesse viver aqui para sempre... Disse apreensivo
Comecei a ficar ansiosa também.
- Não entendo onde você quer chegar.
Eu disse sinceramente.
- Imaginando que isso fosse possível, você poder e querer ficar aqui, e
desconsiderando o fato de que me conhece há pouco mais de dez dias,
você... Ele parou de dançar, me observava intensamente.
- Eu...?
- Karol, acredita que eu possa lhe fazer feliz? Sua voz distorcida de ansiedade.
Sorri um sorriso enorme.
- Muito feliz. A garota mais feliz do mundo! Era meio clichê dizer isso, mas era a mais pura verdade.
- A garota mais feliz de qualquer século!
- Poderia ser feliz aqui? Indagou cético.
- Pensei que detestasse este lugar. -Detestava. Concordei.
- Mas minha perspectiva mudou muito
depois que te conheci melhor. Não é mais tão ruim assim...
Ele sorriu, mas ainda estava apreensivo.
- Então, se pudesse ficar comigo, se pudesse ser minha... Por toda vida.
Se... Disse apreensivo.
Vi a expectativa em seus olhos.
Vi o brilho intenso e o amor sincero que
sentia por mim.
Vi que não era apenas uma paixão, coisa de momento, que sua alma me pertencia, assim como a minha já pertencia a ele.
E que seria assim para sempre.
- Sim! Respondi antes que ele pudesse dizer as palavras e tornar tudo real.
Como poderia eu dizer não a ele? Tampouco poderia dizer sim.
Eu ainda não tinha ideia de como me manter ali. Não podia permitir que ele me pedisse com todas as palavras, para depois...
- Se eu pudesse, seria sim!
Era minha única resposta. Se. Apenas se.
Minha visão ficou turva pelas lágrimas e não pude ver quando sua boca me
capturou num beijo desesperado. Respondi com a mesma paixão, como se
minha vida dependesse daquele beijo. Ruggero me apertava tanto que pensei que pudesse quebrar alguma coisa dentro de mim. Era como se tentasse me
segurar ali apenas com a força de seus braços. E eu queria, desesperadamente, que ele fosse capaz disso, que não me deixasse voltar, por que eu já estava em casa.
Estava exatamente onde deveria estar! Pensei com tristeza.
Ela havia dito isso, que eu estava onde deveria estar.
E, sem poder esclarecer nem para mim mesma, eu soube que estava no fim da jornada.
Eu teria que agir rápido!
Estava tão absorta que não notei quando a música parou.
Mas o barulho seguinte me trouxe de volta à terra.
Uma nova mensagem.
Olhei para Ruggero, assustada.
Seus braços se contraíram em minha cintura. Storm rapidamente se aproximou, relinchando muito.
Parou a poucos metros de onde estávamos. Olhei para Ruggero sem entender qual era a do cavalo.
O celular vibrou outra vez.
- Acho que isto o assustou. Ruggero disse, também confuso, indicando o aparelho com a cabeça.
Olhei para o cavalo, que me encarava como se fosse gente, de forma intensa e assustadora.
- Melhor ver o que é de uma vez.
Eu não queria ler.
Não queria saber o que estava escrito. Queria fingir que a porcaria do celular não existia!
- Ele vai continuar vibrando até que eu leia o que está escrito.
Suspirei infeliz.
Ruggero me olhou assustado, perturbado. Toquei seu rosto e beijei seus lábios com delicadeza.
Depois me soltei de seus braços relutantes e caminhei até onde estava o aparelho.
Apertei ler mensagem.
Jornada concluída com sucesso!
- NÃO! Gritei, me virando para Ruggero que correu ao meu encontro.
Mas era tarde demais.
A luz branca me cegou, envolvendo tudo ao meu redor com sua força ofuscante, levando tudo embora com ela.
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Meu lugar
FanfictionA garota da cidade grande, independente que gosta de praticidade, tudo para ela tem que ser moderno e que não dê trabalho. Mas vê sua vida virar de ponta a cabeça e embarcar em uma grande batalha para alcançar sua liberdade o que ela não sabia é que...