Uma romancista falida começa a desacreditar do amor quando seus livros são um fracasso.Ela não se conforma que as pessoas prefiram noites vazias ao lado de qualquer um ao invés de lutarem por seus relacionamentos, mesmo tendo sofrido uma decepção am...
As palavras que saíram da boca de Amanda me arrebataram, ela era a mulher por trás dos livros que mais amava, conheci Raquel Resende por acaso, caminhava por Nova Jersey até que encontrei o livro numa banca de revistas abandonada, me encantei imediatamente pela escrita, sentia-me completo a cada capítulo que lia,desde então me tornei fã. Saber que os manuscritos que mais gosto são da mulher da minha vida me encheram de alegria. Um dia prometi que seria seu fã e de forma indireta cumpri a promessa.
Levantei da cama e a beijei com amor, Amanda era a única capaz de dissipar os fantasmas que assolavam minha mente. Ela me abraçou sorrindo, senti tanta falta disso. Mesmo o momento sendo feliz não pude deixar de notar a tristeza que assombravam seus olhos.
- Me conte o que te preocupa meu amor? - perguntei.
- Como vai ser nossa relação daqui pra frente? Aliás, sou sua refém e você odeia meu pai.
Era nesses momentos que eu abominava ser filho de Alberto Ferraz, as responsabilidades com esse maldito cartel sempre me fizeram abrir mão da minha felicidade, quando Amanda me propôs que fugissemos a anos atrás cogitei aceitar, passou em minha cabeça largar tudo e viver esse amor proibido, mas fui covarde e neguei e faria isso de novo para salvar os honra do meu falecido pai.
Peguei suas mãos e as levei aos meus lábios, respirei fundo antes de dizer:
- Não posso mais te usar como isca, não seria justo com você.
- Vamos fugir Mateo, recomeçar em outro lugar, viver nosso amor longe dessa maldita guerra que nossos pais começaram. - ela implorou.
- Não posso Amanda, jurei honrar o nome do meu pai. Mesmo que eu te ame muito, devo isso a ele, mas como prova do meu amor resolvi te libertar, estou perdendo meu álibi contra Raul, mas isso é o certo a se fazer, vou destruí-lo com outras armas. Você está livre.
Ela não parecia acreditar no que ouvia, seus olhos verdes estavam cobertos de lágrimas.
- Você está me libertando?
- Sim, e não pense que essa decisão é fácil, queria muito que ficasse e que tivéssemos uma segunda chance, mas não vou fazer você escolher entre mim e seu pai. Não sou covarde a esse ponto e seria injusto, pois sei que o ama apesar de tudo.
- Mas eu também te amo.
- Não dificulte as coisas, por favor. Já tá doendo demais, te deixo partir com o coração dilacerado, pois o amor de verdade ele liberta, estou perdendo a parte mais importante de mim, mas é o preço que assumo pagar por te amar, você está livre agora e eu ficarei eternamente preso nessa solidão.
Era o certo a se fazer, não ia usar a mulher da minha vida como armadilha para o meu inimigo, por um momento pensei que ela negaria, que diria que ficaria comigo apesar de tudo, mas não. Amanda vestiu sua roupa e saiu sem ao menos olhar pra trás, quando a porta do loft foi fechada tive a certeza que nunca mais a veria, que esse era o nosso real fim. Deitei-me no chão e deixei as lágrimas tomarem conta de mim, não acreditando que a deixei partir de novo.
Amanda
Quando Mateo me ofereceu a liberdade fiquei boquiaberta, o momento que tanto aguardei estava sendo dado a mim de boa vontade, sem truques nem jogos. Eu devia estar feliz, me vi livre depois de dias, mas porque dessa vez eu desejava estar presa?
Saí da boate com o coração apertado, pensei que ele viria atrás de mim, mas não veio. Aceitei a liberdade com apenas um intuito, eu ia acabar com essa guerra, lembrei-me que o sonho do meu pai era que eu governasse o cartel, ele sempre me incentivou a aprender sobre os negócios, mesmo não gostando, aprendi muita coisa.
Vasculhei minha bolsa em busca do meu celular, por sorte ele tinha bateria mesmo tendo ficado dias guardado, chamei um Uber e fui o caminho todo em silêncio lembrando-me dos últimos acontecimentos, eu não podia fraquejar, assim que cheguei na casa que morei por anos minha espinha gelou.
Adentrei o imenso portão de ferro e admirei o jardim, amava correr aqui quando era criança, vi o muro que consegui pular quando fugi e fiquei ainda mais orgulhosa do meu feito, pois ele era realmente alto. Caminhei devagar lembrando de todos as memórias boas que passei aqui, respirei fundo antes de tocar a campainha.
Precisava de toda coragem para conversar com meu velho pai, aliás o que eu ia propor era ousado e talvez ele não aceitasse, Mateo me deu a liberdade como prova de seu amor e eu salvaria o cartel Ferraz como prova do meu, mesmo que isso custasse nossa felicidade . A porta se abriu e o frio na minha espinha se alastrou pelo corpo todo, papai me encarou sem acreditar que eu realmente estivesse ali.
- Oi pai, quanto tempo? Vim te fazer uma proposta e espero que esteja disposto a negociar. - falei.
Os olhos de Raul Gonzalez se encheram de lágrimas, apesar de tudo eu o amava, Mateo tinha razão, era injusto eu ter que escolher entre eles. Meu amado pai me puxou para uma abraço apertado e continuou a chorar no meu ombro.
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O que foi esse capítulo meu Deus. Até eu tô surtando aqui, continuem acompanhando que a reviravolta começa aqui.