Falta de ar...

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Mateo

Aquela mulher ia me enlouquecer, os minutos anteriores tinham sido maravilhosos, pena que Patrícia estragou tudo, duvido que Amanda permitiria que  a tocasse novamente, decidi que o melhor a fazer era beber um uisque, caminhava rumo a cozinha em busca de uma garrafa quando ouvi murros na porta do banheiro, os socos eram constantes mas perdiam força. Há não! Amanda estava sufocando, provavelmente os últimos acontecimentos desencadearam uma crise respiratória, todas as vezes que ela ficava nervosa acontecia isso.

Decidi agir rápido, me joguei contra a porta e a arrombei, ela caiu em meus braços, seu pulso estava fraco e a pele pálida, peguei uma das mil bombinhas que havia comprado, posicionei em seus doces lábios e orientei:

- Puxe o ar devagar meu amor, já vamos resolver isso. Fique calma.

Ela puxava o ar com violência, notei que a cor de sua pele estava se restabelecendo, continuou puxando o ar enquanto acariciava seus cabelos, não era a primeira vez que presenciava um ataque desses, mas diferente de antes, agora  estava preparado.

Dez anos antes

- Quem é aquela mulher que você estava conversando? - Amanda me perguntou com raiva.

- Não é ninguém. - falei com rispidez

- Não minta para mim Mateo Ferraz.

- E não me ameace Amanda Gonzalez..

Amanda estava muito brava, tinha certeza que se  tivesse uma arma me mataria naquele instante, seus lindos olhos verdes mostravam fúria, não vou negar que estava muito sexy, mas odiava quando  desconfiava de mim. Já tinha declarado meu amor várias vezes e mesmo assim não parecia acreditar.
Com raiva ela se aproximou e me deu um tapa, no impulso pensei em revidar, mas sou incapaz de bater em uma mulher. Apertei seus braços com ódio.

- Nunca mais faça isso, entendeu?

Os olhos dela se encheram de lágrimas, ela começou a chorar, os soluços inconstantes penetraram minha alma.

- Por isso não queria me apaixonar , agora estou sofrendo, pensei que me amasse mas está me traindo com aquela mulher.

Não consegui conter o sorriso, minha doce noiva estava com ciúmes  era a primeira vez que ela dizia estar apaixonada, não era boa em demonstrar seus sentimentos.

Ainda segurava seu braço, afrouxei o aperto e antes que pudesse dizer algo Amanda começou a correr, eu a segui e vi ela desmaiar no corredor.

Fiquei desesperado, a peguei no colo e disparei para a sala. Sua linda pele morena estava pálida e ela não conseguia respirar, pensei que a perderia ali naquele momento. Comecei a gritar feito um louco,  Raul apareceu com uma bombinha na mão. Eu tremia de medo, meu sogro posicionou o objeto nos lábios da filha. Amanda puxou o ar com força notei que sua cor estava voltando ao normal, meu coração batia descompassado. Quando ela conseguia respirar por si só a levei para o quarto, ignorando a plateia presente no espetáculo, aninhei ela em meu colo com carinho.

- Quase morri de susto, não sabia que tinha problemas respiratórios. - beijei sua testa

- Toda vez que fico nervosa acontece isso, não queria te preocupar. - falou bocejando.

- Vou te levar pra cama e espalhar bombinhas por toda a casa, não quero correr o risco de te perder.

- Tudo bem. - ela disse encostando a cabeça em meu peito.

- Amanda, a moça que eu estava conversando é dona da joalheria. Só estava encomendado seu anel de casamento, nunca vou te decepcionar amor. Se um homem é capaz de trair a mulher com ele se deita ele não é digno de ser um líder, além do mais eu te amo.

- Também amo você. - sussurrou e dormiu.

Lucas abriu a porta desesperado me despertando das lembranças, o fuzilei com os olhos, velava o sono de Amanda, todas as vezes que ela passava por isso dormia por horas. O semblante do meu fiel escudeiro era preocupado e isso me assustou.

- Qual o problema Lucas?

- A polícia interceptou nosso esquema, perdemos 5 homens e o Sebastian foi preso.

- Droga. - gritei

Olhei para a cama onde Amanda dormia e por sorte  não acordou com meu grito.

- Vamos sair daqui, ela precisa descansar. - falei - como isso aconteceu?

- Não sei chefe. Provavelmente foi armação do Gonzalez.

- Aquele filho da puta desgraçado. Mas não tinha como ele saber da operação, apenas eu, você e o Sebastian sabíamos que ela ocorreria hoje.

- Talvez o Sebastian seja o infiltrado.

- Impossível. Meu pai confiava nele de olhos fechados, como você escapou?

- Sou muito rápido e esperto, notei a movimentação e saí antes da chegada da polícia. O Sebastian quis finalizar a venda e acabou sendo preso.

- Entendo, vou até a delegacia subornar o delegado, talvez consiga liberta-lo. Se ele for o traidor o materei com minhas próprias mãos. - cuspi com ódio.

- Você sabe o que acontece se não concluirmos essa transação.

- Sei, perderemos o cartel para o Gonzalez. Mas isso não vai acontecer, tenho a filha dele em meu poder e se for preciso a mato para atingir o desgraçado.

Meu coração doeu quando pronunciei essas palavras, lembrei-me de seu rosto desfalecido a alguns minutos atrás, se ela morresse provavelmente eu também morreria. Inspirei fundo direcionando minha atenção para Lucas :

- Cuide de Amanda por mim, não vou demorar. Nao ouse abusar dela, conheço seus malditos métodos de sedução.

- Nunca faria isso Mateo. Pode ir tranquilo. - ele respondeu.

Saí desesperado rumo a delegacia não queria deixar Amanda sozinha, mas os negócios estavam em perigo, teria que desembolsar uma fortuna para libertar Sebastian e se ele fosse o infiltrado o mataria sem pensar duas vezes. Tentaria um acordo com Conrado, o cartel dele tinha se estabelecido e sua potência era forte, talvez me concedesse as drogas para finalizar o negócio com os árabes. Obviamente que o desgraçado me cobraria caro, mas era melhor do que entregar o Cartel Ferraz nas mãos sujas de  Raul.

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