Lucas
Dirigi feito um louco, atravessei sinais e quase atropelei um pedestre desatento, quando avistei o conversível preto abri um sorriso de orelha a orelha, tentei encurtar a distância entre mim e a vagabunda, para minha surpresa Macêdo foi competente e além de mim várias viaturas perseguiam o conversível.
Essa caçada estava sendo emocionante. Afundei o pé no acelerador, e percebi que ela fez o mesmo, não podia negar que Amanda era incrível, além de atirar bem era uma excelente motorista, as ruas de Nova Jersey ficaram pequenas, os passantes observavam a perseguição como se assistissem um filme em 3D, quando consegui encostar na traseira do carro dela o acidente aconteceu.
A idiota desviou de um casal de velhos e o carro capotou várias vezes, vi nitidamente quando seu belo corpo voou pelo vidro da frente aterrissando com violência no asfalto, era impossível ela ter sobrevivido, saí do meu veículo e tive a grata oportunidade de ver Mateo sendo encurralado pela polícia enquanto tinha a mulher de sua vida morta em seus braços.
O encarei com ódio e sorri, a vitória era minha. A policial o colocou no camburão e assisti como espectador quando a viatura partiu, caminhei até o corpo de Amanda apenas para confirmar sua morte, eu teria que comunicar Raul sobre a fatalidade, alguns paramédicos se aproximaram e perceberam que milagrosamente ela ainda tinha sinais vitais, a desgraçada era dura na queda, não me importei, Mateo achava que ela estava morta e se Amanda sobrevivesse teria inúmeras sequelas, talvez não conseguisse chegar com vida ao hospital. Peguei meu celular e disquei o número de Raul Gonzalez:
- Fala Lucas.
- Você está sentado? - perguntei querendo rir.
- O que houve?
- Amanda sofreu um acidente, está sendo encaminhada para o hospital em estado gravíssimo.
- Como isso aconteceu? - ele perguntou.
- Ela tentou fugir com o Mateo e o carro capotou, a boa notícia é que o desgraçado foi preso.
- A que custo? Minha filha está morrendo e você me diz que a prisão de Mateo é boa notícia? - ele gritou desesperado.
- Pra mim é. Sinto muito se sua filha é burra, ela se colocou nessa situação e está colhendo os frutos de sua escolhas.
- Não fale assim da minha filha. - ele ameaçou.
- Vou te mandar o endereço do hospital, espero que consiga a ver com vida e se despedir. - falei desligando o telefone.
Encaminhei o endereço para o desgraçado e fui direto para a delegacia, queria ter o prazer de pisar em Mateo pessoalmente, eu não o mataria, pelo menos não por enquanto, tomaria seu cartel e o deixaria sofrer pela "morte" de sua amada.
Mateo
Me negava em acreditar que Amanda estava morta, enquanto eu era transportado para a delegacia como um animal sem importância, deixei as lágrimas rolarem por meu rosto, as imagens dos últimos minutos de vida dela me arrebataram, era vergonhoso para um homem como eu chorar em público, mas não me importei, a dor tomou conta do meu peito e me entreguei a tristeza, como eu sobreviveria sem ela? Amanda havia se entregado ao seu pai, deixando seus princípios de lado apenas para me salvar e no fim ela morreu. Por minha culpa ela não respirava mais, tudo que fiz foi em vão.
Deixei a sede de vingança falar mais alto, a guerra contra o Gonzalez me custou caro, na verdade o preço foi alto para ambos. Raul sofreria tanto quanto eu pela perda de sua única filha, essa maldita batalha nos destruiu da pior forma. Coloquei minha cabeça entre as mãos e chorei feito uma criança, notei que o me olhava com pena, timidamente ele me ofereceu um lenço de papel e perguntou:
- Era sua esposa?
- Não, mas a única mulher que amei nessa maldita vida. - respondi entre soluços.
- Sinto muito. - ele disse.
- Eu também sinto, meu coração está morto e nem vou poder me despedir. - falei desolado
- Infelizmente é o preço que pagará pelos seus crimes, senhor Ferraz.
- Sei disso, cometi tantos pecados e estou sendo cobrado da pior forma - engoli em seco.
Assim que chegamos na delegacia, Macêdo me recebeu com um sorriso amarelo no rosto, o desgraçado tinha mesmo se aliado ao demônio do Lucas.
- Estou sendo preso sobre quais acusações? - eu quis saber.
- Boa noite para você também, Mateo.
- Não tenho tempo para falsas formalidades. - cuspi com raiva.
- Comando ilegal de cartel e tráfico de drogas. Você tem direito de permanecer calado até a chegada de seu advogado. - ele disse - levem-o para a cela. - ordenou para seus súditos.
- Ainda não, quero ver o sofrimento do desgraçado com meus próprios olhos. - disse Lucas quando entrou pela porta.
O filho da puta sorria sem parar, eu queria socá-lo até a morte, descontar toda a raiva que eu sentia em seu rosto. Fazê-lo implorar por sua insignificante vida, mas minhas mãos estavam algemadas.
Ele se aproximou de mim, ergueu meu queixo para que nossos olhos se encontrassem e começou a falar:
- Uma pena que nossa deliciosa Amanda tenha partido, aquele lindo par olhos verdes e seus gemidos delirantes vão fazer falta. Ela era uma puta bem gostosa.
- Tire o nome dela dessa sua boca imunda. - gritei.
- Calma Ferraz, você está exaltado. Mas me conta, como é carregar esse fardo? Afinal, quem deveria estar num caixão era você. - ele perguntou.
Meus olhos se encheram de lágrimas mais uma vez, a culpa me acompanharia pelo resto da vida, Lucas tinha razão, quem deveria estar morto era eu, não ela. Não tinha uma resposta para lhe dar entao permaneci em silêncio enquanto ele sambava sobre minha dor.
- Não se preocupe, cuidarei bem do seu cartel. Seu pai deve ter tanta vergonha do filho frouxo que criou, no final das contas nada do que fez deu certo, perdeu a Amanda e o cartel. Quanta lástima.
- Você é um desgraçado.
- E você é um perdedor. Aproveite bem sua estadia aqui, pois farei questão que te transfiram para um presídio, um lugar onde só os fortes sobrevivem, no seu caso, você será morto como uma ratazana. Passar bem Ferraz.
Senti um nó na garganta me impedindo de respirar assim que vi a silhueta do meu inimigo desaparecer na escuridão, o gosto amargo da derrota juntamente com a tristeza me dominaram, essa era minha sina, o fim da minha história e a destruição do cartel que meu pai sempre amou.
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Encontro Fatal
RomansaUma romancista falida começa a desacreditar do amor quando seus livros são um fracasso.Ela não se conforma que as pessoas prefiram noites vazias ao lado de qualquer um ao invés de lutarem por seus relacionamentos, mesmo tendo sofrido uma decepção am...
