Em nome do amor...

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Raul Gonzalez

Mesmo sendo um líder nato, alguns homens se negavam a aceitar minhas ordens, Lucas era um deles, apesar de ser meu braço direito o desgraçado teimava em passar por cima das minhas decisões, falei com ele que queria Sebastian vivo e o maldito o matou na delegacia, para piorar meteu-se numa briga com Mateo, quase botando tudo a perder, minha filha ainda estava sob o poder do Ferraz , mesmo sabendo do seu amor por ela, nunca se pode confrontar um homem que está a beira da ruína.

- Lucas seu filho da puta, você quase arruinou tudo? - esbravejei.

- Calma Raul, está tudo sob controle. Mateo é frouxo e seria incapaz de matar sua filha, eu garanto.

- Não sei, seus negócios andam de mal a pior. Ele perdeu o apoio de Conrado e não tem mais a quem recorrer, estou preocupado com Amanda. Vou montar uma força tarefa e invadir a boate para salvá-la.

- Não acho que seja boa ideia, mas...

Antes que Lucas concluísse seu pensamento a campainha tocou, não esperava ninguém, a governanta não veio abrir e eu fiquei impaciente quando a ding dong soou novamente, abri a porta impaciente e quase tive uma síncope, eu reconheceria aqueles olhos verdes em qualquer lugar, minha garotinha estava ali, a única herdeira desse imenso império se materializou na minha frente, não consegui manter a pose de durão e a abracei, fazia longos dez anos que não a abraçava, sempre a protegi e a observei de longe, quando ela fugiu deixei dois capangas encarregados da sua proteção .

Eu sempre soube de seus passos, exceto no dia que ela entrou na maldita boate, um dos meus homens se descuidou e ela acabou na toca do inimigo, não impedi sua fuga a anos atrás porque era favorável pra mim. Nunca quis me unir ao cartel Ferraz e quando recebi a proposta de Vicente Matarazzo rezei por um milagre, infelizmente tinha dado minha palavra a Alberto e não podia encerrar o contrato de casamento sem consequências inimagináveis.

Não sei o que houve entre Amanda e Mateo mas a fuga dela foi o pretexto perfeito pra se encerrar o acordo. Tive que desembolsar um dinheiro altíssimo para Alberto, mas a aliança com os Matarazzo valia a pena, apesar do prejuízo.

Inspirei o maravilhoso cheiro da minha menina, eu sempre a amei, mesmo que seu rosto me lembrasse o de sua mãe, aquela vagabunda.

- Pai? Vim aqui para termos uma reunião de negócios. - ela falou.

- Negócios? Quero comemorar. Minha herdeira voltou. - gritei.

- Voltei desde que aceite minhas condições.

- Condições? Quais?

- Podemos conversar no escritório, não confio nele. - ela disse apontando para o Lucas.

- Claro querida, seja bem vinda de volta a sua casa.

Caminhamos para o escritório enquanto Lucas a encarava com raiva, percebi que sua mandíbula cerrou quando ela disse que não confiava nele.

Nós adentramos o cômodo e eu tranquei a porta para que ninguém nos incomodasse, me sentei e ela fez o mesmo, encarou aqueles olhos penetrantes e intimidadores em mim e fez sua proposta:

- Quero que deixe Mateo em paz, ele já está praticamente destruído.

- Não é tão fácil assim, querida, dediquei minha vida a isso e você quer que eu desista agora que estou quase conseguindo?

- Sim, essa maldita guerra só nos afastou pai. Já está na hora disso acabar, pelo amor que sente por mim, faça isso, te imploro.

- Não faço acordos sem receber nada em troca, então minha filha, o que tem a me oferecer? A barganha tem que ser justa já que seu pedido é delicado.

- Te oferto o que sempre desejou, comandarei o cartel como sua sucessora direta. Darei continuidade em seu legado, desde que a rivalidade entre os Gonzalez e Ferraz acabe.

- Não nego que sua proposta é tentadora, mas o que me garante que não vai voltar atrás?

- Minha palavra e aperto de mão, sei que esse gesto é supremo quando se faz uma aliança entre cartéis, e apesar de tudo sou uma Gonzales, nunca quebro uma promessa. - ela falou com convicção.

- Tem certeza? Quebrou uma quando fugiu no dia do seu casamento, mas agradeço por isso, graças a seu ato impensado me livrei daquele maldito acordo.

- Então papai, de certa forma você me deve um favor. - ela provocou.

Sempre sonhei com o dia que Amanda ficaria no comando do meu império, me sentia cada dia mais cansado e precisava urgentemente de um sucessor, Lucas era o candidato perfeito, mas as vezes suas atitudes me deixavam inseguro de minha decisão. Eu podia aceitar a proposta dela, Mateo dificilmente se reergueria e minha vitória era certa, se Amanda se casasse com Lucas a aliança nunca mais seria desfeita, mas isso eu pensaria depois. Estendi minha mão para ela aceitando a proposta.

- Tudo bem minha filha, temos um acordo e sua primeira aparição como minha sucessora será amanhã no jantar dos cartéis. Mateo ficará chocado ao vê-la ao meu lado. Acho que isso já é vingança suficiente.

- Tudo bem. Garantirei que ele nunca mais me procure e serei uma sucessora a altura, prometo. - ela disse apertando minha mão.

Selamos o contrato e me senti extremamente feliz, pois minha filha tinha voltado para tomar posse do que era seu por direito.

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