Amanda
Acordei com uma baita dor de cabeça e percebi que já era noite, meu estômago revirava de fome e me dei conta que eu não havia comido nada desde de quando cheguei. Resolvi tomar um banho rápido e descer para jantar, torcia para não ter o desprazer de me esbarrar com meu noivo, retirei minha roupa e fiquei chocada com o quanto eu estava magra, algumas cicatrizes enfeitavam meu tórax, eu queria me lembrar do acidente e de toda minha vida antes dele.
Deixei a água do chuveiro cair sobre os meus ombros e relaxei um pouco sentindo o calor me abraçar. Minha cabeça rodou quando fechei os olhos e tive um flash de memória, um homem me encarava, olhos azuis e pele bronzeada. Não conseguia desenhar seu rosto perfeitamente, muito menos me lembrava de seu nome. Eu precisava me lembrar, precisava sair daqui.
Saí do banho e vesti uma roupa qualquer, retirei a cômoda que mantinha a porta trancada e fui rumo à cozinha em silêncio.
Assim que desci as escadas encontrei meu maldito noivo e minha amiga de infância, seus corpos estavam grudados um ao outro, de onde eu estava fiquei com a impressão que se beijavam, assim que me viu, Margarida deu um salto assustada se afastando dos braços do Lucas.
— Oi Aman... Raquel. Como está? — ela perguntou animadamente.
— Bem. — respondi — Você ia me chamar de que? — perguntei.
— De nada meu amor. Margarida não anda bem da cabeça, até parece que foi ela que acordou do coma. — Lucas interrompeu antes que a moça pudesse responder. — está com fome? — perguntou
— Sim. Mas quero saber onde está meu pai. — perguntei.
— Infelizmente querida, seu pai teve que fazer uma viajem de negócios, ele disse para agilizarmos a papelada do casamento. Pediu que eu cuidasse de você enquanto ele estivesse fora. Não será nenhum sacrifício pra mim fazer isso. Estou louco pra passar alguns minutos a sós com você. — sussurrou ao meu ouvido.
— Creio que eu ainda não tenha me recuperado totalmente, o médico solicitou repouso absoluto. Ouso dizer que terá que esperar mais um pouco amor. — falei sarcasticamente.
— Espero o tempo que for necessário, mas nos casaremos o mais rápido possível. Não quero te perder de novo. — sorriu maliciosamente.
Caminhamos rumo a cozinha, percebi a troca de olhares dos dois, eu podia não ter memória mas não era burra. Eles provavelmente tinham um caso, era nítido, a loira olhava apaixonadamente para o homem ao meu lado. Seus olhos brilhavam como o meus deveriam brilhar na sua presença. Respirei fundo tentando colocar os pensamentos em ordem, sem motivo aparente, meu coração começou a bater descompassadamente. Os olhos azuis invadiram minha cabeça mais uma vez e eu fiquei absorta neles.
Eu precisava encontrar seu dono, ele com toda certeza era a chave dos meus problemas, estava entretida no meu prato quando um dos capangas do meu noivo adentrou a sala como se fugisse do demônio, pelo pouco que eu entendi, Lucas e meu pai comandavam um cartel, não sei bem o que isso queria dizer, mas no meu íntimo eu sabia que não era trabalho honesto.
— Patrão? — o homem falou desesperado.
— Como ousa interromper meu momento de paz ? — Lucas esbravejou.
Sua voz reverberou pelo meu corpo causando um calafrio desagradável.
— Houve um incêndio no presídio, não tenho muitas informações ainda. O lugar está um pandemônio, estava indo para o local executar o serviço que havia solicitado, e vi com esses próprios olhos o fogo consumir o lugar. Pelo pouco que sondei, o fogaréu se iniciou na cela do Ferraz, provavelmente o desgraçado está queimando no inferno.
Não sei porque, mas meus olhos se encheram de lágrimas ao ouvir aquele nome. "Ferraz" repetia em minha mente, eu nem o conhecia e já sofria por sua morte. Outro flash de memória tomou conta de mim, dessa vez a imagem era nítida. Um homem destinava o mais belo sorriso na minha direção.Tentei me concentrar para que o momento durasse uma eternidade, aquele rosto me confortava, mas fui interrompida pelo grito vitorioso do meu noivo:
— Tragam champanhe, hoje é a consolidação do meu império. — gritou — assim que eu acabar o jantar irei até o presídio, quero ter certeza que o desgraçado está morto. — esbravejou alegremente — você irá comigo meu amor, quero que compartilhe da minha felicidade.— disse direcionando seu olhar tenebroso na minha direção.
— Não me sinto bem, prefiro ficar em casa. — falei com a voz trêmula.
— Isso é uma ordem, está na hora de aprender quem realmente manda querida. — falou beijando meus lábios ferozmente.
Assim que finalizamos o jantar, saímos em disparada rumo ao presídio, meu coração doeu o trajeto inteiro. Eu não queria ver ninguém morto, muito menos esse tal de Ferraz, só de ouvir seu nome meu corpo estremecia, mas ou contrário do que ocorria com o Lucas o tremor era agradável. Por algum motivo, eu queria que esse homem estivesse vivo, mas assim que vi a situação do local minhas esperanças se esvaíram.
Alguns detentos tinham queimaduras de terceiro grau, outros se debatiam no chão esperando o socorro que nunca chegava, meu noivo sorria como se a cena fosse a mais bela de todas.
— Venha querida, quero ir ao centro do espetáculo. — ele disse me puxando pela mão.
Saí pisando em alguns cadáveres sem vida, senti meus olhos cheios de lágrimas enquanto caminhávamos rumo a cela onde tudo começou, uma forte dor de cabeça me consumiu quando eu vi o cômodo tomado por cinzas.
A fumaça fresca revelava que o incidente havia acontecido a poucas horas, não havia nenhum móvel e nenhum corpo.
— Pela situação deduzimos que o prisioneiro morreu carbonizado, seria impossível ele fugir. — uma voz masculina falou atrás de nós.
— O desgraçado morreu queimado no fogo do inferno, as chamas o consumiram vivo. Não tinha uma morte melhor pra ele. Agora sim posso descansar em paz. — meu noivo observou sorridente.
Eu continuei ali, entristecida com o coração padecendo, fechei os olhos e a imagem do mesmo homem dominou-me, nesse instante não contive as lágrimas e desabei a chorar em meio às cinzas.
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Encontro Fatal
RomanceUma romancista falida começa a desacreditar do amor quando seus livros são um fracasso.Ela não se conforma que as pessoas prefiram noites vazias ao lado de qualquer um ao invés de lutarem por seus relacionamentos, mesmo tendo sofrido uma decepção am...
